terça-feira, 5 de março de 2013

Segunda edição do Festival Rota das Letras


Quando se ouve falar de Macau a tendência, natural, é para associar a referência ao território a grandes casinos, à capital mundial do Jogo, ao vício, a muito dinheiro.
Se tudo isso é real, também é verdade que há muito para além da Macau versão Las Vegas a Oriente.
O Rota das Letras - Festival Literário de Macau, é um bom exemplo desta última realidade.
A edição deste ano, a segunda, irá decorrer entre os dias 10 e 17 de Março.
E, uma vez mais, propõe-se colocar em prática o que tem sido o discurso oficial, pré e pós transição de poderes - o encontro de culturas, a plataforma entre a China e os países de língua oficial portuguesa, um espaço privilegiado de diálogo e convívio.
O programa é variado e põe em contacto nomes tão díspares como Bi Feiyu (vencedor do Asian Man Booker Prize), Dulce Maria Cardoso, Han Shaogong (tradutor para a língua chinesa de obras de Fernando Pessoa), Hong Ying, João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata; José Eduardo Agualusa, Mauro Munhoz, Paloma e Cecília  Amado (brasileiros); Paulina Chiziane (moçambicana), Luís Cardoso (timorense); os humoristas Ricardo Araújo Pereira e Rui Zink; Valter Hugo Mãe,  Wang Gang e Xi Murong, poetisa de Taiwan, bem como a controversa poetisa chinesa Yi Sha; na vertente musical nomes como Camané e os Dead Combo fazem também parte do programa.
Este ano, destaque ainda para a participação dos autores franceses Antoine Volondine e Claude Hudelot, ambos muito ligados ao universo da China, de Macau e da Lusofonia.
Há ainda novidades na vertente do audiovisual (cinema e documentários) e textos de autores que participaram na primeira edição.
Tudo apresentado em três línguas (chinês, português e inglês) para maior inteligibilidade e facilidade de acesso do público.
Fica dada a conhecer esta faceta de Macau, da Macau que existe para além do brilho dos néons, da Macau da liberdade e tolerância, do segundo sistema no que tem de melhor.
Também a pensar na possibilidade de dar a conhecer a Macau que existe para além dos casinos, a cidade que é também Património Mundial, o Festival vai decorrer em vários locais listados oficialmente pela UNESCO que poderão assim ser mostrados, desfrutados, ganhar uma nova dimensão e vida.
Assim sim, faz todo o sentido o slogan dos Serviços de Turismo de Macau - "Num Mundo de diferenças, a diferença é Macau".
consultar aqui o programa

2 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

A tendência de ver Macau desse modo é muito natural porque tem sido a parte mais falada.
Ainda bem que existem muitas outras coisas e acontecimentos para alem dos jogos e dos casinos.
O Pedro fez muito bem em nos apresentar esta parte cultural para mudarmos a nossa visão.

Pedro Coimbra disse...

luis,
Macau é muito mais que os casinos.
E tem uma cultura única.
Que se reflecte na arquitectura, na culinária, nos costumes, na língua (patuá), na existência de uma comunidade que resulta do cruzamento dessas culturas e do sangue lusitano e oriental.
As minhas filhas são um bom exemplo dessa realidade.
Os casinos são necessários.
Sem eles, Macau não sobreviveria.
Mas há mais, muito mais, que isso.
Grande abraço!!

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