domingo, 10 de março de 2013

Olhar a Semana - A cultura democrática não tem ideologia

A semana que termina ficou marcada pela morte de Hugo Chávez. O líder Venezuelano não aguentou um cancro que lhe foi diagnosticado já em 2013. A doença de Chávez levantou problemas de legitimidade em relação a Presidentes que não têm condições físicas para exercer a chefia do Estado. É importante que o poder transite de mãos enquanto dura o tratamento de um problema de saúde grave. Deixar o lugar vago não me parece que seja a solução ideal, até porque nestas questões o tempo  de ausência é sempre  imprevisível. 

O parlamento português aprovou um voto de pesar ao ditador venezuelano, tendo recebido unanimidade de todos os partidos com assento parlamentar. A esquerda não deixaria de passar este momento histórico, no entanto a Direita portuguesa poderia condenar as políticas de Chavez através da simples abstenção. Não o fizeram, porque apesar das diferenças ideológicas, é preciso em primeiro lugar ter sentido de Estado, além do mais o Presidente sempre foi um aliado de Portugal, que o diga José Sócrates  Em meu entender, a Direita deu um exemplo de democracia aos partidos de esquerda que votaram contra o pesar a Jaime Neves aquando da sua recente morte. 

O sentido de Estado e o respeito não têm ideologia nem conhece diferenças partidárias. Da mesma forma que CDS e PSD votaram favoravelmente o pesar a Chavez, PCP e BE tinham de fazer o mesmo em relação a Jaime Neves, a bem da cultura democrática que todos os partidos, sem excepção devem ter quando estão sentados no hemiciclo português, porque enquanto representantes eleitos pelo povo português, todos os partidos deverão colocar os interesses do país acima dos partidários. A atitude revelada com Jaime Neves demonstra que a Esquerda mais radical tem de aprender valores simples com a Direita. Enquanto que esta é criticada neste país por ser demasiada liberal, é ela quem pratica no dia-a-dia os valores que construíram a nossa sociedade. A nossa esquerda ainda revela alguma mágoa por um passado que não voltará, sendo incapaz de construir um futuro para o país mas também para os seus próprios partidos. A liderança bicéfala do BE revela a falta de identidade com que o partido se debate, já o PCP como não muda o discurso há 40 anos, tudo o que for dito em sentido contrário pode incomodar aqueles que jazem no cemitério da antiga União Soviética. 

Ainda bem que é a Direita a ter de ensinar à esquerda como é que se deve comportar em democracia. 

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