quarta-feira, 20 de março de 2013

E o parlamento cipriota gritou - Não!


A União Europeia deu mais um valente tiro no pé.
Já são tantos que até já nem é notícia, em boa verdade.
Notícia, novidade, é que, neste caso, o socorro poderá vir de fora da própria União, poderá vir das estepes russas.
A tresloucada proposta dos ministros da Economia e Finanças do Eurogrupo de taxar os depósitos bancários no Chipre gerou revolta e pânico.
Nem o recuo estratégico, de última hora, de isentar os depósitos bancários inferiores a 20 mil euros, aplicando taxas de 6.75% aos depósitos entre os 20 mil e os 100 mil euros, e de 9.9% aos depósitos bancários de montante superior a 100 mil euros, foi suficiente para fazer passar este confisco, esta medida draconiana, no parlamento cipriota.
Parlamento cipriota que deu um valente puxão de orelhas aos burocratas e tecnocratas de uma União Europeia em completo desvario.
Nem um único voto favorável à proposta da União Europeia, 39 votos contra e 19 abstenções, e o parlamento cipriota a deixar bem clara a sua firme e total oposição a uma medida realmente tresloucada e despudorada.
Acto contínuo, salta para a mesa a proposta da Gazprom, através do Gazprombank, o ramo financeiro do gigante energético russo, de  resgatar a economia cipriota com um montante de 300 mil milhões de euros, a serem entregues como  contrapartida pelos direitos de exploração das reservas de gás natural offshore na zona económica exclusiva cipriota.
Entre outras hipóteses - um default puro e simples; uma reestruturação de dívida; a saída do euro e regresso à libra - não deixa de ser irónico que seja um pequeno país como Chipre, uma economia periférica, a poder declarar xeque-ao-rei à União Europeia.
Uma declaração que passaria por aceitar a proposta russa, deixando a Rússia a controlar abertamente a economia cipriota, com acesso livre à zona económica exclusiva cipriota, ao mar, com as óbvias implicações geoestratégicas de tal movimento, e que implicaria uma completa perda de face da União Europeia causada não por um grande país, uma grande economia (Espanha, Itália, até a Grécia ou Portugal) mas por uma ilhota que muitos não sabem sequer apontar no mapa.
Como irá reagir a União Europeia a este movimento cipriota e russo?
Teremos de esperar para ver.
Com a certeza que, ao contrário do que afirmam as agendas oficiais, o tema Chipre será central na deslocação, amanhã, de Durão Barroso a Moscovo.

9 comentários:

Ricardo Meneses disse...

Na minha opinião, está concretizado o xeque à rainha (Merkel), perdão, ao rei (Schauble), Pedro!

Quanto ao mais, não me surpreende, nem um pouco, está posição tão pronta e afirmativa da Rússia.

Aquele abraço e aguardemos pelos próximos capítulos.

Rui da Bica disse...

Bom ! … Resta-nos esperar para ver !
Na prática, está é declarada a “guerra” entre a UE e a Rússia ! :)
A taxa sobre os depósitos - cujo valor actual, após negociações de última hora, é agora (sugerida)de 0% até 20 mil euros, 3% para os depósitos inferiores a 100 mil (mas que está a ser discutida de molde a ser levada a zero) e de 12,5% aos de montante superior - foi imposta pela União Europeia como um meio de garantir que o dinheiro dos contribuintes não seria utilizado para resgatar os milionários russos que utilizavam Chipre como um paraíso fiscal, uma vez que 25% dos depósitos totais existentes nos bancos cipriotas pertence a cidadãos russos (evidentemente os escalões mais elevados).

Recorde-se, ainda, que o pacote do Eurogrupo inclui o aumento do IRC local de 10% para 12,5% (ficando idêntico ao da Irlanda) e do imposto sobre juros de poupanças de 20% para 25%, bem como um plano de privatizações.

Creio que haverá um erro de tradução relativo ao valor da proposta da Gazprom, de 300 mil milhões de euros, a serem entregues como contrapartida pelos direitos de exploração das reservas de gás natural offshore na zona económica exclusiva cipriota. (???)

Não creio que a proposta russa, tendo em conta os juros dos empréstimos e as cedências à Gazprom venha a ser irrecusável, a não ser que aquele valor (?)(mencionado atrás)esteja certo ! :))
.

Pedro Coimbra disse...

Parece xeque-mate, Ricardo.
Foi rainha foi, rei, e nem tiveram tempo de pegar no cavalo para se refugiar na torre :))
Aquele abraço !!

O valor que eu li fosse esse mesmo, Rui.
Acesso ilimitado às imensas reservas de gás existentes no Chipre e acesso directo às águas cipriotas.
Nao esquecendo a bofetada que é dada à UE.
UE que recuou, que está a tentar atacar o polvo, mas que, mais uma vez, nao consegue perceber onde estão esses tentáculos.
Vai daí, ataca à toa.
Argolada impressionante, Rui.
Com consequências que não me atrevo a prever.

FireHead disse...

Era tão bom que a União Europeia tivesse os dias contados.

Pedro Coimbra disse...

Se a União Euroeia tivesse os dias contados, o Mundo entrava em ebulição, Firehead
E Portugal volatilizava-se.

Francisco Castelo Branco disse...

A europa não só não ajuda como não deixa que ninguém acuda aos países em dificuldade.

Estou a ver no futuro a China na Peninsula iberica e a Russia ao pé do mar egeu

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Não sabia que o Durão ia a Moscovo. Certamente vai servir outra vez de moço de recados, embora 10 anos depois o mandante não seja Bush, mas a sua nova patroa Merdel.
Lembra-se da minha série de posts"Monopoly Games", Pedro?
Pois parece-me que esta foi uma jogada arrogante de alguém que pensava já ter o jogo ganho.
Amanhã vou escrever sobre o assunto no CR

Pedro Coimbra disse...

Francisco e Carlos,
A União Europeia esqueceu-se dos ensinamentos de Sun Tze - estuda o teu inimigo.
Não estudaram Chipre, pensaram apenas numa ilhota, e esqueceram o apoio do gigante russo.
Isso é pura incompetência, falta de visão, de cultura política, arrogância.
Tudo misturado, deu nesta borrada que só agora começamos a conhecer.
A visita de Durão Barroso já estava programada, Carlos.
A agenda é que vai ter que ser (informalmente) alterada.

Poppy disse...

Esta situação da Rússia é uma inteira novidade para mim... Mas dar total acesso à Rússia também me parece um bocadinho... Assustador? Nem sei o que pensar, é melhor aguardar para ver.

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