quinta-feira, 21 de março de 2013

A favor ou contra?



A notícia do dia de hoje foi, claramente, o possível retorno do engenheiro (“engenheiro”, para uma maior precisão histórico-linguística) José Sócrates ao panorama nacional para, vejam bem, comentar o estado do país. Mais ou menos o que Marcelo Rebelo de Sousa, na TVI, e Marques Mendes, na SIC, fazem semanalmente (mas estes com uma muito maior legitimidade política, diga-se). A primeira conclusão a retirar-se é que a RTP1 não se quis deixar ficar no que respeita a comentários semanais e foi buscar um peso pesado (assim não há forma de alguém dizer que não sabia deste novo espaço semanal na RTP1).
A concretizar-se, aguardo com grande espectativa e serei assíduo espectador. Afinal de contas, rir é sempre o melhor remédio.

No entanto, para mim, e é sobre isto que me quero debruçar, a notícia do dia de hoje foi o episódio que se deu na AR a propósito do projecto de resolução do PCP, que “exigiria” a demissão do Governo (em termos constitucionais, ou seja, na prática, não exigiria coisa nenhuma…).
O PCP, em mais uma demanda para deitar abaixo o Governo (à semelhança do que tem feito nos últimos 36 anos, mais coisa menos coisa) lá veio, então, apresentar esta espécie de Moção de Censura ao Governo (que, acrescente-se, só será votada amanhã). Ora, à partida, BE e PEV (Partido Ecologista “Os Verdes”, para os mais desatentos ao crescimento deste gigante grupo parlamentar) deverão votar favoravelmente. Mas nunca se sabe.
O que sabemos já é que o PS irá votar contra. O que, na minha opinião e, penso, na opinião de muitas outras pessoas, é de estranhar e constitui um contra-senso à posição do PS nos últimos tempos.


António José Seguro veio esta semana anunciar formalmente (o profissionalismo do homem…) a ruptura com o Governo pois, segundo ele, o mesmo não ouve ninguém, nem está aberto a qualquer tipo de discussão. O Governo é, portanto, um bebé chorão que não quer dividir os brinquedos!
 Mas, a ser assim, o PS e o próprio António José Seguro são, também eles, bebés que não se conseguem decidir entre comprar os seus próprios brinquedos ou brincar com os dos outros! Anunciar uma ruptura formal com o Governo e, passado uns dias, votar contra um projecto de resolução que, apesar de não ter consequências praticas, serviria para definir, claramente, a posição do PS, é incompreensível na minha óptica.

Mostra, isso sim, o medo tremendo que o PS ainda tem de este Governo poder cair e de, havendo eleições, não as ganhar!

Mostra, isso sim, que o que comanda o PS é a sede de vitória e de chegar ao poder.

Mostra, isso sim, que todo o diálogo do PS e de António José Seguro não é mais do que simples barulho, simples demagogia e populismo barato.

Mostra, isso sim, que, afinal de contas, a esquerda portuguesa não se preocupa assim tanto com os cidadãos menos capazes de enfrentar as suas dificuldades diárias.

Mostra, isso sim, que António José Seguro é só mais um socialista, é só o seguimento do que foi José Sócrates…

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