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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Outra vez os valores!



Eu queria agradecer à SIC pelo facto de, mais uma vez, me ter "culturalizado".
 Hoje, nos "perdidos e achados", falou-se do famosíssimo "Avô Metralha", o suposto maior ladrão de Portugal ou coisa do género. Dos melhores 10/15 minutos de SUMO! Desde as prisões onde esteve (foi internacional, reconheça-se o valor hein. Chegou a estar preso na Alemanha e na França. Que orgulho que eu tenho neste nosso português!), os roubos que fez, as mulheres que teve, etc.
A jornalista estava doida, interessadíssima nas artimanhas do idoso! (até ria)

Ainda em relação à entrevista propriamente dita, há a reter, principalmente, dois momentos onde foram atingidos picos de inteligência por parte do amigo Metralha:

1- A certa altura, o Metralha diz que o que lhe estragou a vida foram as mulheres! Lembro que estamos a falar de um ladrão, que roubou a vida inteira. Mas alto que quem lhe estragou a vida foi as mulheres. Nunca confiei nelas, também oh Metralha...

2- Já para o fim, aparentemente sóbrio, o Metralha refere que não se sente arrependido de quase nada do que fez. Até aqui tudo bem, a vida é do homem, se não está arrependido é com ele. Mas a justificação para isso é que é de uma inteligência e de um je ne sais quoi que é, lá está, inexplicável. Diz ele que sempre e só roubou bancos e que esses são mais ladrões que ele, portanto, não tem de se sentir arrependido. Ora, oh avozinho, de forma simplificada, para ver se percebe, o dinheiro que está nos bancos é de pessoas. Pessoas boas, pessoas más, gordas, magras, altas, baixas. Mas é de pessoas, não é do Banco (o Banco não é nenhuma pessoa ou nenhum apelido de família). Espero que alguém lhe chegue com esta informação para o homem se sentir um bocadinho de nada arrependido.

Eu acho nojenta (e mais uns 10 adjectivos diferentes) a velocidade a que esta sociedade e, particularmente, os meios de comunicação correm para o abismo social, para o nada!
Como é que é possível que os meios de comunicação e as pessoas que estão por trás dos mesmos se importem e dêem atenção a estes zé ninguéns, a estes criminosos que nada fizeram na vida que Deus lhes concedeu, que nos roubaram, que humilharam o nosso país cá dentro e no estrangeiro? Quais são os valores que estes jornalistas têm? O que é que pretendem com este pseudo jornalismo? Em que país é que pretendem viver quando eles, os que transmitem a informação à Nação, ao povo, dão vazão a estas pessoas, não têm (aparentemente) valores enraizados, não dão valor à moral e nem bom senso, uma das mais elementares capacidades humanas, têm?

Somos 10/11 Milhões em Portugal e, ainda assim, os meios de comunicação perdem tempo com quem não merece nem 1 minuto? Temos milhões de pessoas bem mais interessantes que o Metralha, porque é a coisa mais fácil do Mundo, temos centenas e centenas de pessoas que valeria a pena entrevistar pelas mais variadas razões. Mas não, esses que trabalham, que se esforçam para algo construtivo e produtivo, os que estudaram e estudam, esses não. Esses que continuem a trabalhar na escuridão do reconhecimento. E trabalhem bem, porque, caso contrário, lá estarão eles em cima para cascar no mais ínfimo erro que tenham cometido.
No Portugal de hoje compensa ser bandido, do de trapo ao de colarinho branco.

Já tivemos valores, tradições, ideais...Onde estão? Eu não sei. Mas sei que não sou o único que vai lutar por eles, certamente!

4 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Parece que vivemos num tempo em que se dá mais valor a uma bomba que mata do que a um pão que alimenta.

A deseducação começa em casa quando os pais se riem porque os meninos partiram a cabeça dos amigos, riscaram o carro do vizinho, disseram um chorrilho de palavras porcas.

A TV leva para o governo os tratantes que vão delapidando o pais e a sua cultura e depois a guerra das audiências e dos números está tudo matematicamente calculado e vão continuar.

Porque o Canal 2 se apresenta diferente alguém o quer silenciar.

Fatyly disse...

Parabéns pelo texto e quanto ao avô Metralha meteu-me igualmente nojo e o nosso jornalismo vai de mal a pior porque acredito que caminhamos para o que jamais pensei em ter de voltar a viver.
A falta de valores que refere é transversal à sociedade actual...a começar por quem nos governou e governa nos últimos 20/30 anos até a estes "artistas entre aspas".

Quando escreves:
"o dinheiro que está nos bancos é de pessoas.(...) Mas é de pessoas, não é do Banco (o Banco não é nenhuma pessoa ou nenhum apelido de família)."

tens razão, mas o que dizer dos "metralhas" do BPN e do BPP e do...e da...?

O que dizer de alguns outros "metralhas" de topo que graças às suas juventudes partidárias nada fizeram de "trabalho/profissão mesmo" e subiram na vida sem qualquer esforço mas apenas pelas suas cores políticas?

é que tristemente leio "contraditórios de bradar aos céus"...tal como ouvir dizer com a maior cara de pau que "o desemprego tira-me o sono" e logo a seguir outro "durmo pouco mas durmo bem"!

Putos armados em grandes...ou grandes armados em putos?

Quanto às cadeias portugueses o tal "?" disse a verdade,porque conheci várias por motivos profissionais e nada lhes falta...apenas a liberdade (o que para mim já é muito).

Já agora deixo uma pergunta: Claro que temos valores, tradições, ideais...mas na conjunta actual onde a criminalidade impera, onde a justiça não funciona e o que o funciona é apenas para os mais "desprotegidos", onde existe já um milhão de desempregados (já fui a um Centro de Emprego apenas para observar como funciona e como tratam as pessoas e saí de lá com o coração a sangrar), onde os velhos que trabalharam no duro 40 anos recebem o que recebem e fizeram da Segurança Social o Fiel Depositário, quem o autorizou gastarem/perderem na bolsa/Acções/investimento uns largos milhares de milhões de euros? ONDE ESTÃO ESSES "METRALHAS"?

Um professor foi suspenso do ensino por actos ou mesmo pedofilia e porque o MP não deu corda aos papéis o mesmo volta sem se apurar a verdade dos factos? Claro que sei que "todos são inocentes até à sentença final".

pudesse eu ir embora que Portugal jamais veria um tostão e nisso PPC foi honesto: emigrem jovens deste país porque desta forma vamos chegar a "nenhures". Mas como não posso...estarei com a tua postura e JAMAIS BAIXAREI OS BRAÇOS E DE POR A BOCA NO TROMBONE QUANDO ME DEPARO COM COISAS ERRADAS E IMORAIS!!!!

Um abraço e desculpa a extensão!

Afonso Prole disse...

Fatyly: Tem toda a razão no que diz!

Tinha-lhe respondido, no entanto, não sei porquê, a resposta perdeu-se e não aparece aqui.

Assim sendo, e porque levantou questões importantes, responder-lhe-ei com a publicação de um outro artigo relacionado e direccionado para o que referiu.

Entre hoje e amanhã estará, espero eu, publicado.

Cumprimentos e escreva sempre, é para isso que este espaço serve.

Aqui e no facebook, na página do Olhar Direito.

Fatyly disse...

Obrigado Afonso pela paciência que teve em ler o que escrevi porque não sei ser sucinta como muitos e agora vou ali a cima ler com muita atenção:)

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