quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013

Entre o Federalismo de Seguro e o referendo inglês XVI

A Europa está a viver profundas alterações sociais, económicas e políticas. A crise que o euro vive não nos podemos dissociar da conjuntura política que a UE viveu na primeira década do novo século. Sem planeamento político era difícil que a moeda única conseguisse aguentar durante muito tempo. 
Após a crise de austeridade que os países europeus estão a fazer para poder enfrentar novos desafios, é necessário aprofundar o debate político. 

Há muito que se fala em Federalismo Europeu, embora tenha sido o líder da oposição a abordar esse assunto recentemente na capital espanhola. Não sou a favor de uma Europa federal parecida com o que tem os Estados Unidos, no entanto é preciso estreitar os laços políticos e económicas dos diversos países europeus. Não é possível que todos os países mantenham políticas económicas distintas quando estão a viver sob o mesmo tecto monetário. A questão que se prende é o que fazer em termos políticos? Não vejo necessidade de haver um Presidente Europeu, um Parlamento Europeu com poderes constitucionais superiores aos nacionais nem leis europeias. Contudo, é possível reforçar os poderes do Parlamento Europeu para que as suas directivas tenham força jurídica capaz de influenciar as leis nacionais. O problema nos dias de hoje é o facto da maior parte das decisões europeias resultarem de reuniões do Conselho Europeu onde quem manda é a Alemanha e França, sendo por isso natural que os pequenos países como Portugal não tenham expressão nenhuma. No PE os grupos deviam organizar-se em países e não em partidos, contudo mantendo a forma actual, é urgente reforçar a influência europeia. 

No momento em que se fala de Federalismo, David Cameron e os ingleses anunciam a intenção de deixar a UE. Não estou a ver a Inglaterra alinhar na ideia do federalismo, pelo que uma eventual direcção para a ideia de Seguro, dará uma excelente razão para que os ingleses arrepiem caminho, o mesmo sucedendo com a Irlanda. Sem a Inglaterra, a UE reduz a sua influência junto dos Estados Unidos acabando por perder para outros blocos. Além do mais, caso os ingleses votem favoravelmente num futuro referendo, a própria União acabará por desunir politica e socialmente. 

O passo rumo ao federalismo não surtirá os efeitos de maior aproximação política e coesão social. Num continente com diferentes estilos e culturas, não é fácil coabitar na mesma União, pelo que o caminho de fazer os Estados Unidos da Europa não é a solução para os problemas actuais da Europa. 

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