sábado, 23 de fevereiro de 2013

cuidado com os grandolados!

Qualquer um de nós corre o risco de ser abordado pela Grândola Vila Morena. A rápida difusão desta forma de protesto está atingir níveis que não afectam apenas só os membros do governo. A canção irá alastrar-se aos deputados, gestores e outro tipo de personalidades que supostamente mandam neste país. No fundo, todos os capitalistas ou liberais serão alvo do protesto. O que começa não pára rapidamente. Contudo, é melhor cantar a grândola vila morena do que andar à pedrada frente ao Parlamento. 

Será que as grandes manifestações deram lugar a protestos simbólicos mas com peso mediático? Não acho que assim seja, até porque para dia 2 de Março está marcada mais uma grande manifestação anti-troika. Aliás, os organizadores da grandolada são os mesmos que estão por detrás do protesto de hoje a oito dias, pelo que a ira aos Ministros estava a ser há muito preparada. 

Infelizmente em Portugal nada é feito de improviso, pelo que a repercussão tem pouca visibilidade, é de curta duração e não tem nenhum efeito prático. Há 40 anos conseguiu-se acabar com um regime, hoje nem um Ministro sai por força das cantorias populares. É por isso que a esperança na mudança é quase nula e nem evocar cantares revolucionários na AR ajuda ao bailinho. 

A esperança na mudança está naqueles que são eleitos para tal. Nunca o poder esteve ou estará na rua como afirmam muitos intelectuais de esquerda. Esse poder é virtual porque há muito tempo não há mudanças de cadeira por causa de protestos populares, o que em meu entender é mau. Por um lado significa que o poder está todo de um lado e por outro dá razão aos que afirmam que os que gostam de cantar a Grândola normalmente não fazem nada e são activistas a tempo inteiro. Ora, no 25 de Abril o povo qualificado e instruído decidiu que estava na altura de mudar, mas sabia para o que é que ia. Hoje ninguém aponta uma solução porque ela não existe. Ou a que existe não é melhor do que a situação actual. 


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