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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Rethinking the System

O recente relatório com que o FMI nos brindou tem como título "ReThinking the State". Ora, repensar o Estado é o mesmo que o reformular ou refundar, nas palavras do Primeiro-Ministro.

Mais do que repensar o Estado, é necessário mudar o Sistema, a organização da democracia, as instituições, o sistema partidário e eleitoral. Para além da nossa dívida ser muito grande, e de necessitarmos de ajuda para a pagar, o problema agrava-se pelo facto de forma como o sistema está organizado. A nossa dívida é grande porque o nosso sistema está caduco, velho e já não responde aos desafios de hoje. Ainda vivemos fechados neste círculo vicioso, sendo que o funcionamento das nossas estruturas são um bom exemplo disso. O passado é visto como a grande solução para os nossos problemas, por isso é que continuamos sistematicamente a cantar grândola vila morena e a gritar "povo unido jamais será vencido". Isto só mostra como as pessoas não estão preparadas para as mudanças necessárias para o desenvolvimento do país. 

Na minha óptica, a organização dos partidos e o próprio sistema eleitoral são dois aspectos que necessitam de ser alterados. O primeiro senão for repensado pode levar ao surgimento de mais responsáveis pouco qualificados para responderem aos problemas do país. Muitos criticam o actual executivo por ter muitos técnicos e poucos políticos. Durante anos criticámos o facto de ninguém de fora dos partidos fazer parte dos executivos. Não há nenhuma fórmula correcta, no entanto quem vem de fora não faz o seu trabalho a pensar em carreiras políticas. Se o "sistema" continuar a promover o surgimento de pessoas sem credibilidade, este está condenado ao insucesso tornando-se num círculo vicioso, afastando das responsabilidade públicas os mais qualificados. Não entendo como é que a troika neste aspecto não foi mais longe, no entanto como se trata de uma matéria constitucional penso que deveria ser importante começar o debate para que se alcancem soluções. Em meu entender, caso o Governo Passos Coelho consiga atingir uma segunda legislatura deveria focar a sua governação neste ponto. 
É curioso que fala-se muito em "se as coisas estão mal, então que se mudem os políticos". Na minha opinião, o problema não está "nos políticos" mas no sistema que é pouco transparente e credível. E isto tende a piorar se nada for feito. O sistema eleitoral também deveria ser mudado, mas para isso é importante uma revisão constitucional que alterasse o número de deputados. 

Se nada disto for feito, de nada valerá a ajuda da troika, porque os vícios manter-se-ão até que nova ajuda seja requerida.

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