Etiquetas

domingo, 13 de janeiro de 2013

Olhar a Semana - A primeira crise do ano

Bastaram 8 dias para que a primeira crise do ano chegasse. O relatório do FMI sobre os cortes na despesa vem dar ânimo a um ano que já prometia muita incerteza mas emoção para quem gosta de intriga política. No entanto, não podemos deixar de ter em conta que estamos perante uma situação de crise e que cada decisão a tomar terá influência na vida das pessoas. Por cada tinta que se gaste a escrever sobre isto, pode estar uma pessoa a passar fome ou uma empresa a falir, pelo que é necessário bom senso quando se analisa o momento político e social que estamos a viver.

O relatório do FMI veio dividir tudo e todos. O governo aceita as recomendações, a oposição como é natural critica, o CDS continua contra mas não diz na cara do PSD e o Presidente da República continua no seu silêncio a reflectir se deve ou não acalmar o povo pelo facebook. Para confundir ainda mais a situação vem o Presidente do Parlamento Europeu criticar a postura do FMI, ou seja é um alemão a condenar as políticas do Fundo Monetário Internacional. Perante tanto caos só nos resta esperar pelo próximo passo a ser dado. Se cá dentro ainda se admite alguma desordem mas que é facilmente reposta por algumas mensagens, a confusão que se vive lá por fora é preocupante, porque são eles a determinar as reformas mas também quem nos empresta o dinheiro. Se nos estão a emprestar para depois não acertarem nas decisões, o melhor é mesmo deixarem-nos ir à nossa vidinha, que é como quem diz, voltar ao escudo. 

O Governo não consegue falar a uma só voz porque é composto por dois partidos. Um dos partidos diz não aceita as condições, enquanto o outro baixa a cabeça ao FMI. O maior partido da oposição quer eleições antecipadas, mas sabe que vai ter de cumprir com o programa que o próprio assinou e além do mais nunca conseguirá atingir a maioria absoluta porque o povo não quer uma política absolutista e sem que haja debate sobre as reformas a introduzir. Eu não acho que seja o PS o principal entrave à implementação destes cortes, mas é o CDS quem vai ter aqui um papel fundamental. Passos Coelho já disse que iria haver debate sobre a reforma do Estado, no entanto em Berlim não costumam dar ouvidos a ninguém. Paulo Portas e o seu grupo parlamentar têm a responsabilidade de haver crise ou não. Neste momento, o PSD colocou nas mãos do CDS a batata quente de arranjar alternativas às recomendações do FMI. A atitude do PS é deplorável ao recusar-se entrar no debate e pedir de antemão eleições antecipadas mesmo estando em permanente conflito interno. António José Seguro tem aqui uma excelente oportunidade para mostrar fair play e que está realmente interessado em resolver os problemas no país e não em receber o poder nas mãos sem ter feito nada para o merecer, até porque nestas condições não há Primeiro-Ministro que dure mais de 6 meses e assim repete-se o que se passou na Grécia. 

Por tudo isto, é impensável que Cavaco Silva deixe a sua sesta e comece a agir até em termos públicos. O Presidente tem a obrigatoriedade de zelar pelos interesses do país e uma reprimenda pública nunca fez mal a ninguém, antes pelo contrário. Ajuda os partidos a deixar de olhar unicamente para os seus interesses pessoais, porque é disso que se trata. PSD, CDS e PS estão unicamente a pensar nas suas lutas políticas, esquecendo o que é mais importante para o país. Confesso que o PM tem tentado unir as pontas, no entanto é dificil quando na liderança de dois partidos do arco governativo estão Paulo Portas e António José Seguro mais preocupado com a sombra de António Costa do que com os portugueses. 

Ao não haver eleições legislativas antecipadas, porque a acontecer só poderiam ser em 2014, Sinceramente não acredito como é que nos vêem no bom caminho quando cá dentro anda tudo à guerra uns com os outros. 




2 comentários:

Observador disse...

Não tenho pejo em afirmar que tudo é propositado.
Tudo estudado para criar desestabilização, desordem e, porque não, receio do futuro?!

Poderá estar na forja o aparecimento de um 'salvador' que nos fará retroceder no tempo.
Talvez nem fosse mau de todo. O problema é perceber aonde nos levaria a situação.

Como estamos não, obrigado.

Francisco Castelo Branco disse...

há quanto tempo é que esperamos um salvador.

Share Button