domingo, 6 de janeiro de 2013

Olhar a Semana - Modelos iguais

O problema do défice não se coloca só em Portugal e nos outros países que estão sob assistência financeira. Nos Estados Unidos, Barack Obama teve dificuldades em negociar o Orçamento porque também quis um aumento de impostos. Tal como cá também no outro lado do Atlântico a receita é a mesma: aumento dos impostos. No entanto, a solução dos conservadores passa pela redução da despesa. Em Portugal, a oposição também quer o mesmo só que não diz como o fará, isto para além de rejeitar a proposta do governo. Não entendo como é que se quer a redução da despesa, não se apresenta nenhuma solução e o pior do que tudo rejeita-se uma proposta razoável.

Para Barack Obama é inevitável aumentar os impostos. Na minha opinião, o incremento da carga fiscal garante as receitas necessárias para cobrir o tal défice, ao passo que a despesa só tem efeitos a longo prazo e alguns cortes são meramente cirúrgicos.

O que se está a passar na Europa e nos Estados Unidos é revelador que as políticas económicas e financeiras nos dois continentes falharam. Não houve uma visão, um plano sequer que garantisse uma resposta rápida à crise que agora vivemos porque à primeira contrariedade, leia-se falência do Lehman Brother; o sistema ruiu. Ruiu porque não houve regulação, seriedade nas transacções e os próprios Estados viveram de subsídios durante muitos e bons anos. Para mim é estranho que tanto na Europa como nos Estados Unidos não houve um líder que fizesse um stop a estes problemas. Todos não, há uma chanceler que quer definitivamente acabar com isto tudo e chama-se Angela Merkel. Tenho sido crítico da sua política de austeridade cega que tem imposto aos países em dificuldade, no entanto ela parece ser a única que percebeu o problema, e sendo líder do país mais rico da Europa tem a capacidade para inverter esta situação. Merkel quer uma Europa competitiva face aos Estados Unidos mas também à China, no entanto Obama ignora o Velho Continente e preocupa-se exclusivamente com o rival oriental. Será interessante verificar se a China usará a Europa como plataforma para se adiantar definitivamente em relação aos Estados Unidos. Pelo menos os chineses têm apostado em Portugal para abrir as portas da Europa. 

Na minha opinião, o problema europeu e norte-americano prende-se como a forma como se quer equilibrar as contas públicas para assim pensar em exclusivo no crescimento económico, como não se pudesse "fazer" as duas coisas ao mesmo tempo. Aumentar em demasia os impostos tem os efeitos que todos conhecemos económicos que todos conhecemos, pelo que não vale a pena estar sempre a bater na mesma tecla. No entanto, há um certo cansaço psicológico por parte das pessoas. Qual é a razão para estarmos sempre a contribuir para engordar a máquina do Estado de dinheiro quando depois não há um comportamento correcto do Estado?

O modelo económico e social americano e europeu falharam na sua plenitude. Urge recuperar o tempo perdido para que não haja mais "austeridades".


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