quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

NOBRE POVO


Para lá dos aumentos de impostos, dos cortes salariais, dos desempregados e da insustentabilidade do estado social, nos últimos tempos começam a ser notícia realidades que nos escapavam, talvez por preguiça dos jornalistas para quem a desgraça vende mais. Afinal, há centenas de empresas portuguesas que exportam mais de 70% da respectiva produção. São empresas com incorporação de tecnologia e inovação, reconhecidas internacionalmente. Afinal, a agricultura que todos julgávamos perdida, está florescente e a dar cartas. Os melhores vegetais da Europa. A fruta extraordinária que se exporta diariamente para o norte do continente. O vinho absolutamente excelente. O melhor azeite do mundo. O primeiro produtor de cortiça mundial. É uma agricultura nova e tecnologicamente evoluída. Não se trata de românticos projectos de voltar à terra, mas de projectos empresarias de sucesso. Afinal, no turismo temos uma marca fortíssima, feita de sol, variedade paisagística, cultura, boa comida e enorme hospitalidade. Afinal, parece que há imenso ouro por explorar em minas abandonadas, espalhadas um pouco por todo o país. Afinal, começam a aparecer projectos de pesca modernos, explorando o melhor peixe do mundo e com intenção de ocupar a nossa enorme plataforma continental. Afinal, parece que a destruição da frota pesqueira artesanal e o abandono da agricultura medieval, negociada aquando da adesão à UE, pode revelar-se uma vantagem. Afinal, parece que estão a aparecer um conjunto de novos empresários e emprendedores que não se queixam e fazem. Afinal, parece que a saída de jovens qualificados para o estrangeiro pode ser benéfica para criar uma rede internacional que expanda a marca Portugal. Afinal, a crise parece ser uma grande oportunidade de mudança. Portugal tem uma resiliência de nove séculos. Já caímos muitas vezes e sempre nos levantamos. A nossa flexibilidade pode dar-nos uma posição muito mais vantajosa do que outros países que hoje parecem pujantes, mas pela mentalidade e pela dimensão são muito "duros de rins". Afinal, a coisa não está assim tão preta. Só falta que o governo nos deixe em paz.
 
Jorge Pinheiro

1 comentário:

Francisco Castelo Branco disse...

É um excelente texto e que se enquadra perfeitamente na temática "os bons valores vão-se embora enquanto os maus é que ficam, e por isso é que estamos nesta situação".

Infelizmente o mérito ainda não é o principal factor de reconhecimento no nosso país.
Há de ser um dia.

Bom regresso

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