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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Manual da Maldade Política

Podemos definir o que se passa dentro do PS como uma marosca ou sacanice política.
A forma de "sacanear" um líder político é sempre a mesma, não tem segredo e o truque já é mais velho do que as barbas do Pai Natal. 
Normalmente um líder de um partido que vai substituir um ex-PM e tem de estar pelo menos 4 anos na oposição, tem a cama feita desde o primeiro dia em que tomou posse. 

Em primeiro lugar, porque é normal um ex-PM deixar no ar a ideia que vai "andar por aí". O grupo parlamentar foi eleito nas listas escolhidas por esse mesmo líder, pelo que é normal o novo Presidente ou secretário geral não conseguir atrair a confiança de todos os deputados. 
Em segundo lugar, um líder da oposição desgasta-se politicamente muito mais do que o próprio governo. Tendo o governo por norma maioria absoluta, todas as tentativas de destituir o executivo antes do final do mandato cairão em saco roto, especialmente o uso de instrumentos constitucionais que mais não são do que oportunidades para mostrar descontentamento. 
Em terceiro lugar, o líder que substituirá um ex-PM na liderança de um partido é sempre menos carismático, porque vive na sombra dos êxitos do seu antecessor. 
Em quarto e último lugar, o ex-PM e antigo líder do partido controla a máquina partidária, mas também tem o seu número 2 pronto para ser o futuro número 1. 

O que escrevi tem acontecido nos últimos tempos com o PSD e PS quando estão na oposição, embora os sociais-democratas tenham sofrido com 6 anos na oposição por causa da força enorme do antigo PM José Sócrates. Os partidos há muito que funcionam assim e não se prevê mudanças para o futuro. Por causa dos lobbies políticos, nomes como Fernando Nogueira, Luís Marques Mendes, Ferro Rodrigues nunca aguentaram muito tempo na oposição, não conseguindo sequer disputar uma eleição. O mais curioso foi o facto de Marques Mendes ter caído por uma eleição intercalar em Lisboa. 

É por estas razões que o destino de António José Seguro está traçado. Quando no final do ano passado e o príncipio de 2013 se falava em eleições legislativas, hoje só se comenta o acto eleitoral dentro do PS. Tudo porque o aparelho partidário do PS estava à espera da primeira vitória do governo para cair em cima da actual liderança socialista. As situações tornam-se rápidas porque há muito está montado o assalto ao poder no Largo do Rato, da mesma forma que aconteceu no passado na São Caetano à Lapa.

O problema está nas pessoas mas também na forma como os partidos estão organizados, sobretudo os dois maiores. Repare-se que no CDS, BE e PCP não há facções porque estes três partidos são controlados pelos seus líderes e não havendo muitos militantes é muito fácil acalmar as marés. Nos dois partidos de governo a realidade é outra, porque são de poder. Essa é a única razão para que haja movimentos internos à espera da primeira oportunidade eleitoral. Ao contrário do que se esperava, nem o facto de se realizarem directas para eleger o líder acabou com esta promiscuidade e conflito de interesses. 

Duvido que no futuro a realidade seja diferente daquela que foi até hoje. No entanto, mantendo-se esta organização haverá menos interesse pela vida política e muitos tenderão a afastar-se. Não havendo forma de  acabar com o ciclo vicioso, vai ser díficil proceder a alterações. 

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