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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Já imaginou uma casa de fados em Macau?


Na noite de 19 para 20 de Dezembro de 1999, às 24.00 horas, Portugal deixava oficialmente de administrar Macau e nascia a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).
As vozes mais agoirentas imediatamente vaticinaram, com o fim do império, o fim da presença portuguesa em Macau, o repelir dos portugueses e da sua cultura num Macau agora sob administração chinesa.
A ajudar a consolidar este sentimento, uma debandada que se sentiu especialmente nos anos de 1998 e 1999 de quadros portugueses que durante muitos anos tinham trabalhado em Macau.
E a conduta, imediatamente após a transferência de administração, de alguns mandarinetes tontos que não perceberam o que iria ser a RAEM.
O transcorrer do tempo cura estes desvarios, acalma os espíritos mais inquietos e mais irrequietos.
Um tempo que fez aparecer em força o Governo Central a deixar claro o que pretendia para a RAEM, intenções que têm sido frequentemente repetidas, e que tiveram eco e voz a nível local no primeiro Chefe do Executivo Ho Hau Wah (Edmundo Ho).
Filho de Ho Yin, durante anos o elemento de ligação entre as comunidades portuguesa e chinesa, Edmundo Ho desde tenra idade foi convivendo com as duas comunidades e estabelecendo fortes laços de amizade dentro de ambas.
A poeira assentou, a RAEM consolida-se e a comunidade portuguesa, que tinha ficado mais reduzida, tem vindo a expandir-se.
Com a chegada de gente nova, bem preparada em termos académicos, com espírito de aventura, com projectos, com ideias, sem o espírito do colonizador que caracterizou algumas pessoas e algumas épocas em Macau.
Um bom exemplo deste novo empreendorismo pode ser encontrado no Restaurante Porto de Macau.
Cozinha portuguesa, com um toque de modernidade (o dono do restaurante e chef  foi, durante alguns anos, chef  do Four Seasons em Lisboa) no coração da ilha da Taipa.

O mesmo Porto de Macau que, por estes dias, apresenta a fadista Luísa Rocha, a mesma que encarnou a personagem de Ercília Costa no filme "Amália, a Voz do Povo", acompanhada por Guilherme Banza na guitarra portuguesa e Nelson Aleixo na viola.
Um êxito, que poderá prolongar-se para além da data prevista, porque está a ser acolhido com entusiasmo pela clientela do restaurante.
E não, não é só clientela portuguesa.
Nem nada de semelhante.
Ontem mesmo,  via uma reportagem na TDM (Teledifusão de Macau) em que se dava conta de pessoas que vinham propositadamente de Hong Kong para jantar no Porto de Macau e ouvir Luísa Rocha cantar.
Uma excelente iniciativa do Porto de Macau que me leva a perguntar - já tinham imaginado uma casa de fados em Macau?
Por estes dias, esse espaço existe.
No Restaurante Porto de Macau.
A comida é excelente, a música toca a alma.
Dos que a ouvem e dos que a sentem como parte da sua cultura. Mas também dos que, e são muitos, apreciam a cozinha portuguesa e o fado. 

3 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

cultura portuguesa sempre presente em qualquer lado do Mundo.

Pedro Coimbra disse...

Para quem estava a pensar que os tugas iam ser corridos a pontapé, esta aqui um pequeno exemplo do oposto.
E a comida e excelente.
Encontra muita, e variada, cozinha portuguesa em Macau.
Este e dos melhores.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

A mim, o que sinceramente me espanta é que só agora tenha surgido uma casa de fados em Macau, Pedro, porque os asiático até gostam de Fado
Quando eu aí vivia havia uma excelente fadista. ( Isabel Tello Mexia, salvo erro). Lembra-se?

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