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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

INSTANTES


Apaixono-me mais facilmente por palavras do que por pessoas, não sei porquê mas sempre foi assim. Ultimamente tenho andado embeiçada pela palavra “instante”, talvez por sentir que mais do que viver um dia de cada vez, vivo instantes ao longo dos dias. O instante em que encontro alguém na rua que já não via há muito tempo. O instante em que começa a chover e reparo que me esqueci do chapéu-de-chuva algures. O instante em que alguém me diz “gosto de ti”. O instante em que entro no livro que estou a ler e quase deixo de saber quem sou. O instante em que estou a correr e me sinto feliz. Neste preciso instante, estou a escrever e a tomar o pequeno-almoço na mesa da minha cozinha, a olhar para o relvado e as árvores através das portas de vidro, e a ouvir um mocho que ainda não adormeceu.
Guardo instantes na memória que me ajudam a superar instantes que preferia esquecer. Nem sempre é fácil ver-me livre de alguns instantes, mas logo a seguir esbarro com um instante que me ajuda a seguir em frente, para outro instante do dia.

Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. […]”      
Vergílio Ferreira, in: Contra-Corrente IV

Maria Teresa Loureiro 

1 comentário:

Francisco Castelo Branco disse...

Excelente entrada

Todos nós esperamos por esse "instante".

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