segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Dois problemas

O PSD vai jogar forte nas eleições autárquicas. Para evitar levar uma banhada eleitoral que se anuncia, os sociais-democratas apostam tudo na vitória nas Câmaras de Porto e Lisboa. Menezes tem a vitória assegurada no Porto se Rui Moreira não avançar com o apoio do CDS. Caso o empresário consiga o apoio dos centristas, haverá uma divisão à direita que pode muito bem beneficiar o PS, embora o seu candidato seja desconhecido para a maioria dos portugueses, contudo é possível que tenha alguma notoriedade em terras portuenses. 

Em Lisboa Fernando Seara é a grande esperança laranja para reconquistar uma câmara que já não tem desde 2001. Após a troca de Santana por Carmona, o PSD nunca mais venceu em Lisboa. Seara pode ter uma vantagem caso António Costa se decida por candidatar-se à liderança do PS, mas também pode beneficiar desta indecisão do actual Presidente. Uma eventual candidatura a secretário geral só será resolvida lá mais para o verão, no entanto nessa altura poderá ser tarde para Costa anunciar a sua intenção. No entanto, tendo em conta que o "Presidente" leva sempre vantagem não será por aí que poderá perder as eleições. Seara pode aproveitar-se desta "reflexão" para deixar Costa sem possibilidade de resposta, porque uma coisa é responder como candidato a Presidente da Câmara e outra é estando no papel de candidato a secretário geral socialista. Em meu entender, António Costa não pode estar a jogar nos dois tabuleiros, tem que se decidir rapidamente qual é a sua real intenção. Essa dúvida só vai ficar esclarecida no Congresso Socialista.

Muito do futuro deste governo joga-se em Lisboa e Porto. O que acontecer nestas duas Câmaras vai definir muito daquilo que serão os próximos dois anos do governo, em particular se haverá ou não remodelação do governo. 

Estas duas candidaturas levantam um problema. De legalidade e legitimidade. Se a candidatura de Seara for travada pelo tribunal, no Porto não haverá legitimidade para Menezes avançar. Da legalidade tratam os orgãos competentes, no entanto a lei da limitação de mandatos não se aplica aos concelhos vizinhos. Trata-se sim de uma questão de legitimidade. Em primeiro lugar porque dá a entender que tanto Menezes como Seara estiveram em Gaia e Sintra com objectivos mais altos. Condena-se a atitude mas também a possibilidade dada a estes e outros autarcas de poder dar o salto. A ambição local não deve ser igual à que se tem em termos nacionais. Ser Presidente de Câmara deve ser antes de mais uma questão sentimental, histórica e cultural. Não tem nada a ver com a ambição de se tornar líder de um partido com vista a se tornar PM. São realidades completamente diferentes. 

Se a candidatura de Seara for chumbada nos tribunais, politicamente a de Menezes acaba. E nesta altura do campeonato, todos os argumentos políticos para derrubar o governo e os partidos da coligação são válidos. Outra questão que não se entende nestas duas candidaturas é a atitude do CDS. No Porto, os centristas terão um candidato próprio, em Lisboa apoiam em conjunto com o PSD Fernando Seara. Acho que o CDS tem de pensar pela sua cabeça, contudo com os rumores de uma eventual crise na coligação, seria bom passar uma imagem de união e solidariedade. Ao menos que não apoiassem nenhum dos candidatos escolhidos exclusivamente pelo PSD. 

4 comentários:

Observador disse...

Muito do futuro do PSD depende das autárquicas em geral.
Sendo óbvio que Lisboa e Porto são pontos importantes no tabuleiro político, convém não esquecer que a soma do todo (país) determina uma derrota para a equipa laranja.

No Porto, apesar de não estar convencido que Menezes saia vencedor, por ter em consideração a desgraça político-económica que o mesmo fez, e faz, em Gaia, não vejo outro candidato à altura. E o povo é masoquista.
Em Lisboa, Seabra só terá hipóteses se António Costa 'resolver' ser líder do PS antes das autárquicas.
Caso Costa defina claramente a sua decisão de não avançar para o governo, usando como trampolim a liderança socialista, Seara não tem a mínima chance. Nem sozinho nem acompanhado (entenda-se coligado).
A fraqueza de António Seguro poderá ser determinante para fazer avançar alguém mais carismático. Surgirá, inevitavelmente, o nome de António Costa.

Vamos a crises.
Se o CDS der a mão a Rui Moreira, abre uma brecha na coligação governamental. Indesejável antes do fim do mandato.
Moreira que tem, desde logo, vários anti-corpos à direita, sendo que a esquerda não morre de amores por ele.
É, de todo, a possibilidade de Menezes. Que tornará o Porto numa autarquia à beira de um ataque de nervos.

Nomes novos, nesta altura? Nem pensar!

Ansiedade a sul, indefinição a norte, sintomas para continuar a acompanhar atentamente.

Anónimo disse...


Com Moreira ou sem Moreira, o PS, ao contrario do que o Francisco pensa e um bom candidato. E no Porto o Menezes tem muitos anti corpos.
Mesmo sem Moreira, muita gente do PSD/Porto nao vota em Menezes.

Vai ser interessante a luta no Porto.

VL

Francisco Castelo Branco disse...

VL

Seguindo o seu raciocinio, percebo porque se fala tanto na fusão PORTO-GAIA.

Em meu entender, da mesma forma que Gaia serviu de trampolim para o Porto, a Câmara da Invicta vai servir para que Menezes tente ser líder do PSD novamente.

Francisco Castelo Branco disse...

Observador

vai ser interessante observar um novo fenómeno. O facto de dois candidatos laranjas "saltarem" de uma câmara para a outra. Veremos como a população reage a estas candidaturas que mais parecem ser ajustes de contas.

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