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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Conflitos territoriais no sudeste asiático e o papel da ASEAN


É longa a tradição de conflitos territoriais no sudeste asiático.
Legado da História, de conflitos bélicos mal resolvidos, da colonização de vários países da região, de lutas pela dominação deste espaço geográfico e estratégico entre potências europeias e os Estados Unidos.
Esta conflitualidade, sempre presente, sempre latente, assume por vezes contornos mais problemáticos e mais próximos do olhar do cidadão.
Do olhar ao coração, a distância é pequena.
Com a memória de conflitos sangrentos ainda bem presente, com feridas por fechar, é fácil que o coração fale mais alto que a razão e se atinjam pontos de ruptura como os que actualmente conhecemos com as disputas que envolvem a China, o Japão, Taiwan e as Filipinas acerca da soberania de ilhotas ricas em hidrocarbonetos no Mar do Sul da China.
China, Japão e Taiwan reclamam direitos sobre as ilhas a que os chineses chamam Diaoyu e os japoneses Senkaku.
O mesmo se passa com a China e as Filipinas, agora tendo as Huangyan (chinês) e  Panatag Shoal (filipino/tagalog) como cenário.
Se pensarmos que a China, o Japão e as Filipinas fazem parte do fórum ASEAN+3 (ASEAN, China, Japão, Coreia do Sul) poderia estar aqui a resposta para solucionar as disputas territoriais que envolvem estes países.
Até porque, no contexto internacional, Taiwan ficará um pouco isolada nestes conflitos por razões que todos muito bem conhecemos.
Dois problemas se levantam, no entanto:
- O mecanismo ASEAN+3, pese embora as declarações de intenção em sentido contrário, não passa de um mecanismo de cooperação económica;
- Essa falta de peso e densidade políticas, aliada à absoluta incapacidade das nações asiáticas de, de alguma forma, darem a possibilidade a que terceiras entidades se envolvam em conflitos em que são parte, uma vez que, aos seus olhos, tal implica uma inaceitável perda de soberania, levam ao arrastar e ao intensificar destes conflitos.
E a um cenário que agrada à China e que as Filipinas recentemente tentaram inverter ao apelar à intervenção da ONU no conflito.
Esse cenário é o da negociação bilateral, na qual a China claramente leva vantagem pelo peso político e económico crescente que representa à mesa das negociações.
Neste impasse, com provocações constantes da parte de chineses e japoneses e com o crescimento do sentimento anti- sínico no interior das Filipinas, aliado a uma retórica bélica poucas vezes testemunhada nos anos mais recentes, o perigo de conflito é real, existe.
Mitigado, apenas teórico, apenas como cenário, mas real.
Era bom que, para que não se passe da teoria à prática, e face à absoluta irrelevância da ASEAN neste cenário, os líderes políticos das nações envolvidas se lembrassem das palavras sábias acerca da guerra, de todas as guerras - sabemos como começam, ignoramos como e quando terminam.

9 comentários:

São disse...

Para mim, foi interessante o texto na medidad em que as informações nos chegam de alguém muito perto da situação.

Pelo que me oarece existe aí um espécie de União Europeia, que só cuida do aspecto económico e nada se importa com a parte política. De certeza , acabará mal.

Esperemos que tanto aí com aqui, não descambe tudo em conflito sério.

Bom dia.

Francisco Castelo Branco disse...

A Ásia é claramente dominada pela China e Japão não há duvida. São uma espécie de França e Alemanha no oriente. Esperemos que a China nunca tente invadir o Japão, mas isso seria complicado em termos geográficos.

No entanto, a ASEAN é uma organização para a china "dominar" os restantes países. Alías, é curioso que a China ainda tenha domínio sobre Macau, Taiwan e Hong Kong, três países com força populacional e económica aí no Oriente.

A China manda, o Japão é aliado e a Coreia tenta seguir um caminho próprio.

Queria perguntar qual é o papel da Malásia? Parece-me um país interessante. Como é a nível económico, a sua importância e o papel político que tem na região? Já agora deve ser um país bonito em termos de paisagem

Pedro Coimbra disse...

Sao,
O que era afirmado era que a ASEAN iria emular a UE.
Quando se percebia que tal seria impossível.
Simplesmente porque os asiáticos olham para a soberania como algo intocável.
Como e que e possível criar instituições políticas supranacionais, com poder, quando se parte com esta visão?
Poderá haver aprofundamento das relações a nível económico.
Dificilmente a nível político.
Foi este o tema da minha tese de mestrado.

Pedro Coimbra disse...

Francisco,
A ASEAN e mais uma criação americana.
Com a qual a China, o Japão e a Coreia mantém alguns laços de cooperação economica no âmbito desse mecanismo ASEAN + 3.

A Malásia e um pais muito, muito bonito.
Já lá fui varias vezes e sou grande fã.
Um pais de maioria muçulmana, com uma economia vibrante, com uma disciplina rígida, com belezas naturais incríveis.
E, num pulinho, esta em Singapura.
Outro local a visitar.
Também já lá estive varias vezes, inclusivamente a estudar.
Socialmente mais rígida que a Malásia, religiosamente mais tolerante.

FireHead disse...

Quando voltar para Macau terei possibilidades de voltar à Malásia e quiçá conhecer finalmente Malaca. :)

Pedro Coimbra disse...

Malaca também ainda nao conheço, FireHead.
Num fds, com mais um ou dois dias de ferias, da para lá ir.

Francisco Castelo Branco disse...

Gostaria de ir à malásia e a macau também

Pedro Coimbra disse...

Francisco,
Aqui vai uma ideia - uma viagem a Macau.
Daqui para Malaca é um saltinho.
Que tal???

Francisco Castelo Branco disse...

Está prometido.

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