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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Analisando as previsões de The Economist para o ano 2013


No dia 5 de Janeiro, p.p., o insuspeito The Economist deu a conhecer as previsões relativamente ao crescimento  económico para 2013.
Aqui publicadas em quadro de fácil e rápida consulta.
Olhando para as economias que se prevê venham a ter melhor desempenho no corrente ano, fácil é concluir que estamos perante um panorama muito semelhante ao do ano 2012.
Panorama em que temos a China novamente em plano de grande destaque.
Não só porque a economia chinesa se apresenta como uma das mais robustas e com melhores perspectivas de crescimento (7º lugar entre as 10 primeiras) mas também porque, entre as 10 economias que apresentam maior índice de crescimento, cinco estão fortemente dependentes do investimento chinês, como aliás aconteceu em 2012 - Macau, Mongólia, Angola, Timor-Leste e Moçambique.
Macau vive quase exclusivamente do Jogo e das actividades a este associadas.
Jogo, bem como as outras actividades associadas, que são dinamizados em cerca de 90% por visitantes provenientes da China.
O resultado prático da política de visto individual, e do mecanismo das excursões organizadas, que trazem até Macau, um território com menos de 30 kms2, cerca de trinta milhões de visitantes por ano.
Batido e rebatido, o argumento não perde validade - se a China  fechar a torneira, ou a apertar, Macau ou fica com sede ou morre de desidratação.
Se a dependência de Macau do investimento e da política chineses é virtualmente total, nos restantes países mencionados a situação difere muito pouco.
Mongólia (carvão), Angola (petróleo, diamantes), Timor-Leste (petróleo, café, turismo), e Moçambique (gás natural e petróleo), são destinos de fortíssimo investimento, em termos de capital e de recursos humanos, proveniente da China.
Curiosamente, com alguma participação de Macau.
Fórum para a Cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa em plano de destaque, isto no que se refere aos países africanos de expressão portuguesa e a Timor-Leste, obviamente.
No reverso da medalha, uma Europa em profunda depressão, e não é só económica, acompanhada neste indesejado ranking por duas economias sujeitas a severas sanções económicas  e política a nível internacional, subjugadas por regimes políticos totalitários, despóticos, por líderes dementes.
No caso da Síria, uma situação ainda agravada por uma guerra civil sem fim à vista.
Não deixa de ser curioso, e  simultaneamente dramático, que a Europa tenha voltado as costas a África, tenha esquecido a ligação histórica ao continente africano, e que seja agora a China a explorar as imensas riquezas naturais ali existentes.
Isto tudo num cenário em que a economia europeia definha, os mercados europeu e americano estão em profunda recessão.
Uma lição para o futuro, para a necessidade de procurar mercados alternativos, nomeadamente no sudeste asiático e aproveitando as relações já existentes entre a União Europeia e a ASEAN?
Confesso que tenho visto prestar muito pouca atenção a esta zona do globo por parte de uma Europa ensimesmada.
Talvez a gravíssima crise económica que agora se vive represente o  despertar das lideranças europeias para a necessidade supracitada.
Talvez....

6 comentários:

Maria del Carmen Pérez-ABOGADA disse...

Enhorabuena por su blog compañero, me he quedado como seguidora. Me parece un blog bastante interesante y la diferencia de idioma no me impide ver lo interesante y profesional que es. Un saludo

Francisco Castelo Branco disse...

O problema da Europa durante foi ter-se virado unica e exclusivamente para os Estados Unidos. Daí que Angela Merkel queira agora implementar reformas

Pedro Coimbra disse...

Francisco,
Quantas vezes as crises nao são regeneradoras, nao obrigam a procurar novos caminhos?
Esperemos que seja assim com a Europa.
Ainda nao percebi o que esta a ser feito a partir da parceria com a ASEAN.
Um tema que me e particularmente caro porque foi o tema da minha tese de mestrado.
A Europa, com presença histórica no sudeste asiático, também se esta a esquecer desta parte do mundo e nao esta atenta a dinâmica aqui existente?

Francisco Castelo Branco disse...

Pois, mas será que os países europeus querem envolver-se economicamente com países que não têm a mesma cultura democrática que os países ocidentais?

A entrada de Chineses na EDP foi um passo para que a China aposte na Europa. Em meu entender será uma questão de tempo até que os europeus vão bater a Pequim, Xangai, Toquio. Alias o Oriente vê a Europa como uma forte plataforma para ganhar supremacia sobre os Estados Unidos.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Em breve penso analisar essas previsões sobre a perspectiva portuguesa, mas gostei muito da análise que aqui nos traz, Pedro.

Pedro Coimbra disse...

Francisco,
O que é que tem acontecido com os países europeus e a China?
Os arrufos da violação dos direitos humanos não passam de fogo de vista para ganhar pontos no campo da economia.
As ideologias foram ficando para trás, Francisco.
Agora, em cenário de forte crise económica, ainda mais se sente essa realidade.

Carlos,
Eu, até pelo desafio que me foi proposto aqui no blogue, olho a questão mais sob uma perspectiva a Oriente.
Será interessante a observação a Ocidente também.

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