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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Alguém que demita o líder do PS

António José Seguro entrou em 2013 a atacar o PM em todas as frentes, não dando 20 dias para o governo respirar. Tudo por causa das tabelas de IRS que foram conhecidas esta semana que geraram pânico em toda a sociedade portuguesa. Deve ter sido a primeira vez em muitos anos que os portugueses olharam para  a tabela do IRS com relativo interesse. Pelo menos uma vez na vida os portugueses preocupam-se com o IRS.

O candidato a PM que quer menos despesa pública mas sem fazer cortes, vem agora ameaçar com uma moção de censura. Não se sabe bem porquê já que o ano começou mesmo agora e os números só começarão a aparecer lá para Março-Abril. No entanto, o líder do PS não quis esperar pelos primeiros resultados e precipitou-se ao ameaçar censurar o governo. Isto quando no final do ano passado já vinha com o discurso de eleições antecipadas. Seguro está a jogar antecipadamente para provocar uma crise política e o poder lhe caia no colo. A maior barbaridade do actual secretário geral socialista foi ter pedido uma maioria absoluta. Pedir maiorias absolutas é uma característica das lideranças socialistas quando estão na oposição. Como a coligação PSD-CDS não se tem aguentado muito tempo no poder nos últimos anos, há que começar a criar divisões no governo para que este caia. No fundo, os socialistas acham que têm a fórmula mágica e por isso estão constantemente a pedir o braço inteiro. Isto porque os governos de direita nunca hão de conseguir resistir num país ainda fortemente marcado pelos governos de esquerda. 

Seguro não tem neste momento garantida a maioria absoluta, pelo que só conseguirá formar governo se vencer as eleições com a maioria dos votos ou então fazendo parcerias à esquerda, o que na política portuguesa seriam inéditas. Eu não vejo nem quero um PS coligado com BE ou PCP. Ao pedir a maioria absoluta, o líder do PS está a cometer um erro muito grave: condiciona toda e qualquer coligação à sua esquerda, pelo que se não obtiver o pretendido, ou governa sozinho o que nunca será uma solução estável ou terá de procurar aliados à direita que se recusarão de imediato fazer parte de um governo socialista ainda para mais com Seguro à cabeça. Não tendo hoje a garantia que o PS vencerá com maioria absoluta, Seguro não pode estar com esse discurso, a não ser que mais tarde as sondagens lhe venham dar razão, mas só quando isso vier a acontecer é que o líder socialista deveria pronunciar-se sobre o tema. 

Se o líder do PS não tem vitórias categóricas nas eleições internas de Junho e principalmente nas autárquicas, é motivo para o Partido Socialista começar a pensar num novo líder que será muito provavelmente António Costa. O presidente da Câmara de Lisboa vai aproveitando estes deslizes do seu secretário geral, ganhando tempo e espaço para sair da Praça do Município e entrar no Rato quando bem lhe apetecer. Seguro bem pode vencer as autárquicas, mas se essa vitória não for categórica e logo a seguir o governo consiga que Portugal regresse aos mercados a sua liderança acaba de imediato, começando um novo ciclo de contestação não ao governo mas ao secretário-geral.

A demagogia de Seguro não é nova no panorama político nacional. Sempre que o líder de um partido na oposição sente o poder cair nas mãos começa a pedir eleições antecipadas, demissão do governo, que o PR fale e actue, apresentando sempre a famosa moção de censura. Este instrumento só tem utilidade política nos governos de minoria....
Pensava que Seguro era capaz de fazer diferente mas enganei-me. Além do mais há muitas razões para que o pedido do líder socialista caia em Presidência rota. 

Em primeiro lugar é Cavaco Silva que está em Belém e não Jorge Sampaio. Se o actual PR fala pouco não é de esperar que se mexa muito. Por outro lado, Portugal vive uma situação de emergência e ninguém no seu perfeito juízo quer ficar sem governo. Após a saída da troika, a oposição pode argumentar que o esforço foi feito à custa dos mais pobres e assim vencer as eleições em 2015, não coloco essa hipótese de parte. Mas no dia de hoje o que se pretende é estabilidade governativa. Além do mais, o governo vai ganhando pontos apesar da contestação social e algumas previsões pouco acertadas. O dinheiro tem sido sempre aprovado e hoje já podemos falar em regresso aos mercados e ainda nem sequer passou o primeiro mês do ano. O terceiro argumento é que já ninguém acredita que o líder do PS vá fazer diferente daquilo que o actual governo está a executar, porque simplesmente estamos amarrados a um programa da troika. Seguro esquece-se facilmente desse pormenor, mas as pessoas não têm memória curta e sabem quem negociou e assinou em primeiro lugar estas medidas. Pelo facto do povo não ser burro e não ir em cantigas é que a estratégia de Seguro tem os dias contados, no caso de não ter maioria absoluta, sendo que internamente isso vai criar divisões dentro do PS que espera por um líder mais qualificado. 

O secretário geral do PS ganhava muito mais em esperar por 2015, contudo a ânsia pelo poder é algo que ninguém consegue esperar eternamente. Todos menos um, que se chama Passos Coelho. O actual PM e anterior líder do PSD esperou pelo momento certo para ver Sócrates cair. Ajudou o ex-PM no OE e em dois PEC´S, tendo criado a ilusão que tinha o apoio do PSD para a execução das suas políticas. Sócrates abusou e o Coelho disse basta, obrigando o PM a demitir-se e o resto da história já todos a conhecemos. Mas esta precipitação de Seguro tem uma razão: chama-se António Costa. A pressa de mostrar serviço e acabar com a sombra do Presidente da autarquia lisboeta está a levá-lo para o abismo político. Pena que assim seja porque Seguro tem qualidades que muitos dirigentes socialistas jamais um dia virão a ter. Contudo, no Largo do Rato faz-se pressão para que o líder caia na asneira de continuar a fazer disparates.


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