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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Agora é que o governo cai mesmo

As propostas do FMI para a denominada Refundação do Estado e cortar 4 mil milhões de Euros na despesa são ainda piores que o enorme aumento de impostos anunciado por Vítor Gaspar em Outubro último. 
O FMI não faz por menos e quer cortes substanciais nas várias áreas, sobretudo na educação e função pública. A proposta de despedir 50 mil professores se for levada adiante pelo governo determinará o fim do executivo de Passos Coelho. As instâncias internacionais fazem uma estimativa, apresentam um número redondo e o governo cumpre sem fazer perguntas nem procurar soluções. Eu não entendo como ficará a educação se 50 mil professores forem para o olho da rua e não acredito que haja um excesso de funcionários públicos nesta área.

A função pública continua a ser a mais visada nesta proposta do FMI. Cortar nos salários mais baixos, reduzir pessoal, continuar a bater nas pensões e aumentar a idade da reforma. Pela primeira vez em muitos anos ouvimos falar em aumentar a idade da reforma. No entanto, isto só prova que a receita grega está a ser  proposta para vigorar em Portugal. 

É engraçado que tenhamos polícias e militares a mais quando todos os dias ouvimos falar em falta de pessoal nestas duas áreas, em especial na primeira. 

Como disse atrás, estas propostas são bem mais duras do que as que até hoje temos vindo a sofrer, pelo que a austeridade vai continuar apesar de alguns discursos optimistas de mais. No entanto, esta acção do FMI visa sobretudo diminuir o peso do Estado na economia através da redução de pessoal na administração pública. Mais uma vez são os salários, as pensões e os funcionários públicos que são os mais visados, porque só assim se consegue equilibrar as contas do Estado. No entanto, esta é uma matéria sensível no nosso país e que tem levado a diversas discussões bem como a várias acções de protesto nos últimos meses. 

O problema é que os alvos de cortes no próximo pacote são os mesmos que foram mais atingidos no último Orçamento e como se verificou pelas constantes manifestações não teve grande aceitação. 


No entanto, há aqui um dado novo: Nesta proposta quem dá a cara é o FMI e portanto cabe ao governo aceitar as suas recomendações, procurar caminhos alternativos sozinho ou com a ajuda da oposição, ou então desistir. Há uma atitude que Passos Coelho não vai poder ter: é não fazer nada. Quando se falou em "redução da despesa" ninguém imaginava que a violência do pacote era deste tamanho. Perante isto, o governo pode ter os dias contados.

Se seguir as recomendações do FMI, acho que não haverá condições para o governo continuar. Eu acredito no objectivo de Passos Coelho, o problema é que nem a sociedade portuguesa nem a oposição irá aceitar o que está a ser proposto e duvido muito, e após ter lido a entrevista de Cavaco Silva ao Expresso; que o PR também se conforme com o que está a ser pedido. Caso o governo opte por seguir caminhos alternativos em conjunto com o PS poderá sobreviver, no entanto o Partido Socialista tem aqui uma boa razão para rejeitar qualquer acordo que vise destruir o "Estado social". Agindo sozinho, o executivo terá de imaginar muito onde vai encontrar alternativas para estas propostas. Além do mais, o CDS avisou que o OE 2014 tinha de ser diferente. Não estamos perante um novo OE mas o que é pedido pelo FMI é uma brutalidade. 

Passos Coelho está entre a espada do FMI e a parede do povo português, não sabendo muito bem se é no meio que estará a solução. 

Tenho a certeza que Passos Coelho, corajoso como tem sido até agora, irá escolher o caminho definido pelo FMI, mesmo que o CDS esteja contra. No entanto, esta sua bravura para actuar em nome do melhor para Portugal vai-lhe custar o cargo de PM, porque já não há mais argumentos para tantos cortes e austeridade dura. O pior nesta tragédia portuguesa é que os PM´s entram e saem e o FMI continua de cara bem lavada, apesar do falhanço que foi a Grécia. Aplicar estas medidas de uma assentada em Portugal é não conhecer a história do país nem a sua sociedade. Contudo, isso não importa para quem nunca deve ter colocado os pés no nosso país. 

A instabilidade social e a revolta vai ser tão grande que dificilmente o Governo conseguirá manter a sua coesão e unidade. 

4 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Coesão e unidade que já estavam abaladas e que já estão sob fogo cerrado do CDS.
Também acredito que, a ser implementado este pacote de medidas, será o estertor político do actual governo.
A minha pergunta é sempre mesma - e depois? Quem se segue? Fará o quê se o verdadeiro poder está há muito fora de Portugal?

Francisco Castelo Branco disse...

Não haverá mudanças, pelo menos de política. Assim sendo a instabilidade manter-se-à .

Cabe ao governo arranjar as melhores alternativas a estas imposições do FMI

Observador disse...

Uma mudança vai suceder dentro em breve mas não por razões políticas.
Assunção Cristas deverá abandonar o governo.
Motivo: está grávida.

Os desentendimentos que se vão acentuando causam mau estar e dão má imagem do governo, para o exterior (entenda-se povo).

Francisco Castelo Branco disse...

Este governo é uma descoordenação total. Já fala num nome para substituir Relvas: Morais Sarmento

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