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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A liberdade está a passar por aqui?


Sérgio Godinho deu-nos a conhecer o refrão que dá título ao post.
Um refrão que podia ser cantado actualmente em Cantão pelos jornalistas do jornal Nanfang Zhoumo (Semanário do Sul), e pelos outros grevistas, em protesto contra o facto de o editorial de Ano Novo ter sido alterado pelos responsáveis pela propaganda oficial.
Uma greve na China, por muito que nos deixe surpreendidos, já não vai sendo novidade.
Ciclicamente, e ainda que o regime os tente abafar, sucedem-se os protestos no "país do meio".
Consequência inevitável e natural da ânsia por maior liberdade que sempre acompanha o progresso económico, a maior abertura, o maior contacto com outros povos e culturas.
Ainda assim, ver o corpo editorial de um jornal contestar abertamente as políticas censórias praticadas pelo regime chinês, exigir na rua a demissão do responsável pela política de propaganda em Guangdong, é algo a que não se assistia há muito (vinte anos) na República Popular.
O Nanfang Zhoumo é conhecido por praticar um jornalismo de investigação de qualidade e por frequentemente testar os limites tolerados pelo regime chinês.
Nada melhor que uma mudança na liderança do PCC, aliada à entrada num novo ano, para dar vazão a esse sentimento de repressão que tem de ser removida ou, pelo menos, aliviada.
Em Cantão, uma das cidades e uma das províncias (Guangdong) mais dinâmicas e mais ricas da República Popular da China, tendo como protagonistas os jornalistas de uma publicação local, um dos maiores receios do regime político chinês toma corpo - a contestação aberta, o enfrentar dos receios, a exigência de uma voz mais livre, em última análise, a quebra da tão propalada harmonia.
O movimento alastra, activistas pró-democracia juntam-se aos grevistas, e o editorial de Ano Novo do Nanfang Zhoumo, alterado por Tuo Zhen, o chefe da propaganda da província de Guangdong, poderá ser o rastilho para um movimento de maior amplitude que bem poderia ter por mote "a liberdade está a passar por aqui".

Aproveito para desejar a todos os colaboradores e leitores do blogue um Feliz Ano Novo!!

4 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Muito obrigado.
Feliz ano novo também para esses lados.

Já agora como é que é a vida da imprensa estrangeira e dos próprios estrangeiros?

Também estão condicionados na sua liberdade?

Pedro Coimbra disse...

Feliz Ano Novo, Francisco.

Felizmente, a imprensa em língua portuguesa e em língua inglesa e totalmente livre.
Jornais, radio, televisão, revistas, nao sofrem qualquer interferência.
E, nalguns casos até são bastante incómodos.
Uma mais valia que algumas pessoas percebem.
Os lambe-botas, ou lambe outra coisa, lambem quem esta momentaneamente no poder.
Nao são ninguém em que se possa confiar ou a quem se possa recorrer para ter uma opinião livre.
Vai-se percebendo isso por aqui.

FireHead disse...

Os chineses ainda não se lembraram de controlar os meios de comunicação em português e em inglês...

Pedro Coimbra disse...

Não acredito que isso venha a acontecer, FireHead.
Que mal lhes fazem os meios de comunicação social em português e inglês?
Pelo contrário, até ajudam porque dizem verdades.
Os outros só dizem os que o governo já sabe.
O Edmundo Ho chegou a admitir isso.

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