domingo, 30 de setembro de 2012

Olhar a Semana - o povo é sereno?

As recentes manifestações em Espanha e Grécia deixam-nos todos a pensar se aquilo vai acontecer em Portugal. 
Com o avolumar das dificuldades e a crescente contestação, a situação portuguesa pode muito bem equiparar-se à Grécia. Contudo, nem os portugueses são violentos nem a situação nacional se pode assemelhar a cada um dos países.

Na Grécia as contas foram alteradas e em Espanha os bancos geriram mal os dinheiros. Apesar de tudo em Portugal ainda há uma réstia de esperança, embora que ténue. Ao contrário de gregos e espanhóis, os portugueses são responsáveis e estão a enfrentar a crise com enorme civismo e sentido de responsabilidade. No fundo, sabem que há uma enorme necessidade de cortar.

É visível que a contestação em Portugal está a aumentar e o sentimento anti-troika é cada vez mais generalizado. É possível que a onda aumente, mas o espirito mantenha-se.

Outro facto importante é a vontade política. Quer do governo, parceiros sociais e oposição. No campo político, a intervenção do PR foi importante para manter a calma popular. Também foi importante a reunião de concertação social realizada esta semana, visto que permitiu juntar todos os intervenientes rumo a um consenso. Pelo menos todas as partes apresentaram propostas. É já um sinal positivo.

Vemos as imagens do nosso país vizinho e questionamos até quando durará a dita paz social. Não se prevê uma invasão ao Parlamento visto que dificilmente alguém consegue chegar lá acima. No entanto, com a greve e a aprovação do OE prevêem-se mais manifestações.

Espera-se é que o povo seja sereno....

sábado, 29 de setembro de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Trair ou não, eis a questão XLVI

(...)

Continuaram os dois na conversa. A ideia era muito simples: matar Salmonisco. E a verdade é que estavam os dois sintonizados neste ataque. Se o líder os Salmonix estivesse frente a frente com Catum, nome do leão, então não havia hipotese nenhuma, contudo Salmonisco era um nome respeitado os entre animais de grande força física e intelectual. Só de ouvir o nome ficavam logo em sentido, que o diga o chefe dos Ursosami.

Salmolipe há muito que estava com vontade para matar Salmonisco, até porque ainda havia uma questão sentimental pelo meio, que se chamava Salmodiana. 
Esta uma oportunidade unica, no entanto se a comunidade percebesse que Salmolipe estaria envolvido em tamanha barbaridade, de certeza que o não elegeriam para líder dos Salmonix. Além do mais, uma eventual morte prematura do seu líder, seria imediatamente ligado ao Salmão mais rebelde que a história já tinha conhecido.
Apesar da vontade, Salmolipe tinha de pesar os prós e contras.

Bandeira de França

A bandeira nacional de França é mais conhecida por Tricolor  é um dos principais símbolos da Revolução Francesa. 


O Azul representa o poder legislativo.

O branco o poder executivo.

O vermelho o povo. 

Cada cor representa um poder diferente. 

Por ter sido um símbolo da Revolução francesa, o tricolor é também um emblema da Revolução francesa, há quem diga que cada cor representa os ideiais  "liberdade,fraternidade e igualdade". 

15.2 - Revoltas Liberais e as Cortes Gerais

As revoluções liberais foram um conjunto de mutações politicas e sociais que no plano ideológico representaram o fim das estruturas do Antigo Regime. 
Associado ao liberalismo está a ideia de progresso baseado na liberdade do indivíduo ou da comunidade contra a autoridade absoluta. Esta poderia ser do rei ou do poder eclesiástico. Os liberais lutavam contra toda e qualquer forma de absolutismo, pelo que o seu principal objectivo era a liberdade individual e colectiva. 

Assentavam no primado da Razão contra a Tradição e eram contra os privilégios de classe. Os principais "pensadores" do liberalismo foram Montesquieu e Rousseau. 

São as revoluções nos Estados Unidos e em França que abrem caminho ao liberalismo um pouco por toda a Europa. 


As cortes gerais e extraordinárias da Nação Portuguesa são também conhecidas como as cortes constituintes  de 1820. Foi o primeiro parlamento português 
Criado na sequência da Revolução Liberal do Porto para elaborar uma constituição para Portugal, os trabalhos decorreram entre 24 de Janeiro de 1821 e 4 de Novembro de 1822 no Palácio das Necessidades em Lisboa.
Este trabalho culminou com a aprovação da Constituição Portuguesa de 1822.

A entrada em vigor desta consituição foi o culminar e implementação da Revolução Liberal no nosso país....

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Acordo? XLV

(.....)

Salmolipe estava confuso e com medo. 
Contudo, foi apanhado de surpresa quando o leão Marinho se virou para ele e disse:

-Calma meu amigo, não te vou comer....pelo menos se não me deres uma informação muito preciosa. Em troca disso dir-te-ei para onde levaram a tua amiga.

- Tu sabes onde está Salmodiana?

- Sei sim. Os Hokoi levam os seus prisioneiros sempre para a sua zona. De quando em vez eles fazem capturas, em troca de algo mais. Desta vez levaram a tua amada foi?

- Bem não se pode dizer que seja uma amada. Mas apenas e só uma amiga especial. Onde ela está?

- Não te posso dizer por enquanto. Se me guiares até Salmonisco, eu levo-te até a tua amiga......- afirmou o leão marinho.

- É essa a troca? Porque razão queres que te leve a Salmonisco? - perguntou Salmolipe

- Essa é uma história muito antiga. Explicar-te-ei durante o caminho. Era um prazer reencontrar o teu lider. - concluiu o leão-marinho.

- Para mim ele não é nenhum líder. Não passa de um falso líder e arrogante que usou meios ilegais para alcançar o topo. Quem devia estar naquele lugar era eu. - disse Salmolipe.

- Vejo que também tens um ódiozinho por esse Salmão de meia tigela. Assim sendo, podiamo-nos juntar os dois e dar cabo dele...... 

- É dificil. Ele tem muitos salmões à volta dele que o protegem. Nem mesmo os Ursosami conseguem-no derrotar. Já passou pela cascata uma dezena de vezes e nunca foi comido.

- Eu sei. Eu tenho forma de acabar com aquele salmãozinho.........

(Continua dia 29....)


Ideias Politicas : Disciplina de Voto IX

Terminámos a nossa ultima análise com a questão de saber se os deputados devem seguir a disciplina de voto imposto pelos partidos políticos nas votações realizadas na Assembleia da Republica. No entanto, também nas reuniões das Comissões Políticas e nos Conselhos Nacionais, apesar do debate existente, é imposto uma orientação final.

Manda a tradição partidária que exista uma disciplina de voto. Normalmente as posições assumidas pelos partidos em sede parlamentar são decididos pelo respectivo líder. Acontece que é realizado um debate em torno da questão mas é apenas isso. O líder é quem decide e o resto não passa de debate político. 

Estando integrado num partido é óbvio que qualquer deputado tem de respeitar a vontade soberana de quem tem o poder para decidir. É difícil imaginar que um deputado do partido Z vota a favor e outro deputado do mesmo partido é contra a proposta. Isso iria criar um mau estar no seio do próprio partido mas a sociedade não iria compreender como é que fazendo parte da mesma "equipa", os deputados têm posições diferentes. Internamente há muitas divergências, mas externamente há que mostrar união e solidariedade, até porque é a imagem do partido que está em causa. Quem "dá a cara" é o partido e não os seus deputados. Portanto, seria difícil num sistema como o nosso, a frase "cada cabeça sua sentença" funcionar na sua plenitude. 
Todavia há questões que são sensíveis a essa liberdade de voto. Recordemos o caso do aborto e muito provavelmente a futura questão da eutanásia. 

O problema é que a disciplina de voto tem o condão de criar divisões internas no partido mesmo que elas não sejam visíveis. Normalmente em cada grupo parlamentar há os "desalinhados". São aqueles que não concordam com as orientações vindas de cima, mas que têm de aceitar essas ordens. Para mostrar o seu desagrado sentam-se todos juntos e com cara de poucos amigos na hora da votação.

Não faz sentido lutar contra a disciplina de voto nem tentar soluções individuais quando o que está em causa são decisões colectivas. Ora, nos grupos é a maioria que vence. No entanto, esta pode e é contrariada pela cabeça do líder. 



A democracia não funciona sem os partidos logo estes têm de ter regras. A disciplina de voto é uma das mais importantes....

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Agora já sabemos

Que foi por causa disto...........



..........que Mário Soares saiu mais cedo daqui

Mexer nos interesses dá nisto

Todos pediram que o Governo reduzisse a despesa do Estado, isto para angariar mais dinheiro de forma a combater o défice. Não se pode combater o défice só pelo lado da receita, pelo que é essencial cortar despesas mas não à custa dos salários.

O Governo decidiu extinguir algumas fundações e cortar o apoio a outras. Tal como acontece nos institutos vai haver um apoio reduzido a fundações que dependem do financiamento do Estado.
Este parece ser o designio nacional e uma vontade há muito pretendida pela generalidade da classe política e não só.

Contudo, após o anuncio do governo vieram logo as vozes contra. Sobretudo vozes que naturalmente vão sair prejudicadas com esta redução da despesa. São os casos da Madeira e de Gaia.

Em Gaia existe uma fundação para fazer a gestão de um aquário.....
Claro que o Governo não pode extinguir porque a decisão é da autarquia.....Ora um aquário é o tal serviço publico que muitos falam.

Na Madeira, a Fundação Madeira Classic promove a musica clássica e a cultura.......
Tal como em Gaia, nem por cima do cadáver de Alberto João esta fundação vai ser extinta.....

Também convêm não mexer na Fundação para a Protecção e Gestão das Salinas do Samouco, um importante património da humanidade......

No entanto, a mais importante de todas foi aquela que conduziu à criação do famoso portátil Magalhães, essa invenção do governo socialista.

Para finalizar, não se percebe porque razão as Câmaras de Cascais e Lisboa continuam a gerir e a comparticipar as fundações de Paula Rego e Mário Soares..........

Neste país, quando se começa a mexer e a alterar interesses, os velhos do restelo saltam imediatamente cá para fora, nomeadamente quando as modificações atingem aqueles que durante anos foram beneficiados de uma forma escandalosa com a atribuição de subsídios para tudo e mais alguma coisa. Finalmente apareceu alguém que teve a coragem de acabar com os interesses instalados. E o PS que está nunca fez nada para alterar isto, vem agora criticar o governo por se estar a reduzir a despesa do Estado. Não era isto que eles queriam? Ou é por causa do Mário Soares?

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Nos bastidores do Conselho de Estado

O ultimo Conselho de Estado que aboliu a ideia do governo de alterar a Taxa Social Unica decorreu com enorme secretismo, isto para além de ter durado 8 horas.

Ninguém soube o que se passou durante as oito horas, no entanto Olhar Direito revela em primeira mão o que realmente aconteceu naquela sala, que teve de se reforçar devido às manifestações que ocorreram fora do Palácio de Belém, aliás como se bem nota na fotografia as janelas não foram abertas, isto para evitar que algum Conselheiro tivesse uma ideia semelhante á de Mitt Romney.

Fazemos um alerta, pois não será possível reproduzir a parte em que os Conselheiros acabaram por adormecer, devido às explicações de Vitor Gaspar.................
Contudo, depois da sua saída todos acordaram. Aliás, foi por este facto que a reunião demorou tanto tempo.

Segue aquilo que foi possível apurar.

Cavaco Silva - Caros Conselheiros, estamos aqui reunidos para discutir a proposta de alteração e redução da Taxa Social Unica. Desde já, agradecemos a presença do Senhor Ministro Vitor Gaspar que nos vai explicar as directrizes e em que consiste esta medida, face à incapacidade do sr.Primeiro Ministro o ter feito.

Passos Coelho - Mas Senhor Presidente....

António José Seguro - toma lá....

Mário Soares - Isto que acabe depressa porque eu tenho de ir lá para a minha fundação...

Alberto João - eu proponho isenção de impostos para todos os madeirenses.....

Carlos César -  e eu para os Açores....

Passos Coelho - mas tu vais perder as eleições ó César.....

Manuel Alegre - e tu São Bento....

Luis Filipe Menezes - Uns perdem, outros ganham. O Porto é meu carago!

Marques Mendes - Ganda noia!

Gaspar começa a falar......

Entretanto todos começam a dormir na sala, mas mesmo assim o Ministro das Finanças não pára, alegando que tem de adormecer mais 10 milhões de portugueses. Apesar das contestações, só se ouve Gaspar a falar......

Vitor Gaspar  - Estão-me a ouvir? Assim termino a minha exposição sobre a Taxa Social Unica.

Jorge Sampaio foi o primeiro a acordar. Mário Soares levanta-se e diz que prefere a sua caminha. 

Bagão Felix - Ó Menezes tem boleia para o Porto?

António José Seguro - Perante isto, só tenho uma coisa a dizer. Troco o Coelho pelo Soneca. 

Jorge Sampaio - Quem me dera voltar a Belém....

Cavaco Silva - Nem penses. Esta cadeira pertence-me. Quem manda no país sou eu.

Ramalho Eanes - Isso era o que tu querias....

Marques Mendes - Aqui não há ninguém da minha altura, ganda noia.

Cavaco Silva - Então minha querida Manela, não abre a boca?

Manuela Ferreira Leite -  Então o senhor Presidente disse para eu ficar calada. Combinámos que eu falaria primeiro nas televisões e depois o Anibal entrava em cena....

Cavaco Silva - É verdade, esqueci-me desse pequeno pormenor. 

Cavaco Silva - Dou por encerrado esta sessão. Obrigado pela vossa companhia e espero que esta tertulia tenha sido do V.agrado. Só vos queria alertar para terem cuidado ao saírem. É capaz de terem alguma dificuldade, até porque com os cortes, não houve dinheiro para contratar polícia.

a eleição a voar pela janela

O candidato republicano afirmou que as janelas do avião deveriam estar abertas, isto no caso de alguma emergência. 
As declarações de Romney, como não podia deixar de ser tiveram um eco e uma repercussão por todo o mundo. É pena que assim seja, pois o candidato republicano estava a conseguir "empatar tecnicamente" com o actual Presidente. No entanto, estas declarações podem ter estragado tudo.

Até que ponto uma gaffe pode deitar tudo a perder numa eleição?

É óbvio que isso depende do eleitorado, mas as consequências podem ser terríveis, até porque é a imagem do candidato que está em causa. A gravidade da gaffe também é importante. Neste caso, trata-se de uma sugestão ridícula e não de uma ofensa. O problema é que ninguém quer um Presidente que diga parvoíces. Se fosse em Portugal, esta gaffe não teria qualquer influência no sentido de voto, até porque estas piadas divertem o povo. No entanto, nos Estados Unidos já é diferente. Cada frase é analisada ao milimetro e é certo que a popularidade de Romney baixou significativamente. Além do mais, o momento não foi o mais oportuno. Quantos investidores não se arrependeram de ter contribuído para a campanha de Romney depois do candidato ter proferido aquelas palavras?

Hoje em dia, com os profissionais da comunicação que acompanham os candidatos, estas gaffes são cada vez menos recorrentes. O problema é a dimensão que provoca quando se tem de conquistar um eleitorado sensível...

Cabe aos políticos pensaram primeiro antes de, no calor do discurso, proferirem frases que podem deitar o trabalho pela janela fora....


terça-feira, 25 de setembro de 2012

(re) Pensar Portugal

Em resposta ao post do Afonso que defende uma saída do Euro, eu sou completamente a favor da manutenção na moeda unica. 


Sair do Euro significaria o reconhecimento do falhanço das nossas políticas económicas e sociais. Não que as devemos defendê-las acirradamente, mas há uma imagem a nível externo que temos de preservar. Mesmo que a saída seja ordeira, controlada e progressiva, vai deixar marcas para sempre na economia do país.

Apesar das dificuldades, acho que a entrada de Portugal no Euro foi positiva, bem como a criação da moeda unica. As vantagens são mais que as desvantagens, pelo que não vejo necessidade de sair apesar da crise instalada. 
Não se pode construir o futuro sem o euro e voltando ao escudo. A vida está mais cara, os preços subiram, no entanto, as recompensas também são boas. Apesar do desperdício, Portugal ganhou com o Euro. Muitos serviços públicos como hospitais, estradas, escolas etc melhoraram o seu funcionamento devido à entrada de dinheiro europeu. 

Sei que houve muito desperdício, dinheiro mal gastado e outro que desapareceu, mas isso não pode ser atribuído à entrada na moeda unica. Deve-se sim, e como foi bem analisado, às más políticas e ao despesismo muito frequente nos governos socialistas. Note-se que nos ultimos 12 anos, foram quase 9 anos de governação socialista. Isto só poderia ter reflexos catastróficos.

A não saída do Euro não implica que se reveja os parâmetros essenciais desta moeda. Contudo, o aperto vai ser maior com a entrada em vigor do novo tratado orçamental europeu. O problema está mais na política  do que propriamente na moeda. E tanto Portugal como a Grécia têm sofrido bastante com as orientações delineadas.

a bem das finanças e saúde públicas

Está na altura de aqueles que poluem o meio ambiente e a saúde pública pagaram a crise. Com este aumento não temos de viver com o fumo provocado pelo cigarro dos outros. Além do mais, esta medida pode fazer com que muitos deixem de fumar, no entanto o governo ao aumentar o preço do tabaco, quer ao mesmo tempo provocar danos na saúde pública. Ou seja, o Estado tem aqui uma atitude um pouco cobarde. 
"Fumem muito sff", é o que vai começar a estar escrito nos pacotes. 
Como é que o Sindicato dos Fumadores vai reagir a isto? Haverá manifestações dos viciados no tabaco? 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Pensar Portugal



É cada vez mais frequente ouvir analistas, economistas, cronistas e outros por toda a Europa e por todo o Mundo a falar sobre o “quando”, o “como” e o “porquê” de alguns países deverem abandonar a UE.
Entre esses países, estão, obviamente, Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália e até, para alguns, França.


Eu sou, cada vez mais, apologista de uma saída do Euro. Obviamente, uma saída controlada, progressiva, ordenada, com o objectivo de parar o descontrole económico-financeiro que vamos vivendo e de minimizar as consequências que vamos sofrendo por má gestão de grande parte dos Governos portugueses.
No entanto, é muito mais fácil estar para aqui a falar do que depois é o preparar e o fazer!

Desde 2007/2008, quando a chamada “crise mundial” começou – crise imobiliária americana→ crise americana→ crise europeia→ agravamento da crise portuguesa, e por aqui fora – que começaram a surgir as primeiras vozes discordantes em relação à forma como a UE estava a ser gerida e dirigida, em relação à continuidade da UE como organização/comunidade, em relação à continuidade de determinados países na UE, etc.
Ainda assim, no que dizia respeito a ideias sobre o abandono da UE, só se fazia referência a conceitos básicos como os que referi. Ou seja, saída ordeira, controlada, progressiva. Ora, isso de nada serve…

Feliz ou infelizmente, essas ideias evoluíram bastante e passaram a grandes e boas teorias bastante bem organizadas e pensadas.

Roger Bootle é um economista Inglês que ganhou recentemente o prémio “Wolfson Economics Prize” da Capital Economics, uma das maiores empresas do Mundo de consultoria.
Foi, até ao momento, a pessoa que mais e melhor me convenceu que existe uma forma correcta de todo o processo de abandono da UE se fazer. 

Deixo, em anexo, no final do artigo, o “practical guide” que ele escreveu para expor a sua teoria e responder aos tais “quando”, “como” e “porquê”.


Voltando, então, um bocadinho atrás, temos já nos dias de hoje teorias bastante sólidas sobre como se preparar e coordenar uma saída do Euro.
Tal é bastante positivo e deveria ser visto e analisado pelos Governos portugueses por duas razões:
1.  Por uma questão de real alternativa.
A situação portuguesa, não obstante de melhorias a determinados níveis que têm acontecido nos últimos meses e poderão vir a acontecer no futuro, é bastante perigosa e grave. Comentadores portugueses de renome – Medina Carreira, Camilo Lourenço, José Gomes Ferreira, Tiago Guerreiro, entre outros - avisam diariamente para as consequências futuras que ainda iremos sofrer “no matter what”, passo a expressão. Isto, deve-se a péssimas medidas e negociatas feita pelo Governo de José Sócrates, claro está, como PPP’s, que originaram graves consequências, como o enorme agravamento das dívidas pública e privada e dos deficits. Mas também devido à falta de coragem política para tomar, no presente, determinadas medidas e para fazer determinadas reformas em alguns – para não dizer todos - sectores do Estado.

2.  Por uma questão de segurança.
Ainda que os nossos governantes e toda a população sejam contra a saída de Portugal da UE, deveria, na minha opinião, ser criada uma Comissão ou algo que se lhe pareça para, em segredo (obviamente!), analisar, estudar e desenvolver um plano forte e organizado de abandono do Euro. Se assim fosse, e pondo a hipótese de que a UE, mais década menos década se desmorona, teríamos de imediato um Plano A pronto a ser posto em prática, o que não levaria ao caos!

Saindo ou não da UE, temos de saber tirar uma conclusão bastante simples: Portugal não soube viver nem desenvolver-se no seio da UE! Houve fundos mal aproveitados, fundos devolvidos, houve multas pela não utilização de fundos, pela má utilização de fundos, houve dinheiros de fundos que todo o português sabe que foram usados não na Agricultura ou nas Pescas mas em carros novos para quem o recebeu, houve abuso por parte dos Governos em pedir dinheiro à “Europa”, BCE e bancos dos diversos países, entre outros tristes factos que só em Portugal…

Continuo, ainda assim, a acreditar num Portugal sólido e forte, venha quando vier!

Anexo: http://www.policyexchange.org.uk/images/WolfsonPrize/wep%20shortlist%20essay%20-%20roger%20bootle.pdf

Recuar é um acto de humildade

O recuo do governo face à TSU é importante, mesmo que tenha tendo em conta a pressão do Presidente da Republica, dos empresários e também da rua.
Contudo, só um Primeiro-Ministro humilde e com sentido de Estado é que teria uma atitude destas. Não é qualquer um que tendo maioria absoluta recua numa proposta, sabendo interpretar  todo o ruído que se cria à sua volta. 
Outros, como por exemplo, Socrates, nunca recuariam nas suas iniciativas, mesmo quando não tinham instrumentos políticos que lhe garantissem a maioria
Horas antes do Conselho de Estado, Passos Coelho afirmava que o governo estava disposto ao diálogo. Situação que nunca aconteceu com o ex Primeiro-Ministro.
Um PM que tem esta capacidade merece uma segunda oportunidade, porque pior do que errar é persistir no erro.

domingo, 23 de setembro de 2012

Intervenção Presidencial ou mão de deus?


A intervenção Presidencial foi decisiva no recuo de Passos Coelho na questão da TSU. Por muito que tenha sido o governo a tomar a iniciativa, o PM já sabia que iria encontrar uma forte pressão no Conselho de Estado. Não me venham dizer que os Conselheiros estiveram reunidos 8 horas para ouvir o governo a dizer que tinha decidido repensar a medida. Se assim fosse, porque razão Vítor Gaspar foi convidado a explicar a medida? De certeza que não foi lá dar explicações sobre uma coisa morta.

Convêm não esquecer que já antes Manuela Ferreira Leite tinha falado em nome do Presidente, e o próprio Cavaco na manhâ da reunião falou e deu a entender uma necessária alteração na TSU mas também na aplicação das medidas. Cavaco e Passos Coelho estão em campos políticos opostos. Se Cavaco defende a intervenção do BCE, já Passos Coelho é contra. 
O PR forçou Passos a recuar na sua decisão, mesmo que os próprios Conselheiros venham negar essa evidência. 

Ficou esclarecido quem manda neste país? A partir deste momento Cavaco recupera o seu estatuto e chama a si os assuntos mais importantes. Com esta intervenção, a ideia de um governo de iniciativa presidencial ganha força, como também podemos discutir se o regime semi-presidencialista deveria dar lugar ao regime Presidencialista, à semelhança do que acontece em França. 
Perante as influências mas também tendo em conta os exames de popularidade, conclui-se que o PR é uma figura que deveria ter mais poder executivo em vez de contentar-se com o peso político. 

Olhar a Semana - Quando eles saem juntos


O povo manifestou-se pela primeira vez em Belém. Em 38 anos de democracia o PR nunca havia sido incomodado pelos populares.
Na rua ouviam-se palavras de "gatuno", "malandros", "são todos iguais", entre outras palavras. Apesar de ter sido Passos Coelho a lançar a bomba com o anuncio de uma medida tsupida, há muito que o povo esperava o momento certo para sair à rua. Como se viu ontem o problema não é do PSD ou CDS. O sentimento de injustiça abrange todos os partidos e no dia de ontem nem o PR escapou à ira. É que por cada carro que entrava por aquela porta, um enorme coro de assobios se fazia ouvir. E não é crível que Passos Coelho estivesse em todos eles... Independentemente da cor política, do cargo que ocupa ou das ideias que defende, não houve um que escapasse à ira e à revolta. Perante isto, houve a necessidade de todos os Conselheiros saírem juntos, a fim de enfrentarem colectivamente a insatisfação popular. O populismo anti-democrático começa a aumentar e basta uma só medida, uma qualquer injustiça que o povo vai novamente para a rua. Quem ganha com isto são os dois partidos que não têm representação no Conselho de Estado, PCP e BE. Note-se o que aconteceu na Grécia, onde só após dois actos eleitorais se conseguiu formar um governo, no entanto nem estes dois partidos escapam à ira. 


Para acalmar o povo, o PR tem de intervir. A intenção desta reunião foi importante e Cavaco ganhou pontos junto dos portugueses. Primeiro porque conseguiu que a TSU caísse. Em segundo lugar, porque ao terem saído todos juntos do Palácio de Belém, os Conselheiros passam uma imagem de união que é relevante neste momento de confusão social. É crucial que o PS, alguns comentadores que ontem estiveram na qualidade de Conselheiros, e também os ex-Presidentes da Republica sejam os impulsionadores da paz social. Todas as declarações que vierem a ser proferidas, têm de ser num sentido apaziguador e tolerância em relação aos momentos difíceis que vivemos. No fundo, Cavaco Silva responsabilizou cada um dos Conselheiros pela estabilidade social e política que se pretende alcançar. Neste sentido, o PR foi inteligente e soube de uma certa forma acalmar os ânimos. 

É por estas razões que o PR ainda continua a ser uma figura respeitada junto dos portugueses. Ao contrário do resto dos políticos.....

sábado, 22 de setembro de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Cativeiro XLIV

(...)

Salmodiana estava presa em Hokai. Mantida em cativeiro já não havia maneira de ter esperança. Pensava tanto em Salmolipe como em Salmonisco. No entanto, não sabia quem desejava para a salvar. 
Tinha ainda um sentimento em relação a Salmonisco, mas como já não trocavam palavras a algum tempo, não sabia se ele ainda pensava nela. Era provável que não, até porque durante a viagem certamente que haveria tempo para se envolver com outras. Quanto a Salmolipe era outra questão. Podia ser salva por ele, mas se calhar não tinha tanta importância se Salmonisco a libertasse. Contudo, nunca poderia dizer que não a alguém que correu meio mundo para a salvar. E nesse aspecto Salmodiana tinha bom coração. Apreciava este tipo de gestos.


No entanto, a intenção dos captores era outra. Queriam atrair Salmonisco e assim poder derrotá-la, isto na hipotese de ser o lider dos Salmonix a vir libertar Salmodiana. Contudo, quem aparecesse pela frente não iria ter vida fácil. 

Salmolipe estava entre a vida e a morte, só que no preciso instante em que estava quase a ser comido, teve uma pequena surpresa.....

(continua dia 28)

Bandeira da Austrália


Foi em 1823 e 1824 que os comandantes John Nicholson e John Bingle tentaram dar uma bandeira à Austrália. A sua proposta era baseada na Cruz de São Jorge com quatro estrelas para simbolizar o Southern Cross e os pontos cardeais. 

A 1 de Janeiro de 1901, aquando da implementação da federação da Austrália, o governo lançou um concurso para escolher uma nova bandeira australiana, tendo participado cerca de 32000 pessoas, o que equivalia a 1% da população naquela altura. 
No dia 3 de Setembro do mesmo ano, a nova bandeira australiana acenava pela primeira vez.


A bandeira da Austrália uma grande estrela com sete pontas, em baixo da bandeira do reino unido. Tem também um conjunto de cinco estrelas, o Southern Cross.

A estrela maior de sete pontas é conhecida como a Estrela da Federação. Cada uma delas representa os seis estados e os território
do país.

O Cruzeiro do Sul, na metade direita da bandeira retrata a passagem sideral número 13. Este conjunto de estrelas pode ser visto em horários diferentes em todo o país.

Só uma das estrelas possui cinco pontas, enquanto que as restantes têm 7.

No total, as estrelas da bandeira australiana têm 40 pontas.

15.1 - Da Vilafrancada à Abrilada

O descontentamento com o regime liberal em vigor era uma evidência, pelo que reclamava-se em certos sectores da sociedade a restauração do Absolutismo. Perante o chamamento do povo, alguns defensores começaram a reunir-se para retomar o poder. Contudo, os obreiros desta revolução eram duas pessoas: Carlota Joaquina, mulher de D..João VI e o Infante D.Miguel. 

Foi a 27 de Maio de 1823 que D.Miguel partiu para Vila Franca com o intuito de estabelecer guarnição. O infante seguiu com todos os elementos da infantaria, tendo apenas ficado uma com o Rei D.João VI.

Apesar das tentativas absolutistas, o golpe de estado falhou num primeiro momento. D.João VI tem a seu lado homens importantes e que lhe ajudam no confronto com D.Miguel, são eles Mouzinho da Silveira e José Máximo Rangel. O primeiro foi essencial nas negociações com D.Miguel e os rainhistas.

Finalmente chegado a Vila Franca, D.João VI enceta contactos com D.Miguel. O rei faz-se sempre acompanhado dos seus homens de confiança. Após cedências de ambas as partes,  D.João VI nomeia o infante como Chefe do Exército. Embora tenha ganho, D.João VI vai acabar por se arrepender desta decisão e de não ter mandado D.Miguel para o cárcere. 

Com a nova nomeação, D.Miguel vai ganhando cada vez mais influência junto do poder real. Vai-se desdobrando em contactos e colocando homens chave junto do governo. O primeiro sinal de conspiração, surgiu a 26 de Outubro de 1823 quando foi descoberto um projecto de conspiração que tinha como autores D.Carlota Joaquina e D.Miguel. Em 1824, o Marquês de Loulé foi assassinado.


Este conjunto de acontecimentos deu origem à Abrilada. No dia 30 de Abril de 1824, D.Miguel e vários apoiantes dos absolutismo prendem inúmeros liberais no Castelo de São Jorge e no Palácio de Belém.
D.Miguel enviou tropas para o Palácio da Bemposta a fim de "proteger" o seu pai. No entanto, D.João VI não caiu no engodo e rapidamente refugiou-se no navio HMS Windsor Castle. Foi a bordo deste navio que estabeleceu relações diplomáticos de modo a acabar com a revolução.

E foi aí também que em 1824 mandou D.Miguel para o exílio. D.Carlota Joaquina regressou  ao Palácio de Queluz onde foi internada.

(continua dia 29)


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Mudança de atitude XLIII

(...)

Contra todas as expectativas e numa súbita mudança de atitude Matusi ordenou a expulsão dos Salmonix de suas terras. 

- Caros Salmonix ordeno a vossa imediata retirada da nossa rocha.

- O que se passa Matusi? Que foi que nós fizemos?

-Achámos por bem expulsar-vos porque a vossa atitude perante a nossa hospitalidade foi terrível. Achamos que pedir aos Makuzi que sejam mártires numa encruzilhada vossa. A mim parece que não sabem muito bem o que andam a fazer. Este caminho para o Lugar dos Escondidos é terrível. Muitas salmões vão morrer, e pelo que vejo do vosso grupo, muitos já ficaram pelo caminho. Assim, não podemos de maneira alguma sacrificar nenhum dos nossos irmãos para vos ajudar. Considero que a vossa visita não foi com o intuito de reforçar os laços de amizade mas unica e simplesmente com o interesse corporativo.

Salmonisco ficou espantado com estas afirmações. Não sabia o que se passava com Makuzi, pois ele nunca tinha agido assim. A vontade dele era pegar nos seus salmonix e ir embora dali mas não podia deixar que Matusi denegrisse a imagem dos Salmões. Esta situação era muito grave para que ficasse sem qualquer resposta. 

O Conselho dos Makuzi era reunido por peixes de várias cores. Amarelos, encarnados, azuis, castanhos.....sabia-se que o grupo dos amarelos não morria de amores por Salmonisco. Ugukuzi era aquele que neste preciso momento influenciava o seu líder de forma a que este expulsasse os Salmonix o mais rapidamente possível. Isto para que eles não tivessem tempo para respirar, já que aquela zona era uma das mais perigosas do rio.

Na verdade, os Salmonix não tinham qualquer plano....

(continua dia 22)

Gaspar fala, o povo protesta e Cavaco dorme

Desengane-se quem acha que estes protestos são contra o governo A,B,C ou D. Pela primeira vez em 35 anos, o Palácio de Belém é alvo de manifestações. Isto quer dizer, que a insatisfação já não é só com as medidas de austeridade, tem a ver com situação em geral. E o que é a situação geral? É o estado de descridibilidade em que os políticos entraram. 
Apesar dos apelos e de alguns recuos, o povo não se vai deixar enganar, até porque a mensagem é só uma. É aquela que está plasmada na fotografia. Para o povo, todos são gatunos, ninguém é sério, e o pior é que "são todos iguais". 
E não é por acaso que as pequenas manifestações se transformam em grandes movimentos de massas, porque o povo está chateado e com razão. 
Desde Abril que há muito não se ouvia "o povo unido jamais será vencido". 

Caça ao Coelho em Belém

Hoje realiza-se o Conselho de Estado convocado por Cavaco Silva na sequência das medidas de austeridade anunciadas pelo Governo e que levaram a uma transformação neste país. 
Para evitar uma crise na coligação e um mau estar político e social, o PR pediu a Vitor Gaspar que esteja presente para que explique a redução da TSU e a suas implicações.
É raro o PR convocar um Conselho de Estado nesta altura, mas a turbulência social e política assim o exigem....
Vai ser uma reunião excepcional, até porque todos os Conselheiros já se mostraram contra esta medida, pelo que Coelho e Gaspar vão ter que enfrentar os restantes membros e convencê-los que se trata de uma boa medida. Se a arte da retórica não tiver chegado ao cérebro dos Conselheiros, o barulho vai ser maior. A começar pelos partidos da oposição, sindicatos, membros do PSD e comentadores políticos. 
Passos Coelho vai ter de usar um forte argumento para não deixar a TSU ali mesmo. 
É que todos os opositores a esta medida, vão mostrar a sua indignação mal saiam do Palácio de Belém...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Isto é serviço publico?

Eis mais uma vingançazinha por parte da RTP. Curiosamente uma entidade que tem por hábito defender o governo. No entanto, quando se trata de governos laranjas a RTP costuma assumir uma posição radicalmente diferente daquela que tem com os socialistas. 
No entanto, e para evitar a privatização da emrpesa, a RTP lá vai dando alguns pontapés no Coelho. Não se sabe se a Ponte gosta tipo de atitude insulto a quem o nomeou para Presidente desta instituição pública. 
Muito provavelmente, com ou sem privatização, o engenheiro desta brincadeira venha a ser posto Relva(s) fora da RTP. A não ser que se trate de um elemento da Porto Editora. No entanto é certo que vão rolar cabeças, porque quem é apanhado a brincar com o Coelho na Relva acaba por se queimar. 
A atitude do pensador desta brincadeira e de quem deixou emitir isto é reprovável. 

Ideias Políticas VIII : O homem e a sociedade

O homem como ser eminentemente social faz parte de um conjunto.Daí decorrem as relações que vai mantendo e que o fazem crescer, construindo a partir o seu eu interior.
No entanto, antes de fazer parte de uma sociedade, o homem constrói antes de mais a sua própria consciência. Ou seja, alheio a tudo o que está à volta, o mais importante é seguir o seu próprio caminho.

Apesar de em primeiro lugar estar a sua individualidade, o homem tem de obedecer às regras do bem comum. É isso que disciplina a mente do homem. Este é educado desde o inicio da sua vida que tem de cumprir certas regras. As leis são a forma de condicionar o seu crescimento mas também a liberdade que advêm do facto de ser mais novo. Não é por acaso que as crianças quando não têm aquilo que querem começam a chorar. Este comportamento resulta de uma liberdade que existe no inicio da vida. No entanto ela vai nos sendo retirada à medida que crescemos. Não falo só das leis que regem a vida em sociedade, mas também das leis naturais. 

A discussão é saber se o homem deve-se submeter à sociedade em geral, ou se tem condições para criar a sua própria autonomia mental. É da própria sociedade que nascem os costumes, logo o homem tem de se acostumar a essas mesmas regras, sob pena de ser rejeitado por esta. Daqui pode-se concluir que o poder da sociedade no seu todo é mais forte do que a individualidade de um ser humano. Será difícil a alguém criar as suas próprias regras, até porque muitas delas vão em sentido contrário das que já estão impostas há muito tempo. 

No entanto, o homem nunca deve perder a sua capacidade e liberdade de poder escolher, mesmo estando "obrigado" a viver em sociedade. 
Relacionado com este tema, é a situação dos deputados deverem ou não cumprir a disciplina de voto que lhes é imposto pelos grupos parlamentares. Será que o "homem" deve submeter-se à votação do grupo ou seguir a sua própria orientação?



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Prémio Vergonha

Maria Teresa Horta, distinta escritora cá do burgo, foi a vencedora do Prémio D.Dinis. Para entregar o prémio foi escolhido Pedro Passos Coelho, Primeiro-Ministro de Portugal.
Ora, a escritora como é de esquerda e não concorda com o que Passos está a fazer, decidiu recusar receber a distinção das mãos do PM. Se forem outras mãos, a escritora já aceita porque diz ela, "é de esquerda".
Tendências políticas não se discutem, mas a educação ainda é um valor que se deve preservar, especialmente quando está em causa uma distinção. Se Maria Teresa Horta não quer receber o prémio das mãos de Passos, então devia ter vergonha e não aceitar o prémio em ocasião alguma.
O juri do Prémio D.Dinis também não deveria entregar a distinção a Maria Teresa Horta. Para além de notabilizar o talento, os prémios também servem para salientar a personalidade humana. MTH pode ter a primeira, mas revelou que não tem a segunda característica. 


O Governo dos Segredos

Acompanhando a estreia da casa mais famosa do país e de um dos programas mais vistos ao Domingo à noite pela população, excepto quando joga o Benfica, o governo decidiu também lançar o seu próprio programa.
Chama-se Governo dos Segredos e tem como tema principal, quem decidiu a redução do TSU?

Como cá para fora nada sai, foi necessário espreitar para dentro do Conselho de Ministros em que esta medida foi discutida e aprovada. Aprovada não, mas decidida unica e exclusivamente pelo PM ao que parece.

Se dermos uma olhadela ao Conselho vemos os Ministros do CDS altamente preocupados. Para além de estarem contra esta medida, sabem o que vai acontecer quando ela for anunciada. No entanto, para não ficarem colados a esta medida, Mota Soares, Assunção Cristas e Paulo Portas não vão dar a cara, deixando essa responsabilidade para os Ministros do PSD, principalmente Passos Coelho e Vitor Gaspar. 

No entanto não só os ministros centristas a discordarem desta medida, contudo se repararmos em Aguiar Branco nota-se uma certa felicidade. Lembre-se que o actual ministro da defesa foi concorrente directo de Passos em 2010 na corrida à presidência do PSD. A TSU pode ser a morte política de Passos e a ultima esperança de Aguiar Branco.

Nuno Crato está com ar de quem não está por ali, mas a pensar na FENPROF. O Ministro da Educação não quer saber da TSU para nada, pois já tem problemas que chegue....

Em Paulo Macedo não se nota qualquer tipo de sentimento, porque está sempre com aquela cara de enjoado. Já Miguel Macedo expressa a sua surpresa perante o anuncio da medida, porque agora é que não vai ter polícias suficientes para controlar as manifestações. 

Miguel Relvas ficou muito contente com esta medida. Finalmente vão deixar de falar da sua licenciatura e concentrar as atenções apenas e só na TSU. Agora o palhaço do Governo é Gaspar. Está na hora do povo pedir a demissão do Ministro das Finanças. Para o braço direito do PM, este anuncio veio em excelente altura. 

É assim que vai o Governo. Cheio de segredos e com enorme mistério à volta. O anuncio de dia 7 por parte de Passos Coelho trouxe mais incerteza. 

Perante os últimos acontecimentos, as reacções, os sentimentos expressos, quem deve ser o primeiro a abandonar o Governo dos Segredos?

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Paz em Guerra

Não é só de protesto que se fazem as manifestações, embora seja esse o propósito. No entanto, em cada manifestação por esse mundo fora há sempre uma imagem que fica. Esta pertence a Portugal. Terão se inspirado aqui?

A favor ou Contra XII: Medidas de Austeridade

És a FAVOR ou CONTRA as novas medidas de austeridade anunciadas pelo Primeiro-Ministro?

"A Paixão de Cristo"


" A Paixão de Cristo" de Filipa Saragga

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A solução Monti

Depois do caos instalado, é importante fazer algumas reflexões sobre o que se irá passar. Já sabemos que o CDS continuará de mão dada com o PSD no governo, mas atento a cada passo dado por Pedro Passos Coelho. Hoje, mais do que nunca o PM está a ser constantemente vigiado pelo seu parceiro de coligação, bem como pelos portugueses.

Há quem diga que este governo já caiu, embora continue de pé, porque será dificil ao governo recuperar do choque que foi o anuncio de muitas medidas de austeridade em apenas poucos dias. Mais valia terem juntado e fazer apenas uma comunicação, mas é de louvar a coragem do PM em ter querido anunciar a medida mais gravosa sozinho.


Perante o descontentamento, muitos cenários já são colocados em cima da mesa. Está excluída a hipotese de Seguro vir a ser PM, até porque ainda tem de passar pelo teste das autárquicas e embora possa vencê-las, não é certo que fique com Porto e Lisboa. E tendo em conta que 2013 será um ano eleitoral, não será possível ao governo aliviar um pouco o cinto?

Ainda é cedo para falar em derrube de Passos Coelho, até porque o PR também está condicionado pelas politicas de Bruxelas, pelo que não vai cometer nenhuma loucura. Caso a situação perdure, a solução Monti poderá ser a mais viável para o país. Mas isto seria uma solução a longo prazo. No entanto, a adopção de um governo de tecnocratas não eleitos seria muito má acolhido pela população, até porque isso iria contra a grande tradição democrática e de partidos que temos.

Seria complicado ver como PM um banqueiro, um economista, um gestor, ainda que de competência inegável. Concordo com algumas críticas que têm sido feitas a este governo. Os Executivos têm de ser constituídos por políticos e não com muitos técnicos. Por muito que se aplauda a ideia de trazer novas caras para a política, a verdade é que em aspectos como a comunicação, o sentido de Estado, a estratégica...nota-se que ainda estão muito verdes.


Além do mais, a solução Monti poderia criar um vazio enorme, sendo possível o regresso das velhas práticas pouco ortodoxas. Não sei se com isso, Socrates estaria inclinado para voltar ao poder....

Um pobre retrato do nosso país

Ontem assisti ao inicio da terceira edição da Casa dos Segredos. Como curiosidade quis saber o que os concorrentes procuravam ao se terem candidato para uma reality show que é a continuidade do Big Brother. Sem duvida que a primeira edição do Big Brother obteve a curiosidade social de muitos portugueses, na altura era o primeiro reality show a entrar no ar. 
Volvidos quase uma década da sua estreia, os reality shows já não têm o mesmo efeito em termos de audiência. É óbvio que pode ser um bom lançamento para a fama, mas já nem isso os concorrentes conseguem.

Ao conhecer os concorrentes, verifiquei que a maioria deles, para não dizer todos são solteiros. As perguntas efectuadas também iam num sentido: tem namorada? está à espera de conhecer alguém na casa dos segredos? É óbvio que nem todos os candidatos estão naquela situação, mas é uma certeza que a maioria foi escolhido também por essa razão.

No fundo, o que se procura dentro daquela casa não é só fama, mas também um amor que na vida real dificilmente se encontrará. Pelo que se questiona a verdadeira personalidade de alguns concorrentes. Muitos como não conseguem ser felizes cá fora, procuram a sorte dentro da casa. É impressionante como a televisão tem este poder de transformar a vida de uma pessoa. Não só em termos financeiras mas também no que toca a sentimentos. O Grande Irmão já manda nos sentimentos das pessoas?

Quanto ao resto, o que se passa naquela casa não é mais do que o retrato do país. Muito do que por ali se discute, também é motivo de conversa nos locais de trabalho, nas conversas de café. 

Enfim,o que estes programas querem mostrar é a cultura de alguma parte da população. Ou falta dela. As intrigas, o dizer mal, as pessoas que usam máscara mas sobretudo o nível das conversas, revela bem a falta de valores, princípios e egocentrismo com que a nossa sociedade se tem transformado.


domingo, 16 de setembro de 2012

O terceiro elemento

O país esperava o que Paulo Portas iria dizer sobre a situação actual do país. O lider do CDS conseguiu de uma forma inteligente captar a atenção do país ao ser o ultimo a falar sobre a crise política que rebentou há dez dias, após o anuncio da redução da TSU.
Primeiro falou Passos Coelho, Seguro falou tarde demais, cabendo ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, na qualidade de Presidente do CDS a decisão sobre o futuro deste governo. No fundo, cabe-lhe a ele o ónus de suportar esta maioria. 
Ao contrário do que aconteceu nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, Portas e o CDS não vão vender o seu apoio a qualquer preço, até porque o PP está nesta coligação com mais força do que tinha há 8 anos. O caso Nobre, que marcou o inicio desta governação foi um exemplo disso mesmo.
Acontece que Portas está na posição que sempre quis. Ou seja, estar com um pé fora do país, mas com o outro bem dentro.....
O CDS não quer criar uma crise política, mas serão as suas decisões a determinar o futuro desta coligação. 
Para já, o terceiro elemento desta novela política e talvez o mais importante, coloca-se à margem destas medidas, deixando Passos Coelho e o Ministro das Finanças completamente sós. É assim que o líder do CDS vai ganhando força no panorama político nacional bem como junto do Presidente da Republica e especialmente na opinião pública, que não já suporta Passos Coelho mas que não confia em António José Seguro. 

Olhar a Semana - É Seguro que os Passos a dar são estes?


A semana que agora termina foi sem dúvida uma das mais complicadas que o nosso país já passou. O filme já foi visto, mas os contornos agravam-se a cada novo anúncio de mais austeridade. O descontentamento alarga-se aos vários sectores da sociedade portuguesa e já nem a dança de cadeiras no poder altera o estado de coisas. De 2010 para cá, temos vindo a sofrer com austeridade. Primeiro para evitar a vinda do FMI, agora para que ele não se vá embora e nos deixe sozinhos.
É óbvio que a contestação tem um rosto, mas seja um Coelho, uma Gaivota, um Capucho, um Ferro ou um Costa, a musica é a mesma.
A musica chama-se Angela Merkel e o novo modelo económico que está a ser implementado na Europa, que se tende a agravar no inicio do próximo ano quando o Tratado de Consolidação Orçamental entrar em vigor. Aí o sofrimento vai a ser dobrar para os países em dificuldades, mas os grandes países que não se enganem, porque a crise também lhes vai cair no colo. O futuro será sorridente para uns mas para outros não, no entanto o aperto vai atingir todos.


Os acontecimentos políticos e sociais desta semana ocorreram à velocidade da luz, não dando tempo engolir o sapo que nos vão impondo. Entre anúncios de novas medidas, de resultados de avaliações, passando pelas entrevistas de todos os intervenientes nesta crise, acabando com uma das manifestações mais concorridas de que Portugal teve memória depois do 25 de Abril.


No campo político, dificilmente haverá alternativa ao caminho que nos está a ser imposto, apesar da folga em termos de tempo para cumprir o programa de ajustamento, por isso os berros da oposição são inúteis já que o nosso destino nos próximos anos é este. Não vale a pena fazer grandes discursos e campanhas contra o chumbo do OE, porque se isso acontecer a situação ficará pior. No fundo, andamos a pagar pelos erros cometidos durante largos. Estamos a sofrer por causa das Auto Estradas, Expo 98, os Estádios do Euro 2004, as Scuts e as PPP. Andámos a brincar com o dinheiro que nos emprestavam e agora a dor vai ser a dobrar.
A única solução é mesmo um governo que envolva os três maiores partidos portugueses, para que sob a direcção e orientação de um Presidente da Republica consigamos alcançar o consenso político e garantir a estabilidade social. Até porque se formos para eleições, o mais provável é que aconteça o mesmo efeito que os gregos tiveram, isto é, a possibilidade de nenhum partido obter maioria absoluta não sendo possível formar governo.
Perante este cenário, temos de esperar pelas mudanças que a Europa terá de fazer.


Beco sem saída?

Vivemos semanas complicadas - ou ainda mais complicadas - na esfera política portuguesa.

Desde o anúncio das últimas medidas de austeridade que, todos concordamos, não fazem sentido nem trarão boas consequências para Portugal, a população portuguesa revoltou-se, bateu o pé e disse basta!

Realmente, basta! Mas basta do quê? Basta deste Governo ou basta deste tipo de medidas sem grande nexo?

Antes de entrar neste tema e de responder às perguntas que coloquei, dizer apenas que a manifestação de ontem foi, sem grandes dúvidas, e apesar de não ser adepto de manifestações e muito menos de greves, a confirmação de que grande parte do país está realmente cansado e farto de anos e anos de medidas mal medidas, passo a redundância, e de falta de coragem para tomar outras urgentemente necessárias. Não foi só mais uma manifestação por parte da extrema-esquerda e de uns quantos da extrema-direita. Não foi só mais uma manifestação organizada e praticada por sindicatos. Não foi só mais uma manifestação praticada pelos trabalhadores da empresa A ou B. Foi, isso sim, uma manifestação que albergou pessoas de todos os extractos sociais, de todas as idades e de todas as ideologias políticos. E este último é talvez o ponto mais importante pois as manifestações costumam – e bem, na minha opinião – estar conotadas aos partidos da esquerda e extrema-esquerda. Ora, tal não aconteceu desta vez. As entrevistas de rua foram prova disso mesmo.


Mas passemos ao tema que me trouxe aqui: Basta do quê? Basta deste Governo ou basta deste tipo de medidas sem grande nexo?

Pois bem, na minha modéstia opinião, podemos estar deparados com um beco sem (grande) saída!

O Governo está sob fogo cerrado, é um facto. Há muito por onde atacar e, neste momento, já ninguém se lembra das medidas positivas que foram e têm sido lançadas nos últimos tempos em várias áreas como a Educação e a Segurança Social. As medidas tomadas nas áreas das Finanças e Economia são discutíveis, é claro, mas é um facto também de que as primeiras medidas tomadas surtiram alguns efeitos muito positivos. Exemplo disso é a descida a pique dos juros da dívida pública a 10, 5 e 2 anos. Estes últimos dois chegaram a descer abaixo dos níveis que tínhamos antes de pedir ajuda externa. 

No entanto, o Governo tem falhado em aspectos chave aos quais não poderia nunca ter fugido mas aos quais irá sempre fugir. E na minha maneira de ver as coisas, a razão é muito simples: Lóbis e interesses próprios falam mais alto!!!

Assuntos como as PPP’s, como as despesas do Governo e da AR, como as despesas dos negócios de leasing para os carros dos vários ministros – bem como a alta qualidade dos mesmos – como o negócio das fundações e como muitas outras pequenas coisas que aos olhos de um simples cidadão fariam diferença caso fossem mudadas, não sofreram qualquer alteração! 

Agora dizem-me: Mas não seriam essas medidas que iriam resolver o nosso problema de dívida pública nem pôr-nos de volta nos mercados.

Pois bem, em termos orçamentais não faria grande diferença, é certo. Mas o objectivo não seria esse, também. Estas medidas teriam como finalidade a satisfação do simples cidadão. Fazendo um pequeno parêntesis, temos de ter noção, e isso foi visível nos primeiros tempos de governação deste Governo até, que o português não se importa de sofrer durante algum tempo – somos uma Nação habituada a isso – se o futuro trouxer benesses e se virem que estão perante gente honesta. Ora, medidas destas deixariam e dariam grande margem de manobra a qualquer Governo para, depois disto, poder tomar algumas medidas de austeridade mais fortes. No final de contas, é só uma questão de bom senso. 
 Salazar em 1928 cortou 25% do seu salario para dar o exemplo à sua Nação de que não seria só o povo a sofrer com a grave crise que atravessavam. Um perfeito exemplo!

Estamos então perante uma balança com boas e más decisões onde, na minha opinião, o prato das más decisões – ou falta delas – está bem mais pesado!




Apesar de tudo isto, não podemos simplesmente gritar basta e pedir um novo Governo. Temos de pensar nas consequências de tal acontecer e, só de pensar nisso, dá-me arrepios!

A suposta solução e a única alternativa a este Governo será um Governo liderado pelo PS. Ora, nem o PS, pelas suas ideologias, trará nada de bom nem António José Seguro é um bom líder.

Não nos podemos esquecer de uma coisa: Caso tudo isto se tratasse de uma história de terror, ela não teria sequer começado a ser escrita se não tivessem sido os dois mandatos do PS e do Sr. José Sócrates!

Dito isto, não me parece que colocar de novo o PS na ribalta - apesar de PS e PSD saltitarem constantemente de Governo em Governo - resolvesse os nossos problemas actuais e futuros. E mesmo que o PS pudesse ser uma alternativa, teríamos o problema de António José Seguro!

Tenho-o ouvido nos últimos tempos e a sua demagogia, para além de causar risada e assustar qualquer um de tão pouco inteligente que é, causa arrepios por fazer lembrar outro José, o Sócrates.

Mais, António José Seguro, seguindo a linha do PCP e do BE, cai no erro – vou acreditar que é um erro – de apenas se dar ao trabalho de criticar! Então, quer ser Primeiro-ministro e só critica? E alternativas? E medidas concretas? (daquelas que podem realmente ser implementadas, não aquelas que o socialismo pensa que podem ser implementadas.) Pois, não se vê….




Uma coisa é certa: Algo estará para acontecer e, pelo que vejo e prevejo, o CDS terá uma forte influência no que daí virá! De duas, uma: Ou o CDS abandona a coligação e abre alas à queda do Governo, ao chumbo do OE e/ou a novas eleições ou, como já é dito por alguns, há uma remodelação do modelo de coligação e tenta-se seguir com o mandato governamental.


Se Deus quiser, estaremos cá para assistir a tudo isso nos próximos dias!


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