quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Atitudes XIII

(.....)

Cinco orcas cercavam Salmolipe e o seu grupo, sendo evidente que dali iria resultar algo de mau para os salmões. A táctica das orcas tinha resultado em pleno porque tinham encurralado os peixes e dali não havia hipotese de fuga. Tal como acontecia com o ataque das águias, neste momento o individual estava acima do colectivo e não havia lugar a solidariedade. Pelo menos era assim que Samolipe pensava. Apesar do pré-ataque das orcas, havia sempre uma escapadela e era aí que os salmões procuravam ganhar vantagem. As Orcas encurralavam os salmões para que estes ficassem bem juntinhos e à superfície, assim era impossível escapar e tinham o almoço garantido.

No entanto, os salmões tinham as suas artimanhas, era preciso que estivessem atentos ao primeiro buraquinho. Salmolipe foi o primeiro a abandonar o barco quando viu a sua oportunidade, nem sequer esperou pelo restante grupo nem sequer por Salmodiana.Esta estava sem saber o que fazer pois nas horas dificeis não conseguia sobreviver.

Para além de Salmolipe e Salmodiana, outros houve que conseguiram escapar, mas as primeiras vozes contra atitude menos positiva do lider daquele grupo começaram-se a ouvir. Salmolepe por exemplo insurgiu-se contra Salmolipe.

- Por tua causa iamos morrendo todos. Não devias ter abandonado o grupo naquela situação. - atirou Salmolepe

- Eu fiz o meu papel e não podia ter ajudado ninguém porque era a minha sobrevivência que estava em causa - respondeu Salmolipe. - Não podes deixar os outros entregues à sua sorte, como lider devias saber que tens de ajudar os outros. Ainda por cima eles seguiram-te e todos tivemos de passar por isto, por tua causa.

- Quem quer está, quem não quer não está. É um problema vosso terem vindo comigo ou não, e perante os perigos que se avizinham é cada um por si e não esperem de mim uma atitude solidária.

- És um lider muito fraco - concluiu Salmolepe.

Entretanto, o ataque das águias intensificava-se apesar de Salmonisco e os seus estarem perto de começar a subir o rio e a deixar o ás aguas do mar.

(continua dia 5 Março...)

Mitt acelera no Michigan

Mitt Romney venceu as primárias do Michigan e Arizona batendo Rick Santorum que ficou em segundo lugar nas duas votações de ontem.
Esta vitória num Estado onde predomina o sector automóvel é uma autêntica auto-estrada para a nomeação. Romney tem agora 168 delegados contra 88 de Santorum e nem com a junção dos delegados de Gingrich e Paul, o segundo classificado chega perto do ex-governador do Massachussets.
A vitória de ontem também é especial porque Romney nasceu no Michigan, pelo que foi muito importante o resultado. Se Santorum ainda tinha algumas hipoteses, as sondagens assim o indicavam; com a votação de ontem o candidato fica com menos hipoteses, apesar da boa disposição.
No sábado é a derradeira primária antes da Super Terça Feira. Na capital Washington, Santorum tem de obter um resultado expressivo para que ainda consiga ver a luz ao fundo do tunel. Senão o melhor é tentar o lugar de vice-presidente de Mitt Romney.

Dublin desobedece a Merkozy....

A Irlanda anunciou que vai realizar um referendo ao novo tratado orçamental europeu. Mais uma vez os irlandeses impedem o avanço da resolução da crise europeia, isto na perspectiva pró-sarkozy/merkel. Por outro lado, esta decisão pode salvar a Europa, se estivermos do lado anti-Merkel/Sarkozy.

Depois de não aderirem à Constituição Europeia e de um primeiro "não" no referendo ao Tratado de Lisboa, os Irlandeses voltam a baralhar as contas europeias. Curioso que seja Dublin a ter esta iniciativa, mas esta cultura democrática sempre foi um apanágio dos povos britânicos, apesar de algum eurocepticismo.

Com a realização do referendo a Irlanda vai mais uma vez discutir a Europa com o seu povo, ao contrário do que acontece na maioria dos países, como por exemplo Portugal. Estas questões que se levantam servem exactamente para a Europa seja discutida e debatida em profundidade. É interesante e corajoso por parte do governo irlandês em contrariar o que foi decidido no ultimo Conselho Europeu. É que a Irlanda está sob resgate financeiro e podia servir os interesses alemães e franceses simplesmente por estar amarrado ao memorando da troika. Ao contrário de Passos Coelho, o governo de Dublin não cede a pressões exteriores, até porque os seus "amigos" ingleses deram o primeiro passo em se afastarem das politicas Merkozy.

A probabilidade do povo irlandês votar não a esta fantochada do eixo franco-alemão é enorme e a possibilidade das ilhas britânicas ficarem cada vez mais isoladas nesta Europa confusa cresce cada vez mais....

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

AUSTERIDADE?

Speaking to the National Governors Association, Barack Obama implored governors from across the country to stop cutting spending: “Too many states are making cuts that I think are too big. Budgets are by choice, so today I’m calling on all of you: invest more in education, invest more in our children.”
Read more at NetRightDaily.com: http://netrightdaily.com/2012/02/obama-blasts-states-for-cutting-spending/#ixzz1nhCm9dyn

Boa pergunta!


Discurso da Profª Amanda Gurgel, que calou não só os Deputados da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, mas todo o Brasil.

Hoje, ao ler o blog do Josias de Souza, que é um colunista de política da Folha de São Paulo, eu me deparei com uma indagação interessante em seu post que tratava do aumento do piso nacional dos professores de escolas públicas pelo Ministério da Educação.

Em 2011, um professor de escola pública deveria ganhar, pelo menos, R$ 1187,00 mensais, algo em torno de apenas 517€ . E digo “deveria”, porque, na grande maioria das vezes, tal piso não é respeitado e os professores ganham menos.

Este ano, o Ministério da Educação aumentou este piso para R$ 1451,00, mais ou menos 632€, representando um aumento de 22,22% em relação ao ano anterior.

Diante disto, o Presidente da Confederação Nacional dos Municípios apresentou um estudo no qual demonstra que, de 2009 a 2011, o gasto dos municípios com salários dos professores aumentou de 1,6 bilhões de reais (700 milhões de euros) para 5,4 bilhões de reais (2351 milhões de euros).

Além disso, o Presidente declarou que os salários não são as únicas despesas das escolas, que existem também os custos de manutenção das mesmas e perguntou: “Como vamos fazer isso? Vamos pagar os professores e fechar as escolas?”.

Porém, esta não é a indagação que eu achei brilhante, mas sim a do colunista que citei no primeiro parágrafo, que ao analisar o discurso do Presidente da Confederação Nacional dos Municípios, questionou exatamente o eu que questionaria.

Ele disse: “Quem compara as lamúrias do mandachuva da confederação de municípios com o Brasil grande dos discursos oficiais de Brasília fica tentado a inquirir os seus botões: que diabos de sexta economia mundial é essa que não consegue pagar R$ 1451 por mês aos seus professores?”.

É por essas e outras que a cada dia ficou mais convencida que o crescimento do Brasil é uma grande jogada de marketing e que não vai durar muito tempo.

Larissa Bona

PS: Vejam o vídeo acima para vocês terem a real ideia da precariedade da educação pública no Brasil. Muito provavelmente, a blogueira que vos fala nunca escreveria este post se não tivesse, a sua vida toda, estudado em escola privada.

Rick e Romney tentam triunfar

Michigan
Arizona
Nas sondagens Mitt Romney e Rick Santorum estão quase empatados com vantagem para o primeiro, pelo que as duas primárias de hoje se revestem de enorme importância tendo em conta o aproximar da super terça feira. A rainha de copas da Super Terça é o Estado do Ohio e nesse campo Santorum tem vantagem. Perante isto, podemos vir a assistir a uma reviravolta nestas eleições. A luta a partir do próximo dia 6 pode ser reduzida aos dois atrás mencionados, já que Ron Paul dificilmente continuará a Gingrich passou de concorrente de Romney a possível "ajudante" de Santorum

Para já, a noite eleitoral de hoje promete emoção com uma luta até ao fim. Dia 3 vem a capital Washington e depois o mundo assistirá com muita atenção a um espectaculo eleitoral que só os americanos conseguem dar.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Clássico com olhos de Paciência

Embora muitos neguem, o clássico de sexta feira vai definir muito do que resta do campeonato. Tanto Benfica como o FC Porto em caso de vitória podem embalar para um excelente final de época, apesar dos jogos dificeis que terão, nomeadamente nos jogos fora. E ainda por cima com o Braga à espreita, a pressão vai aumentar.

A questão mais importante que se colocará depois dos 90 minutos será a pressão que vai existir no treinador derrotado.

Vitor Pereira é um mal amado no Dragão desde o inicio. Mesmo sem jogar bem, o Porto ganha mas isso não é suficiente para o exigente publico do Dragão que está habituado a autênticos festivais de futebol. Apesar de Pinto da Costa ter garantido que VP cumprirá os dois anos de contrato, caso não conquiste o título dificilmente ficará na próxima época. Nem a vitória na Taça da Liga evitará a saída, até porque a Taça de Portugal e a participação na Europa foram desastrosas.

Jesus está há 3 anos no Benfica. Conquistou um campeonato e duas taças da liga. Tem uma meia final da taça e da Liga Europa perdida. O bom futebol não tem produzido mais titulos, nomeadamente quando o FC Porto lhe aparece pela frente a roubar os titulos todos. Para Jesus é fácil jogar contra as outras equipas em particular o Sporting, mas quando aparece o FC Porto, Jesus treme que nem um anjinho. Se não ganhar o titulo, também não é a taça da liga que lhe vai garantir o lugar, até porque como VP a taça de Portugal já foi e a Champions ainda não será desta. Por tudo isto, e devido ao enorme desgaste que JJ já tem, a saída será inevitável porque com um plantel destes não ser campeão é porque errou em algo importante. E as saídas a Guimarães e Coimbra foram um excelente de má gestão.

À espera do resultado do clássico está Domingos Paciência que é o treinador no desemprego mais apetecível. O futuro reserva-lhe um lugar à frente numa destas equipas. É evidente que nenhuma das massas associativas ficará triste por ter Domingos a treinar a sua equipa, até porque aquele que vai ser substituido é seguramente pior que o ex-treinador do Sporting e Braga.

Caminho perigoso

O lider do PS António José Seguro tem nos ultimos tempos desbravado um caminho perigoso que lhe pode custar a liderança do partido antes do acto eleitoral de 2015. A táctica de criticar o memorando da troika e as politicas do governo decorrente do documento que o PS também assinou, apesar de ser necessária para fazer oposição não colhe credibilidade junto dos eleitores, que são os mais interessados no discurso de alternativa.

É perfeitamente normal que Seguro altere o discurso relativamente áquilo que disse há quase um ano, mas esta mudança súbita está relacionada com a oposição que existe dentro do PS. Para agradar a gregos e a troianos foi necessária adaptar um discurso contra o governo mas que indirectamente é contra o memorando. E mais grave coloca em causa a assinatura do Partido Socialista.

Seguro podia estar calado mas isso também lhe causaria prejuízos internos, porque o lider de qualquer oposição é sempre acusado de "estar calado ou de não dizer rigorosamente nada". É neste período que se afirma a falta de oposição que o governo tem.

Apesar das dificuldades de ter de gerir um PS ainda a pensar em Socrates e a piscar o olho a António Costa, Seguro poderá ter de pagar a factura de politicamente ter uma estratégia pouco credível e inteligente, até porque se ficar caladinho pode ser que o poder da rua lhe caia nas mãos.

A Grande Viagem dos Salmões - Sem solução XIII

(...)

Eram cerca de 5 ou 6 orcas que esperavam os salmões. Apesar dos Salmonix não costumarem vaguear por aquelas zonas, havia outras espécies, nomeadamente os salmões encarnados, que apareciam naqueles lados, pelo que as baleias assassinas já estivessem preparadas, o que causou uma certa surpresa em Salmolipe.

- Eu bem dizia que o melhor era termos seguido Salmonisco - dizia uma voz no seio do grupo receando a sua própria vida.

De repente, iniciou-se um burburinho e uma revolta que era impossível de controlar. No entanto, era preciso ter cuidado porque as Orcas tinham bom ouvido e localizavam os salmões num instante. Perante esta ameaça, Salmodiana quis acalmar os restantes mas ela própria estava muito nervosa. Só pensava em Salmonisco e se já estariam a salvo. Também o outro grupo estava em apuros.

O que mais irritava os salmões que haviam seguido Salmolipe era a sua incapacidade de tomar uma decisão.

(continua dia 29...)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

coladinhos um ao outro, com o Braga à espreita..

Na próxima sexta feira, o Estádio da Luz recebe o Benfica vs FC Porto a contar para 21ª jornada do campeonato, numa altura em que os grandes rivais estão empatados na tabela classificativa, algo que nunca aconteceu num Benfica vs FC Porto. Este factor é só por si motivador quanto ao pré-match. Na semana que vem não se irá falar de outra coisa, até porque a politica está parada nesta altura e a Grécia tarda em cair, pelo que o clássico de Sexta Feira será o tema forte.

Se olharmos para o percurso das duas equipas vemos que andaram coladas uma à outra durante quase toda a competição. Apesar de estarem as duas no topo, estamos perante duas ideias de jogo completamente distintas : uma mais espectacular, a outra mais sólida e compacta. Curioso é o facto de terem no ataque a sua principal arma.

Uma vitória do Benfica recuperará o estado amimico da equipa de Jesus, até para a Liga dos Campeões. Caso aconteça o que sucedeu na época passada por duas vezes, o Benfica definitivamente perderá a corrida até porque tal qual aconteceu a época passada, ao primeiro desaire a formação deixou de obter bons resultados. Se o FC Porto dificilmente escapará o titulo, apesar das deslocações dificeis à Madeira(2x), Paços de Ferreira e Braga. Apesar do futebol sofrível, a equipa de Vitor Pereira tem subido de qualidade com um James inventor e um meio campo de Lucho, embora sem alternativas.

O jogo de Sexta será uma autêntica final para as duas equipas tendo em vista o titulo. Em termos amímicos uma vitória para um dos lados será muito importante.

Em caso de empate, é de acreditar que alguém em Braga fique muito satisfeito....

Ao longo da semana, analisaremos os pontos fortes e fracos dos dois melhores clubes de Portugal antes do grande clássico.

Justiça (Im)popular

A recente decisão do Tribunal de Lousada em não ter condenado o principal suspeito de ter raptado Rui Pedro por falta de provas merece um aplauso. Não a questão técnica que não apreciaremos mas a forma como o Tribunal não se deixou pressionar pela pressão popular que quis linchar um homem antes de ele ser julgado e mesmo depois da justiça legal o ter declarado inocente.
É uma vergonha que o povo se manifeste daquela forma e tenha aquele tipo de comportamentos em frente a um orgão de soberania. Tudo com a conivência da comunicação social que deu um maior destaque à revolta popular. Este é um caso semelhante à questão Maddie. Também na altura, quando o tribunal chamou os pais, foi feito logo um levantamento popular contra Kate e Gerry culpando-os de um acto que nunca cometeram. Infelizmente estas são situações cada vez mais frequentes e presentes na nossa justiça. Se o tribunal não condena, não há problema porque o povo está cá para fazer a sua própria justiça. E tudo porque a comunicação social conseguiu convênce-los que aquele sim era o verdadeiro culpado. E o único possível. No dia do julgamento lá está o povão a fazer fila para que o réu ouça das boas antes de entrar e quando sair leve os primeiros tabefes.

Já que estamos a falar de casos de justiça, é importante que depois da decisão da Relação relativamente ao Caso Casa Pia as teorias da cabala e do coitadinho parecem ter acabado porque foram 6 os juízes que decidiram as penas dos condenados, mas ao que parece há quem tenha direito de aplicar algumas manobras dilatórias...

Olhar a Semana - Jornalismo em tempo de guerra

A recente morte de dois jornalistas na cena de guerra da Siria, vem levantar algumas questões sobre a importância da informação "ao vivo" e "no local", mesmo que para isso se arrisque a própria vida.
É já um dado adquirido que nenhum jornalista tem a sua vida protegida mesmo que use um colete e capacete a identificar que faz parte de um média. Aliás, segundo rezam as crónicas, as mortes do jornalista francês e inglesa foi propositada e com claras intenções de ofender o Ocidente que como sempre costuma meter a face em guerra alheia.

É importante saber se com os meios electrónicos que hoje todos dispomos, valerá a pena mandar profissionais que antes de mais são pais e mães de familia para o terreno de guerra, porque como todos sabemos hoje um cenário de guerra já não é um local para fazer reportagem. Episódios como os do Egipto em que uma jornalista americana foi violada e alguns esmurrados são cada vez mais frequentes, porque o jornalista é visto como aquele que mostra aquilo que ninguém quer que seja relatado, para depois existir mais ódio e repúdio contra o regime em causa. Perante isto é normal que os jornalistas sejam vistos como Persona non grata das forças aliadas aos regimes.

A informação é um bem necessário, mas a vida humana está acima de qualquer linha editorial.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

GRÉCIA - ISTO COMEÇA BEM











Wolfgang Schaüble, ministro das Finanças alemão, escreveu uma carta ao parlamento da Alemanha em que avisa que “não existem garantias” de que o segundo pacote de ajuda à Grécia será bem sucedido.
“Também pode não ser a última vez que o parlamento alemão (‘Bundestag’) tenha de considerar a ajuda financeira à Grécia”, diz a missiva.
A decisão de apoiar a Grécia é justificada pelo político alemão, pela falta de alternativas com maior probabilidade de sucesso para a Zona Euro, que irá atravessar um período de recessão nos primeiros dois trimestres deste ano, segundo as estimativas da Comissão Europeia.  “As hipóteses de sucesso das alternativas [à concessão de ajuda à Grécia] parecem-me significativamente mais baixas no momento actual”, acrescentou. Se bem que, salientou, não haja garantias de que este segundo pacote de resgate tenha sucesso.

Cavaco, the Kid

Parece que Cavaco está a entrar numa sala de cinema para assistir à estreia do recente filme "Cavalo de Guerra".....

Entrentanto, o nosso Presidente-Cowboy afirmou que não foi visitar a Escola António Arroio por "impedimento de ultima hora". Concerteza que deve ter ido beber uma jola ao Saloon mais próximo do Palácio de Belém.

Desta água não pouparei

A discussão em torno da não introdução de água da torneira nas reuniões parlamentares por causa da poupança faz-me lembrar a situação em que era necessário tirar as tomadas da ficha para poupar uns cêntimos na factura da electricidade, mas a paranóia de cumprir o défice orçamental tem levado a situações rídiculas como esta. Quem não se lembra ainda da invenção da Ministra da Agricultura de não usar gravata para poupar a electricidade através do ar condicionado.

Curiosamente esta questão da água da torneira já tinha surgido em Nova Iorque quando foi aconselhado aos seus habitantes para beber da torneira e assim não produzir lixo com as garrafas de plástico.

É verdade que temos de controlar os nossos gastos e viver consoante a possibilidade de cada um, mas não temos de chegar a este ponto. Por acaso gostava de saber qual a factura no fim do mês da empresa que distribui as águas aos senhores deputados que na maioria dos casos nem sequer se dignam a abrir a garrafinha. E para onde vão as garrafas inutilizadas?

A Assembleia dava um bom exemplo se começasse por reduzir o número de deputados, as inumeras regalias e subvenções que cada um ganha até ao fim da vida por estar sentadinho no hemiciclo. E que tal falar dos computadores instalados em cada lugar que serve unica e exclusivamente para os senhores deputados andarem a namoriscar no facebook em vez de estarem atento ao que diz o orador. E por acaso não se lembram de dispensar aqueles dois "fantoches" que estão à porta da AR a fazerem de cavaleiros da távola redonda? O dia todo parado não merece um salário que podia ser aplicado noutro lugar qualquer.

Com a crise, entramos definitivamente na onda da palermice. Esperemos que não poupem no trabalho que têm de efectuar.

Para nascer pouca terra, para morrer toda a terra - Cadernos de Estocolmo

Não é do meu hábito revelar o que ando a escrevinhar, no entanto, aqui vai uma luz, talvez porque este mês acabei por sofrer do mesmo problema do poeta da seguinte história:
“Logo à noite peço-te para me beijares, canto-te uma canção de embalar.” Já fala Carla Maria ao telemóvel e o que diz demora-se nas antenas que a separam de Francisco José. Carla Maria no café à beira da estrada pedindo “bola de Berlim”, Francisco José, por sua vez, reclama do tráfego na cidade longínqua. É outro tipo de encontro que por aqui se dá, um que contrasta com os carros que passam ordeiros e paralelos em faixas diferentes sem que nunca os respetivos condutores se olhem ou troquem duas palavras de delicadeza. O mundo é este contínuo de momentos paralelos que não se repetem, paradoxos tantos que o mundo parece ser obra de criatura responsável que ordena milhões de irresponsáveis através dum remoto código de condução.

Num dos cantos do café, virado para a janela, como que assistindo ao espetáculo do mundo, está Eduardo Feliciano sentado. Sabe que a descrição que se acabou de fazer representa apenas uma pequena parte do mundo. Dirá, se é que já não disse, que mundo inteiro não existe, que o homem sozinho ao inteiro não chega. Seria preciso reunir todos os homens e mulheres numa longa fila, os mortos, os vivos e os que estão para vir, e juntá-los pelas mãos e bocas. Mas não é por causa destas frases que tem a alcunha de poeta. A sua barba imponente, umas ramelas, o blazer velho, a camisola verde e por isso um dia emprestou-se a si mesmo o cognome de Dinis. Entre risos e acreditando na brincadeira, Maria Tarecos assim o chamou para sempre. Quando morreu, levou com ela o nome e a fé. Esta sim, a verdadeira essência do eterno.

Eduardo Feliciano pede o mesmo café queimado e repleto de borra. Não é por ele que aparece. Vem para ver o mundo. Como sempre e como agora, Eduardo senta-se à mesa, pega no bloco mas não escreve. O mesmo bloco fará vinte anos a coisa de algumas semanas e não tem sequer uma réstia de tinta. Por vezes basta encostar a caneta e logo esta deixa um rabisco ou um ponto sem qualquer sentido. Mas destes hieróglifos nem sinal. Um bloco puro como pedra bruta, insensível e agreste. Quem disse que virgindade é sinónimo de beleza?

“O poeta não escreve há vinte anos”. Conclusão do estudo científico realizado pelo grupo de tagarelice que todos os dias faz peregrinação aos bolos.

- Também vi.

-Viste?

A caneta suspensa. O bloco deitado na mesa já sabe que aquele amor é platónico. Os dois dedos que em seguida seguram a pequena chávena numa antecipação de cafeína, o segundo suficiente para imaginarmos que é agora, é agora que ele vai escrever. Se pudéssemos parar o tempo e sobrevoar o café para melhor ver a cena, ou seja, se inventássemos forma de controlar este tempo e inventar outro, veríamos que Eduardo está separado do mundo por um silêncio material. Uma cortina invisível que nele habita e que finalmente o carateriza, afinal o desejo de ver o mundo passar-lhe nas mãos sem o tocar. Escrever é querer o eterno e Eduardo não tem essa pretensão. Ultrapassado momento ofegante, o mundo finalmente relaxa. É chegada altura de prosseguir com as formas de entrevista de emprego que o mundo nos arranjou: doenças, guerras e sofrimentos. “É mais do que certo que lá em cima nos guardam um dia e uma hora.”

ABRE A FELICIDADE?!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O homem mais pequeno do mundo

Vive no Nepal e é o homem mais pequeno do Mundo.

Quanto é que mede? aceitam-se apostas....

O Caso Casa Pia terá um fim?

Hoje o tribunal vai dar a conhecer aos arguidos neste processo, a decisão dos recursos interpostos por estes.

Quase um ano e meio depois da sentença proferida em 1ªInstância, este caso terá um fim no dia de hoje com a leitura da sentença na Relação.

Justo ou injusto, com inocentes presos ou culpados lá dentro, o caso Casa Pia será recordado como um processo complicado, moroso e pouco digno para a nossa justiça. Houve de tudo neste caso que começou com uma denúncia anónima mas que teve o seu desenvolvimento na praça publica e na comunicação social.

Independentemente das questões de justiça que vierem a ser decididas, o que importa é realçar a trapalhada que foi este processo. Pior será se no futuro viermos a descobrir que alguém foi preso inocentemente ou se é o mais fraco que vai acabar por pagar.

Como já foi dito, este processo para além de ter sido uma vergonha para a nossa justiça, marcou o inicio da era dos chamados "processos mediáticos" por envolver pessoas conhecidas da vida pública portuguesa. A partir deste mediatismo, a comunicação social começou a ter um papel importante e preponderante não só na divulgação dos factos mas também como domou a opinião publica em relação aos arguidos, transformando "culpados" e "inocentes" à sua maneira.

A questão principal que se levantou neste processo foi a lentidão do processo. Sendo que não é admissível que este processo tenha demorado 10 anos.

Por tudo isto a questão colocada no título é legítima porque o debate na praça pública vai continuar a ser feito.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - as tentativas XII

(...)

Enquanto que Salmonisco se deparava com o mesmo problema de sempre, Salmolipe e Samondiana continuavam a sua aventura por outros mares. Estavam a chegar ao Rio Hawkli.

Metade do grupo estava com o lider, outra metade seguiu as braçadas de Salmolipe. Assim os Salmonix que seguiram viagem estavam divididos em dois. Por isso, as probabilidades de salvar Salmonão eram muitas, mas podia acontecer que sobrevivessem poucos durante a viagem. Tendo em conta os perigos vários, era natural que muitos ficassem pelo caminho.

Perante o perigo das águias, o Salmonisco e o seu grupo nadaram a toda a velocidade para sairem do seu alcance. Ducolix foi o primeiro a tentar, mas não conseguiu nada. Havia um grande nervosismo no seio do cardume.

- Mantenham-se firmes e não tenham medo, em breve estaremos a salvo - avisou Salmonisco.

Mais duas tentativas de captura que em nada resultaram. Os salmões estavam com muita sorte naquele momento. Havia quem fizesse tudo para não ser comido, como por exemplo Salozm que empurrava os seus companheiros a fim de estar mais protegido. Era uma atitude condenável e que mereceu repudio de todos, mas naquela altura não se podia pensar noutra coisa que não a própria sobrevivência. Salmonisco como grande lider que era, estava na frente.

Entretanto, no outro grupo, enquanto que os salmões faziam uma viagem tranquila, ao longe, Salmodiana avistou algo :

- Cuidado. Estão a ver? Parecem-me ser orcas......

(continua dia 27)

O busílis da questão

O que nos mata é esta dívida pública incontrolável, num PIB que deixou de crescer. É difícil controlar a dívida quando os juros não param de crescer, porque acumulam. Os portugueses estão a trabalhar para pagar os juros da dívida e não para a abater. Por isso o Estado insiste nas exportações para fazer crescer o PIB. E em Outubro, pela primeira vez desde que há registo histórico, as exportações cobriram as importações. Um feito histórico que resulta da conjugação de dois factores: O aumento das exportações portuguesas, que mostra que as nossas empresas conseguem ser competitivas, a par da queda das importações, devido à quebra da procura interna em virtude, entre outras causas, do menor rendimento disponível para o consumo.
Mas, porque os Estados precisam de emitir dívida nos mercados para criar condições para que o Orçamento de Estado seja executado, a situação na Europa é esta: a dívida pública portuguesa chegou a 110,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no final do terceiro trimestre de 2011, sendo assim a terceira mais alta e a terceira que mais cresceu na União Europeia (de acordo com dados do Eurostat). À frente de Portugal estão a Grécia (159,1%) e Itália (119,6%), imediatamente atrás de Portugal está a Irlanda (104,9%).
É preciso não esquecer que foi a partir de 2005 que a dívida do Estado português ultrapassou os 60% do PIB. Isto devemos a José Sócrates, e à sua oportunista inspiração keynesiana, que o levou a adoptar uma política de despesismo e desperdício; e a fazer investimentos de retorno duvidoso.
Reparem na evolução do stock da dívida do Estado:

2000 - 66,1 mil milhões de euros
2004 - 79 mil milhões de euros
2011 - 150 mil milhões de euros
Com a agravante, por exemplo face a Itália, de a nossa dívida pública estar toda colocada no estrangeiro. O Ministro das Finanças do tempo de Sócrates fez o que pode para matar os instrumentos de colocação de dívida nos portugueses, por exemplo os certificados de aforro. Estamos por isso completamente à mercê dos investidores institucionais estrangeiros.
Estamos portanto num beco sem saída que vai exigir uma renegociação da dívida com os nossos credores. É possível que Portugal possa com as exportações equilibrar a sua balança comercial. Mas não conseguirá travar a hecatombe da dívida, vai ter de fazer um haircut e de a dilatar no tempo. O que significa que os mercados vão ficar fechados para Portugal  durante muito mais tempo. A austeridade em Portugal está para ficar, por largas décadas.


Desobediência civil

Ontem e ao contrário do proposto pelo Primeiro-Ministro, muitas autarquias deram tolerância de ponto aos seus habitantes e assim passou-se mais um dia de carnaval com os habituais desfiles de máscaras e não só. À moda brasileira já temos mulheres semi-nuas a passear pelas ruas de cada cidade portuguesa com uma temperatura de quase 10ºc.

Perante a dificuldade em explicar a situação, os autarcas deste país, e muitos deles sociais-democratas mantiveram a tradição, até porque terras como Torres Vedras e Loulé vivem do turismo nesta altura do ano. À semelhança do que acontece no Brasil, a partir do dia de hoje começa-se a preparar o carnaval do ano que vem.

A medida de Passos Coelho visa não só acabar com as pontes nesta altura, mas também que muitas empresas privadas mudem de atitude nos anos vindouros. Com esta proposta, no próximo ano haverá mais empresas a trabalhar no entrudo. Veremos se a tradição se mantêm ou não em relação aos autarcas.

Mas se esta foi uma iniciativa para troika ver, então correu tudo mal porque o sentido dos portugueses foi o de descansar e "foliar" e não vestir o fato para ir trabalhar. Está no ADN dos portugueses aproveitar todo e qualquer dia para escapar ao trabalho, daí que o problema seja de qualidade no trabalho e não de quantdade.

Passos Coelho teve a sua segunda derrota política depois do caso Nobre. Resta saber como ficarão os autarcas, sobretudo os sociais-democratas; depois desta atitude de desrespeito perante uma ordem do Primeiro-Ministro. Haverá apoio nas recandidaturas?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Tema XI: As greves

És a FAVOR OU CONTRA as greves como forma de manifestação contra as políticas dos governos?

2.2.1.2. Ciclo da Cana de Açúcar: a expedição colonizadora (não tão colonizadora assim) de Martim Afonso de Sousa – parte II, a chegada ao Brasil




No último post, vimos que, mesmo sabendo que a única forma de proteger o Brasil era com sua colonização, o rei de Portugal não era grande entusiasta da ideia. Até o dia que chegou aos seus ouvidos que os espanhóis haviam descoberto prata no território que hoje é o Peru.

Então, o rei português chamou o seu amigo de infância, Martim Afonso de Sousa, e deu-lhe a missão de chefiar a expedição que “colonizaria” o Brasil, protegeria o território dos piratas e também exploraria o rio Maranón, o primeiro nome dado ao rio Amazonas.

Entretanto, secretamente, o seu objetivo não tinha nada de colonizador, mas sim queria explorar o rio da Prata, a porta de entrada para as riquezas do império dos Incas e tomar a prata dos espanhóis. Assim sendo, em 03 de dezembro de 1530, zarparam 05 navios e 400 homens rumo ao Brasil.

E o principal indício das reais intenções de D. João III foi a presença de Henrique Montes como um dos mais importantes tripulantes da esquadra, apesar de ser um homem de baixa condição social.

Isso se deu porque ele, que era um náufrago, junto com um degredado chamado Gonçalo da Costa, revelou ao rei que os espanhóis haviam encontrado prata no Peru. E de pobre náufrago, Henrique Montes passou a ser “cavaleiro da Casa Real” e também “provedor da armada” de Martim Afonso de Sousa.

E mais, estes 400 homens que faziam parte da expedição também estavam cientes da exploração do rio da Prata, tanto que o embaixador espanhol em Portugal, ao escrever para a imperatriz D. Isabel da Espanha, afirmou que a grande maioria dos tripulantes não só se ofereceu para ir, mas também o fizeram sem sequer receber salário.

Além disso, em virtude da magnitude da empreitada, o rei também deu grandes poderes a Martim Afonso de Sousa, que foi nomeado “capitão-mor da armada” com autoridade não só para “doar terras em sesmarias e, criar e nomear tabeliães e oficiais de justiça. Tinha também poder de vida e morte sobre aqueles que o acompanhavam” [1].[2]

Deste modo, a expedição colonizadora chegou ao Brasil, no final de janeiro de 1531, em Cabo de Santo Agostinho, local que hoje corresponde ao município que leva este mesmo nome, localizado na região metropolitana de Recife, capital do Estado de Pernambuco, circulada de vermelho na foto que ilustra o post.

Mas Martim Afonso de Sousa nem teve o prazer de apreciar a exuberância da natureza no novo território, pois logo de cara, no primeiro dia no Brasil, já encontrou um navio normando abarrotado de pau-brasil, que ele tratou logo de combater e capturar.

Seguramente, deu uma bela sova nos piratas e estes acabaram revelando que havia outros navios franceses a 30 km sul dali. Por isso, enviou o seu irmão, Pero Lopes de Sousa, para o local denunciado pelos prisioneiros e ele cercou os franceses até que estes se renderam, depois de terem ficado sem pólvora.

O irmão de Martim Afonso capturou mais dois navios, toda a artilharia dos piratas e um grande carregamento de pau-brasil, e foi para a Ilha de Itamaracá, onde havia uma feitoria fundada por Cristóvão Jacques 15 anos antes, para poder alojar e tratar os tripulantes que ficaram feridos no combate. Dias depois, Martim Afonso de Sousa chegou à feitoria e reencontrou o irmão.

Próximo post em  06.03.2010: 2.2.1.3. Ciclo da Cana de Açúcar: a expedição colonizadora (não tão colonizadora assim) de Martim Afonso de Sousa – parte III, o encontro com o Caramuru.


[1] Náufragos, Traficantes e Degredados de Eduardo Bueno.
[2] Estes poderes conferidos a M.A.S. também fizeram muitos historiadores acreditarem que o real objetivo do rei de Portugal era, de fato, colonizar o Brasil, pois ele tinha todas as prerrogativas para estabelecer a ordem no local. Mas, na verdade, também segundo Eduardo Bueno, isso nunca passou pela cabeça do rei até aquele momento, pelo menos até 1532, de vez que, assim como os seus antecessores, também preferia as Índias.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Sem Witsel ...nada feito

À hora que escrevo, o jogo Guimarães-Benfica ainda não acabou mas pelo que os encarnados (não) estão a jogar, o resultado irá permanecer por certo em 1-0 para os da casa.

A segunda deslocação consecutiva resultou numa nova derrota, apesar de ainda conseguir manter a liderança do campeonato, mas agora por dois pontos, o que tornará o clássico de dia 2 de Março um autêntico jogo de sobrevivência.

Não há que tirar mérito ao Benfica deste ano, e há que lembrar que se trata da primeira derrota no campeonato, mas a realidade é que quando Jesus começa a inventar nada feito. Já aconteceu a época passada, e este ano teve o primeiro capítulo em Guimarães. Com a necessidade de fazer um jogo racional, contido e inteligente, JJ prefere lançar a equipa em ataque total com Nolito,Aimar, Gaitan, Rodrigo e Cardozo. Para que estes homens entrem é necessário tirar um dos médios. O sacrificado só podia ser Witsel que fazia a ligação meio campo ataque e assim deixava Aimar "sozinho" na posição 10. Infelizmente o mago não pôde cumprir a sua função porque estava demasiado recuado. No fundo, a fazer a posição do belga. E com um Rodrigo ainda a recuperar de uma lesão, tornava dificil alimentar os alas e o ponta de lança.

Se Jesus não joga assim na Luz, convêm perguntar porque razão o belga entrou em campo por volta dos 60 minutos quando o Benfica perdia. Por certo, que jogar assim em Guimarães não é o ideal e ainda por cima quando um ponto até seria o mal menor. Assim, o Benfica perde três, fica pressionado porque ainda tem de ir a Coimbra, e mais do que isso é aos encarnados que interessa vencer o titulo, porque o FC Porto até agradece ficar em 2º para mandar Vitor Pereira embora e contratar Domingos.

Com a derrota em Guimarães, Domingos Paciência tem agora a porta dos dois grandes aberta....

13.1 - Rés Vés Campo de Ourique

Esta é uma expressão muito utilizada pelos Lisboetas. Muitos nem sequer sabem o que significa, chegando ao ponto de ligarmos esta expressão a um certo elitismo proveniente daquela zona.
A curiosidade é que a frase "rés vés campo de ourique", está intimamente ligado ao terramoto de 1755, mas sobretudo ao maremoto que atingiu aquela zona alta da cidade. Campo de Ourique foi o local até onde o maremoto conseguiu subir.

Se hoje pensarmos que a onda chegou aquela altura ficamos todos desconfiados, mas de facto tudo aponta para que na manhâ do 1 de Novembro de 1755, o maremoto atingiu proporções tão épicas que conseguiu subir até Campo de Ourique.

O terramoto deu-se no dia 1 de Novembro de 1755 pelas 9:40 da manhâ. O epicentro não é "perfeitamente" conhecido mas tudo aponta para uma zona do mar a 150 ou 500 quilometros a sudoeste de Lisboa. Há quem aponte o sismo ocorrido no Banco de Gorringe como o provável causador da catástrofe em Lisboa. Teve uma escala 9 na contagem de Richter. O abalo foi sentido durante entre seis minutos e duas horas e meia. Muitos procuraram refúgio na zona portuária e assistiram ao recuo das águas, tendo ficado o fundo do mar cheio de cargas e navios.

Minutos depois um enorme tsunami atingiu a cidade pelo menos por seis metros de altura. As ondas tinham pelo menos 10. O centro da cidade e o porto ficaram debaixo de água.

Estima-se que cerca de 90 mil pessoas morreram e 85% das construções de Lisboa foram destruídas.

(continua dia 5 Março)

A Grande Viagem dos Salmões - O primeiro ataque XI

(...)

As águias estavam em posição de ataque. Ganhavam balanceamento e desciam o desfiladeiro em direcção ao mar. Ganhavam velocidade para que com as patas conseguissem apanhar o alimento, e rapidamente saíam da zona de alcance. Muitos salmões eram apanhados pela garra, velocidade e astúcia dos predadores, porque os peixinhos estavam ao alcance.

A unica defesa dos Salmonix era organizaram-se em linha recta o mais possível, pois assim criavam menos zonas de perigo e se estivessem todos baralhados havia sempre quem ficasse mais perto de ser capturado. Como em tudo na vida, todos queriam ficar cobertos de um ataque vindo do ar, pelo que a discussão começou por saber quem ficaria nos melhores lugares. Nestas ocasiões poucos eram aqueles que pensavam no grupo mas só no individual, mas a questão aqui era a própria sobrevivência. Todos os anos havia sempre o mesmo receio.

Não eram só os salmões que se organizavam desta foram, também as águias se preparavam desta forma para começar o seu voo. O objectivo era que com a velocidade, as águias penetrassem com as suas patas.

O primeiro a voar foi Duxolix com a sua energia e astúcia. Este era um dos principais caçadores desta tribo. Conhecido por capturar todo e qualquer tipo de peixe sem dificuldade, Duxolix não se fazia rogar junto das fêmeas.

(continua dia 22...)

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Apupos

Esta semana dois episódios marcaram a vida política portuguesa. Os apupos a Cavaco Silva e a deslocação de Passos Coelho a Gouveia.
Por acaso é inédito na nossa vida política o chefe de Estado e de governo serem vaiados num curto espaço de tempo e a sua popularidade estar em baixo.
A isto não é alheio as dificuldades que os portugueses já estão a sentir após 2 meses da entrada em vigor do Orçamento de Estado. Apesar da turbulência popular, tanto Passos Coelho como Cavaco mantêm o caminho traçado, mas cabe ao primeiro aguentar a onda de contestação que vai subir de tom neste ano e já com uma greve geral marcada para o próximo mês.
O Presidente resolveu voltar para trás numa subita mudança de atitude, enquanto que Coelho enfrenta todos os dias o descontentamento do povo, mas nem por isso desiste de lutar contra a instalação de um certo corporativismo de esquerda que ainda domina parte da população. Pelo menos consegue a atenção mediática que desejam e assim espalhar a indignação.
Com a marcação da greve para daqui a um mês, prevêem-se tempos dificeis em Belém e São Bento.

Olhar a Semana - um registo diferente

Hoje e perante a possibilidade de poder escrever algo diferente, venho falar do dia dos meus anos. Parece presunçoso, porque o blogue é sobre tudo e mais alguma coisa e para além do mais somos uma equipa e isto não serve para celebrar aniversários, mas não resisto a aproveitar o olhar a semana e fazer uma retrospectiva positiva da minha vida e da curta vida deste espaço.

Sim, porque desde há cinco anos para trás que este espaço faz parte da minha vida. As preocupações com o crescimento deste espaço são diários. Mas não só. A partilha de opiniões e ideias não só com os colaboradores que este blogue ganhou mas também por quem passa por aqui todos os dias.

Também aqui cresci muito como pessoa, pelo que se aprende, discute e pelas inúmeras informações relevantes que todos prestaram a este espaço.

O respeito, a cordialidade e amizade são valores muito importantes para mim e que aqui é praticado por todos, e isso é uma mais valia deste espaço.

O que me apraz dizer que consegui neste tempo todo fazer deste cantinho uma espécie de "jornal" à minha imagem, com as pessoas certas para fazer face a uma implantação na blogosfera que nem sempre é fácil devido à quantidade de blogues que existem, mas a pouco e pouco e com muito esforço e dedicação estamos a conseguir "entrar" pelos computadores das pessoas. Em Portugal, no Brasil e agora nos Estados Unidos.

E como o lema é "seguir em frente", temos sempre de pensar nos próximos dias e anos, mas sempre dentro dos parâmetros estabelecidos por quem contribui para que "o dia seguinte" seja sempre melhor que "o dia anterior".

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A minha experiência no Parlamento Europeu

Para esta semana dedicada à Europa, deixo aqui um texto escrito pelo senhor meu Pai sintetizando a sua experiência no Parlamento Europeu.

" Em 1987 depois da eleição dos primeiros deputados Portugueses ao PE tive o privilégio de fazer parte da equipe que divulgou as actividades do grupo de deputados do PSD no Grupo Liberal Democrático e Reformista do PE.

Sob a égide do saudoso Manuel Pereira e de deputados como Pedro Santana Lopes, Pedro Pinto, Carlos Pimenta, entre outros fiz, com uma equipe do Instituto Sá Carneiro, a divulgação das actividades do PE e dos deputados portugueses.

Foi uma época em que o PE não era conhecido e em que as actividades dos deputados portugueses eram menorizadas.

É verdade que, à época ,os poderes do PE eram muito reduzidos.

O Grupo Liberal Democrático e Reformista do PE esforçava-se por mostrar a sua influência como uma força de charneira entre os grupos dominantes como o PPE e o Grupo Socialista.

O esforço era demonstrar que, além dos grupos dominantes, os Liberais eram também uma força que influenciava as politicas do PE.

A divulgação das actividades do Deputados Portugueses passavam por acções de formação em todo o país.

Fizemos dezenas de seminários sobre as várias politicas europeias, da agricultura às pescas , do desenvolvimento regional ao apoio às PME tentando explicar às populações que o PE era uma instituição com influência nas politicas europeias.

Segundo os tratados europeus nessa época o PE tinha apenas uma função meramente consultiva.

Os tempos mudaram e o PE tem, hoje, mais poderes que no inicio. No entanto, para que a Europa seja uma autentica democracia representativa ainda faltam alguns passos.

Não é fácil que os Estados Membros abdiquem da sua soberania em favor de uma entidade supranacional.

Os obreiros da União Europeia como Jean Monnet previam que o espaço europeu fosse uma União Politica supracional.

O alargamento e a crise económica vieram por em causa o espírito de solidariedade e coesão que os pais da EU previam.

Assim, o PE, voz dos povos da Europa tem, a meu ver, um esforço acrescido. Ser o o eco das populações dos EM. Não nos podemos esquecer que o PE é a única Instituição Europeia que é eleita directamente pelas populações.

Enquanto o PE não tiver uma voz activa nas decisões da EU não poderemos considerar que esta seja uma democracia representativa das populações dos Estados Membros da EU. "

Pedro Pinto Coelho Castello Branco

Perguntas para os leitores.

.Nos últimos dois anos, desde o início da crise das dívidas soberanas, tem-se vindo a registar uma profunda indefinição da política europeia. Qual a previsão para o futuro da União? Em direcção a uma maior integração ou a um gradual afastamento entre os estados-membros e consequente cisão?
. A possibilidade da dupla Merkel-Sarkozy ser afastada, por via dos actos eleitorais em França e Alemanha no próximo ano e meio, poderá levar a uma mudança de rumo?
. Que avaliação a fazer do novo modelo de diplomacia europeia, instituído pelo Tratado de Lisboa, liderado por Catherine Ashton?
. As eleições para o Parlamento Europeu registam sempre altos níveis de abstenção. Qual é a solução para aproximar as populações das elites europeias? Não deverá essa tarefa partir dos partidos que ocupam os debates entre os candidatos apenas com questões de política doméstica?

Alterações ao Mapa Político de Espanha, França e Itália no último ano

Nos tempos actuais, é por demais evidente a imperatividade de alcançar maiorias absolutas nos parlamentos dos estados-membros, de modo a promover a estabilidade necessária ao poder executivo na governação do país em questão.
Espanha. Desde a instauração da Monarquia Constitucional em 1976, um dos grandes flagelos que, em termos sazonais, ameaçam a estabilidade do sistema político espanhol, prende-se com as derivas nacionalistas e independentistas em alguma regiões autónomas. Embora todas as regiões reclamem uma certa autonomia face ao Estado central, o maior foco de tensão é no País Basco e na Catalunha. No caso Basco, trata-se, substancialmente, de problemas de índole politico-cultural. A população desta região há muito que pretende a total independência do Reino. Já na Catalunha, mesmo que também haja a facção independentista, o principal factor de discordância é a questão fiscal. Os contribuintes catalães não estão dispostos a estar constantemente a transferir recursos fiscais para as regiões menos produtivas.
Nas eleições gerias de 2008, o PSOE de Zapatero, apesar de vencedor, não totalizou um número suficiente de votos que lhe permitisse a maioria absoluta no parlamento. Devido a este facto, em numerosas ocasiões, para fazer passar leis e resoluções, foram feitos acordos de incidência parlamentar com os partidos regionais.
Actualmente, após a esmagadora maioria conseguida pelo PP nas eleições gerais de Novembro de 2011, haverá a tendência de marginalização dessas forças partidárias mais extremistas. Para que as suas opções sejam aprovadas, Mariano Rajoy apenas necessita dos votos dos deputados do partido que lidera.
França. Este não é um caso de coligação clássica. Mas é importante referir que o partido que ocupa o poder (UMP) nasce de uma super-coligação de vários partidos do centro-direita gaulês. Não havendo uma coligação formal entre partidos, há uma coligação não escrita entre a UMP e uma parte do eleitorado mais à direita que, em diversos actos eleitorais, se sente tentado a votar no partido xenófobo Frente Nacional. Sempre que a ida à urnas se aproxima, os responsáveis da UMP optam por defender causas conservadoras, de maneira a cativar os eleitores nacionalistas.
Não deixa de ser suis generis que, quando em tantos outros palcos se dá como adquirido que as eleições se ganham ao centro, no caso francês estas ganham-se, por vezes, bem à direita.
De acordo com as sondagens que saíram esta semana (e recordando que passaram dois dias desde que Sarkozy confirmou a recandidatura), o candidato do centro-esquerda François Hollande ocupa o primeiro lugar nas intenções de voto. Desta feita, mesmo que Sarkozy consiga roubar votos à Frente Nacional, poderá não ser suficiente para manter por mais cinco anos o lugar no Eliseu.
Itália. De meados de 2008 até Novembro de 2011, Silvio Berlusconi aparentava ser uma autêntico sempre-em-pé, seguindo todas as vias para manter à tona o seu Popolo della Libertá. Acossado por diversos casos de corrupção, prostituição infantil e lenocínio, Berlusconi conseguiu, durante um largo período, passar entre os pingos da chuva e ludibriar a justiça italiana com leis excepcionais especialmente concebidas para o proteger. Pelo caminho, a coligação que sustentava o Popollo della Libertá foi perdendo pilares importantes como Gianfranco Fini. Já o partido Liga Norte de Umberto Bossi, não sendo parte integrante do partido de Il Cavalieiri, foi até ao fim um aliado parlamentar.
Contudo, no Outono passado o clima económico (atente-se que, a par de Portugal e do Haiti, Itália foi o país do mundo que menos cresceu na última década), os juros da dívida pública a atingiram níveis insustentáveis, foi a própria União Europeia (leia-se: Angela Merkel) que forçou a Berlusconi a abandonar o poder. Para o seu lugar, após um amplo consenso entre o Popopo della Libertá e o Partido Democrata, o Presidente da República Giorgio Napolitano nomeou Mario Monti para chefe do executivo. Monti, como ex-membro do BCE, é razoavelmente bem visto em Bruxelas e nele foi depositada a confiança para conter a despesa pública e executar reformas estruturais essenciais para que a economia italiana volte a crescer.

Quem tramou Domingos?

  1. Godinho Lopes
  2. Carlos Freitas
  3. Ricardo Sá Pinto
  4. Yannick Djalo
  5. Paulinho
  6. Os adeptos
  7. A sua própria Paciência

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Uma questão de oportunismo político

A CGTP acaba de anunciar uma greve geral para dia 22 de Março. Um dia depois do Benfica-Porto para a Taça da Liga e um dia antes do Congresso do PSD. Aqui uma oportunidade para que o congresso dos sociais-democratas tenha como pano de fundo e principal motivo de discussão a greve do dia anterior.

Será a terceira paralisação no espaço de dois anos, já que em 2010 e 2011 tivemos greves importantes. A ultima de Novembro mostrou uma diminuição da adesão por parte dos trabalhadores. Não admira, porque todos já perceberam que é trabalhando que se combate a crise. Os portugueses, mas principalmente aqueles que costumam faltar um dia ao trabalho para protestar já perceberam e começam a entender que as greves começam a não fazerem sentido, até porque não existe nenhum "descontentamento" geral após o dia "parado". Mais, o sentimento anti-greve começa a ser cada vez maior entre as pessoas e os Governos objecto da greve são imunes a este tipo de combate.

Arménio Carlos quer começar a mostrar a diferença em relação a Carvalho da Silva, fazendo crer aos olhos do Governo que com ele a luta vai ser mais dura. O que não quer dizer que tenha mais eficácia, como se viu na ultima manifestação da CGTP em que o terreiro do paço esteve "vazio".

O mais grave é a razão da greve : invoca a CGTP que é devido ao agravamento da legislação laboral. De facto, começa a existir menos argumentos para que se realizem greves e manifestações no nosso país. Perante o argumento do sindicato, não deverá ter o apoio da UGT nem da maior parte dos trabalhadores.

a greve é geral ? - cada vez menos...

Share Button