quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Verde no fundo


Para quem não é do Sporting, a situação que o clube de Alvalade vive é de rir. Já os sportinguistas temem que o seu clube se torne uma espécie de “Belenenses” e nunca mais voltem a vencer um campeonato nacional ou outro título. No entanto, o clube de Alvalade tem um historial e uma massa adepta que não deixarão o clube cair, embora seja esse o destino de todos os clubes que queiram rivalizar com o Benfica.
Nos vários inquéritos que se faz sobre a responsabilidade do actual momento do clube leonino não há nenhuma hipótese que diga “A culpa é da grandiosidade do Benfica?”.
Brincadeira à parte, mas que tem um pouco de verdade, ninguém é capaz de identificar o problema do Sporting porque não está visível a olho nu. Ou seja, por muito que se mude o treinador, se aposte nas camadas jovens ou se gaste milhões de euros em bons jogadores, o problema continua e tende-se a agravar. Nem a mudança constante de Presidente parece resolver a questão, já que foram implementadas várias medidas e nenhuma delas funcionou. O número de directores desportivos que já passou pela estrutura do futebol ultrapassa os dedos de uma mão e todos eles estão hoje fora do clube desesperados por voltarem a ajudar o clube.
Fala-se muito que o Sporting é um clube que tritura treinadores, mas desde a saída de Paulo Bento que o problema tem sido a liderança fora do relvado.
O Sporting precisa de um Presidente que acabe com rotinas e hábitos que há muito tempo estão instalados dentro de Alvalade. Uma das primeiras medidas a tomar seria acabar com o Conselho Leonino. Não vemos no Benfica e FC Porto nenhum conselho da águia ou do dragão. A existência deste órgão é uma vergonha e só prejudica o funcionamento do clube, em especial qualquer líder. Deixar que alguns sócios eleitos e à porta fechada possam definir o futuro do clube é algo que nem sequer beneficia a democracia que deve existir dentro de um clube. A instabilidade e o ruído que se faz naquelas reuniões acaba por minar o trabalho de quem lidera, porque a dependência do que se passou no Conselho ainda é enorme.
Os clubes são dos sócios e não pode haver determinadas pessoas a decidir o futuro do clube, ainda para mais, quando muitas delas só procuram visibilidade na comunicação social. Dar o poder ao Conselho Leonino, de sequer opinar sobre a táctica utilizada pelo treinador, é acabar com a independência de quem tem de decidir e agir consoante o interesse do clube.

Um clube de futebol não pode ter milhões de pessoas a opinar sobre o caminho a seguir. É óbvio que cada um de nós tem um treinador de bancada dentro de si mas liderar é saber decidir por si sem ter que auscultar um sem número de pessoas. O ruído à volta de uma equipa de futebol acaba sempre por desestabilizar a concentração dos jogadores, mas também a tomada de decisões por parte da equipa técnica. Sem o garante que a estrutura estará fechada ao mínimo desaire, ninguém consegue sobreviver a uma chicotada.

É este o problema central do clube, contudo foi o próprio Sporting que criou este hábito ao longo dos últimos 15 anos, e nem as vitórias em 2000 e 2002 trouxeram uma nova forma de liderança, isto porque nunca apareceu um Presidente que tenha saído da linha Roquette. Assim sendo, as velhas rotinas mantiveram-se, as prioridades nunca foram estabelecidas e a política desportiva quase nunca delineada. Sem saber o que se pretende alcançar como é que se chega a algum lado? Estabelecer um plano para em quatro, cinco anos, criar condições de lutar pelo título era melhor do que estar a prometer o título quando se sabia que não haveria as mesmas condições, porque os problemas financeiros nunca ajudaram a que se cometesse loucuras em termos de contratações, além do mais depois da saída dos craques da formação nunca mais se fez uma boa venda.
Não foi isto que fez Vieira no Benfica?
Prometer títulos nunca se pode fazer, mas criar condições para que se esteja sempre lá em cima é uma questão de plano desportivo, e quem esteve à frente do Sporting nunca esteve preocupado com isso. Achou que mais tarde ou mais cedo a bola não ia bater mais na trave.
Acho preocupante que após a era Paulo Bento, não houve ninguém que estivesse preocupado com esta questão e quando o actual seleccionador nacional esteve à frente do Sporting,  estranhamente foi o próprio que definiu uma estratégia com êxito, já que venceu algumas taças de Portugal e deu luta constante ao Futebol Clube do Porto, deixando o Benfica para o terceiro lugar. Hoje já nem nas competições europeias o Sporting consegue vencer.
Para finalizar, o Sporting precisa de uma política desportiva. É necessário que alguém dentro do clube defina um objectivo. Quando eu digo alguém dentro de Alvalade, não me estou a referir aos actuais responsáveis, mas sim aos sócios. Porque são estes a grande força de qualquer instituição desportiva, já que os jogadores, treinadores, directores e mesmo os Presidentes passam a ninguém se lembra deles futuramente. Os clubes existem por causa dos sócios, são estes que enchem os estádios, vibram com as vitórias e choram na hora da derrota, pelo que são estes que têm de escolher o caminho, a política a ser seguida. Eleger uma personalidade que os lidere é apenas uma tarefa democrática, mas antes disso é necessário conhecer o seu plano, o seu propósito e como o vai atingir.
Se a actual direcção não é capaz de aguentar o barco, as alternativas mais visíveis também ainda não disseram para o que vinham. Podem ter um treinador na cabeça, um director desportivo com coração de leão, jogadores fantásticos já contratados para além de investidores com um camião cheio de dinheiro, no entanto nenhum deles sabe dizer o que pretende atingir, qual a sua política desportivo, daqui a quantos o Sporting estará a lutar pelo título mas sem o poder prometer, como é que se vai organizar internamente, quem será a voz de comando, quem é que falará nos desaires e na hora da vitória……
São estas questões que preocupam os sócios sportinguistas e que perante silêncios temem o futuro do clube, enquanto os adeptos dos clubes rivais vão gozando com as sucessivas derrotas do clube de Alvalade.
“Belenização”? Por enquanto não……

4 comentários:

Rui da Bica disse...

Madjer disse há pouco tempo : "O melhor treinador de sempre do F.C. do Porto é Pinto da Costa" !
... mas Pinto da Costa para além destes 30 anos de "treinador", teve mais cerca de 25 como "treinador adjunto" (digo eu), como dirigente em variadíssimas modalidades no FCP !
São 55 anos de dirigismo num grande clube !
Quando será que "os outros" entendem isto ? ...
.

Francisco Castelo Branco disse...

não é preciso copiar modelos. o problema do Sporting é que não arranja o seu.

Observador disse...

O mal do Sporting está nos gabinetes, onde residem pessoas execráveis, incapazes.

Urge um limpeza profunda.

Francisco Castelo Branco disse...

totalmente de acordo

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