terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Tempo da Inglaterra decidir


A UE decidiu criar uma união bancária que permite uma melhor regulação e troca de informações entre os principais bancos europeus. É uma excelente medida que aplaudo por princípio e que fazia muita falta ao sistema financeiro europeu, para que situações como a de Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha não voltem a acontecer. Mais do que regular, o importante é supervisionar a actividade bancária e criar regras uniformes para que haja uma cooperação mútua.

A decisão abrange não só países do Euro mas também Estados que não têm a moeda única. A Inglaterra ficou de fora deste processo, mas aplaude esta decisão. Eu não entendo por que razão é que os ingleses continuam a saudar o que é decidido, mas mantêm os dois pés fora de todo e qualquer processo europeu. Ainda compreendo que não queiram estar no euro, até porque os ingleses são muito conservadores no que toca a preservar os seus símbolos, e a moeda é um marco importante na identificação de um país. Ao não participarem no Euro, os ingleses passaram a crise de uma forma mais rápida e agora riem-se dos restantes países europeus. Além do mais, não estou a ver nenhum Primeiro-Ministro inglês estar subjugado às vontades do par Alemanha-França mais alguns países nórdicos.
O que se está a passar na Zona Euro é motivo suficiente para os ingleses se manterem afastados. Não sei se Tony Blair ou algum assessor teve uma visão futurista perturbadora que evitou a entrada dos ingleses na moeda única. Contudo, se o Euro algum dia for uma moeda forte não será legítimo ao Reino Unido entrar para o grupo.

 Não convêm estar na UE sem posteriormente aderir ao Euro. Uma das razões para ser membro da União é que entre para o clube da moeda única. Alguns Estados Membros ainda não estão no Euro, mas a breve trecho irão obrigatoriamente ter que mudar a moeda. Também é pressuposto se algum país quiser sair do Euro, terá também de deixar de ser membro da União Europeia. As regras são claras e para todos, e parece-me bem que assim seja. Ou todos seguem as regras definidas pela maioria ou então o melhor é sair e criar um clube novo.

É esta a posição que o Reino Unido deve adoptar em meu entender. Se não querem estar no euro, não participam nas decisões importantes para o crescimento da UE como é esta questão da União Bancária, então o melhor a fazer é deixar a União Europeia.  É evidente a desconfiança inglesa que gira em torno das instituições europeias e dos líderes que as comandam, bem como a indisponibilidade em ter de se subjugar às decisões franco-alemãs. Tudo isso é bem visível e ninguém condena Londres por isso. Acho até que os ingleses foram mais espertos do que todos os outros e a crise que passa na Europa não atinge a Ilha por esta jogada táctica inteligente. No entanto, ao manter-se na UE o país liderado por David Cameron actua como observador e não como jogador de campo. Perante aquilo que vai vendo acontecer à sua volta, age conforme os seus interesses. Numa União que se pretende para todos só tem lugar quem “joga”, independentemente de perder ou ganhar.

Com esta crise, a União Europeia deveria rever as suas regras e acrescentar algumas. O direito de entrar no clube tem de obedecer a vários critérios que já existem, no entanto a obrigatoriedade de participar nos vários “projectos” tem de ser um deles.
Também é por este factor que se cria a famosa “europa a duas velocidades”. É que enquanto uns são prejudicados pelas crises, outros passam por elas e ainda beneficiam do mal dos outros. 

2 comentários:

Observador disse...

Compreendo os ingleses e até concordo com eles.

Francisco Castelo Branco disse...

Então porque?

Não deviam fazer parte da solução? Eu sinceramente não percebo porque estão na União Europeia. Bem que podiam voltar a commonwealth

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