sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Qual é a opinião do governo? Ninguém sabe!

Portugal há cerca de uma semana tinha a garantia que iria usufruir das mesmas condições da Grécia. No entanto, o ministro das finanças alemão desautorizou o Presidente do Eurogrupo e disse que Portugal e a Irlanda, como estavam a cumprir não necessitavam de mais folga. Também não é com amigos no Eurogrupo que Portugal consegue boas condições, já que quem manda mesmo é Wolfang Schauble e Angela Merkel.

Se o governo não tem capacidade de negociação perante a troika, o melhor é admitir isso e uniformizar o discurso para que os portugueses possam saber com o que contar mas também tirar as devidas ilações políticas  nas próximas eleições, se bem que o nosso futuro depende mais do que se passar nas próximas eleições alemãs do que propriamente nas nossas. Este é um dado bem elucidativo de como os tempos mudaram rapidamente e o mais grave é que o comum dos mortais ainda não se apercebeu disso.

Que o governo esteja atado a um programa que nem sequer negociou, eu compreendo e aceito. Que os nossos negociadores não consigam ter coragem para negociar um bom pacote para o nosso país, compreendo em certa medida até porque sempre fomos um povo subserviente. Lá fora mas também cá por dentro. É uma característica muito portuguesa baixar a cabeça quando aquele que tem poder ordena. É por isso que há corrupção, inveja, intrigas na nossa sociedade. 

Estas duas situações ainda são relativamente aceitáveis, já que Portugal depende muito do investimento alemão, contudo não se pode aceitar que o governo fale a várias vozes e não tenha um discurso uniforme, coerente e acertivo. Lá está o problema da comunicação que já falei neste espaço. Sobre esta questão das condições falaram Miguel Macedo, Aguiar Branco, Paulo Portas e o Primeiro-Ministro. Todos  disseram coisas diferentes e o pior de tudo é que em nenhuma delas se percebeu qual é o caminho a seguir. Para agravar ainda mais a situação, o PR veio meter a sua colherada e lançar a confusão total, porque é sempre assim que acontece quando Cavaco decide fazer de PM.

Já todos percebemos que o programa é este e não haverá folga. Já se entendeu que o governo não é bom a negociar. O que não se aceita é a forma infantil como o governo tem transmitido a sua mensagem. Esta baralhada toda só prejudica o próprio PM, porque é ele quem vai a jogo nas eleições e tem a cabeça a prémio. Não é o CDS que sai chamuscado, já que a sua atitude de entra e sai é normal no seu líder.

A questão é que apenas Passos Coelho deveria falar, mas como parece que há dois primeiro-ministros dentro do executivo e é difícil calar o CDS, não há coerência nem uma mensagem definida para transmitir. Senão se tem uma atitude lutadora no inicio, quando Passos e Gaspar acordarem já pode ser tarde e depois nessa altura estão a contar os votos que perderam por causa desta descoordenação total entre membros do governo do mesmo partido, mas também entre Ministros de partidos diferentes. É caso para perguntar o que anda Relvas a fazer no governo, não tem ele a pasta da coordenação política?

O que se está a passar só revela amadorismo e falta de experiência política. O governo só pode falar a uma só voz. Os Ministros não se podem pronunciar todos sobre a mesma matéria, ainda para mais quando se trata de questões económicas, matéria essa muito sensível e que não está no domínio de qualquer um.

Sem comentários:

Share Button