domingo, 16 de dezembro de 2012

Olhar a Semana - à espera das eleições alemãs


Mais do que esperar milagres no próximo ano, o que me preocupa mais é a forma como a Europa está a ser conduzida. O que está a acontecer lá por fora tem naturais implicações nas medidas de austeridade impostas a Portugal. Para mim, não há duvida nenhuma que estamos a ser obrigados a suportar sacríficios por duas ordens de razão: a primeira está relacionada com o compromisso assinado no memorando, e a segunda razão prende-se com a política autoritária exercida por Berlim.
Ninguém tem dúvidas que é Merkel que manda na Europa toda. E quando digo toda, são todos os países que estão no Euro. Por esta razão é que a Inglaterra não se junta ao clube da moeda única nem vai integrar a nova união bancária, apesar de achar uma excelente ideia. Tenho a certeza que enquanto Merkel for chanceler alemã, David Cameron não mete os ingleses nestas confusões, até porque não está para ser relegado para segundo plano. Hollande prometeu muitas mudanças mas é mais do mesmo. No entanto, ao contrário do que acontecia com Sarkozy, hoje a França mantêm uma distância relativamente à Alemanha. Não que isso afecte Merkel, já que é ela a responsável pelo facto de querer caminhar sozinha nesta Europa cada vez mais metida nos seus próprios problemas.


A chanceler alemã vem dizer que são precisos mais 5 anos de austeridade e que a Europa necessita de mais reformas. Dos representantes da União Europeia, eleitos democraticamente sob as mais diversas formas, nem uma palavra, no entanto mesmo que dissessem algo nunca seriam ouvidos, porque o que importa é a palavra da Frau Europa. Nada mais interessa. Perante as opções de Angela Merkel a esperança é cada vez mais remota. Podemos culpar o governo pelo enorme aumento de impostos ou pelas suas políticas apelidadas de neo liberais. Considero que o governo geriu muito mal esta questão do Orçamento de Estado para o próximo ano, contudo o que se passou na minha opinião foi a tentativa desesperada de Passos Coelho e Vitor Gaspar em cumprir as metas acordadas com a troika, ou melhor dizendo às imposições de Merkel.
Não acredito que as políticas definidas venham a mudar nos próximos anos, apesar de pensar que iremos ter um alívio fiscal em 2014 e sobretudo em 2015. Contudo, o problema tem a ver com as reformas estruturais que irão necessariamente prejudicar com a vida de algumas pessoas afectadas por algumas mudanças. Merkel quer mudanças na Europa para que esta se torne competitiva face aos Estados Unidos e aos países emergentes. Na cabeça dela está uma Europa mais organizada, liberalizada mas com uma supervisão rígida e com sanções fortes para quem viole os mecanismos que tentam evitar um desperdício necessário. A Europa só será competitiva economicamente se tiver a casa em ordem, e como até ao momento foi tudo uma balbúrdia, é preciso disciplinar para não haver mais excessos. É esta a Europa que Angela Merkel quer e assim se tornar uma potência económica mas também ter uma voz política activa. Eu concordo que é preciso colocar as contas em dia, contudo acho que a Chanceler exagera nas políticas a adoptar e o seu estilo arrogante não ajuda em nada à compreensão por parte daqueles países que estão sob ajuda externa, ou como diz Vitor Gaspar, são países de “programa”.


Será a esta a política europeia delineada para os próximos anos, a não ser que nas próximas eleições alemãs a chanceler não consiga os resultados necessários para poder continuar a mandar na Europa. Em meu entender, as eleições na Alemanha vão ser o facto político do ano. Como acontece nas eleições americanas em que todo o mundo está atento, também na Europa muitos vão seguir o que se passará na Alemanha com muito interesse. Na minha opinião, seria benéfico para a Europa uma derrota de Merkel. Não que o regresso ao socialismo seja o caminho, no entanto a situação actual não pode continuar. Este projecto de austeridade para “todos” os países incumpridores não é a solução. Acho que dificilmente nascerá uma Europa nova depois das pretensões da senhora Merkel, contudo o futuro do euro estará nas mãos do povo alemão que tem aqui uma oportunidade para mostrar o seu poder.
Até à altura das eleições alemãs tudo o que será dito, escrito e confirmado não me interessa. A minha esperança em que isto mude para números positivos acabou quando é a senhora Merkel que conduz a política europeia, por isso é que não faz sentido haver eleições antecipadas em Portugal. Uma vitória do PS seria a continuação das políticas actuais, por muito que Seguro queira dizer o contrário. A assinatura do PS está no memorando e não tendo maioria absoluta só podia fazer uma coligação com o PSD sob o alto patrocínio do Presidente da República, e isso seria muito mau porque não haveria oposição.

 Fico preocupado com as declarações de Merkel e a forma como está a estrangular a Grécia e Portugal. Rigor e austeridade sim, mas com critério e não para atingir um número bonito, que é o que está a acontecer. Um exemplo disto mesmo é a questão dos 4 mil milhões de cortes que estão a ser preparados. Não é isto mais uma exigência sem qualquer tipo de estudo prévio? Qual a razão de serem 4 milhões e não cinco? Porque não ter em conta aquilo que são os desperdícios reais em vez de cortar por cortar. Se optarmos pela segunda hipótese vão-se criar injustiças sociais que jamais poderão ser reparadas, ao passo que acabarmos com aquilo que não é necessário os vícios não voltarão.
Eu só gostaria que Passos Coelho dissesse frontalmente que não é o governo que estabelece as medidas a adoptar, no entanto isso seria um suicídio político.

1 comentário:

Rui da Bica disse...

Sem a austeridade imposta por Merkl seria certa a sua derrota nas próximas eleições internas !
A minha esperança é que ela possa vir a aliviar as pressões após ser reeleita (se o vier a ser) ! (?)
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