domingo, 9 de dezembro de 2012

Olhar a Semana - Creio que não ficará Seguro até Junho

Apesar de gostar de António José Seguro com político mas também na sua honestidade, acho que tem sido um péssimo líder da oposição. É natural que como líder de um Partido que quer ser governo, Seguro não pode ser uma alavanca do Governo, ainda para cima que tem dois partidos a sustentar uma maioria. O que se esperava de um líder da oposição nestas condições era que apresentasse mais alternativas em vez de pactuar com um discurso de destruição.

É importante que o líder do PS recorde-se de duas coisas: Foi o PS que negociou este pacto e a sua assinatura está no memorando até ao fim do programa. No príncipio do seu mandato como líder da oposição, Seguro teve um discurso de apoio e vigilância ao governo, no entanto com o avolumar da crise o tom de voz já é outro. Se há menos de uma semana, Seguro não defendia eleições antecipadas, o discurso de hoje já é completamente diferente. E isto porquê? Não só porque a contestação social é cada vez maior mas também porque o mandato do líder do PS acaba em Junho de 2013. Para quem não sabia, Seguro pode muito bem perder o seu lugar muito antes de Pedro Passos Coelho, se se verificarem duas situações: Em primeiro lugar, se a situação financeira for tão má que obrigue o Presidente a convocar eleições o mais provável é o PS sair vencedor, ainda que sem maioria absoluta. Nesse caso, António Costa avançaria para a liderança socialista com a certeza que ganhava não só o Largo do Rato mas também São Bento. Ao endurecer o discurso, Seguro está a cavar a sua própria sepultura. Querer o poder a todo o custo, pensando apenas nos interesses partidários e não nos do país, pode sair caro ao actual secretário-geral. O outro problema que pode baralhar as contas de Seguro tem a ver com a questão da maioria absoluta. Nunca o PS vencerá sozinho e por isso pergunta-se quem o vai acompanhar no Governo. Os portugueses não querem PCP nem BE, pelo que só resta CDS e PSD. Os centristas estarão fora de jogo, e o PSD só fará maioria caso o Presidente da Republica obrigue.

Perante isto, Seguro está a jogar mal ao endurecer o discurso e já estar a pensar em eleições antecipadas, até porque já estando Costa a trabalhar nos bastidores, seis meses são suficientes para tomar de assalto o Largo do Rato. E com o actual Presidente da Câmara de Lisboa no poder, é mais fácil convencer BE e PCP.

É óbvio que o líder do PS não pensou nestas consequências, porque se assim o fosse não estaria contra a extinção de freguesias e as privatizações. São estas demagogias que levam alguns políticos de qualidade a transformarem-se em maus líderes partidários. A ânsia pelo poder e a certeza que ele está próximo tolham qualquer realidade. O que Seguro não percebeu ainda é que Cavaco Silva nunca dissolverá a Assembleia da República, porque pura e simplesmente não há oposição neste país.

1 comentário:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Uma analise contemporânea.
Pessoalmente e parece-me pelo que ouço que os nossos políticos estão todos de olho no tacho cada um por si e as eleições tem sido para eleger um primeiro ministro bem falante mas mentiroso quanto baste.
Sendo assim o descrédito é cada dia maior e a abstenção crescente.
Parece que a obrigação primeira do Presidente da Republica não é de mandar recadinhos no facebook, mas de obrigar os partidos a apresentarem um projecto de governo com linhas bem definidas para não andarem a brincar com os portugueses fazendo cortes sucessivos aos mais fracos e indefesos.
É tempo de todos os partidos fazerem um programa não para quatro ou cinco anos mas para dez anos ou mais e ganhe quem ganhar, o P da Républica deverá obriga-los a cumprir o programa seja qual for o partido que ganhe as eleições

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