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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Ideias Políticas: Um Parlamento com quantos partidos. XIV

O nosso sistema partidário é multipartidário. Não é nem de longe nem de perto um sistema bipartidário, apesar de só terem chegado governo no nosso país dois partidos: o PS e o PSD. É um facto que um CDS já esteve no executivo, no entanto os centristas nunca serão um partido que conseguirá formar um governo sozinho.

Ao contrário do que acontece em Inglaterra e nos Estados Unidos, o sistema político português vive das diferenças das várias forças políticas mas também das tradições que permitiram o seu nascimento. Seria impossível que em Portugal se adoptasse o método britânico e americano. Porque as culturas são outras e no nosso país existem várias sensibilidades políticas que a história encarregou de implementar. Era impensável que de repente, só houvesse a possibilidade de votar em dois partidos nas eleições gerais. Em meu entender, isso traria desinteresse e falta de debate político. É bom não esquecer, que mesmo com maioria absoluta, o partido do governo nunca tem garantida a implementação das suas políticas sem a dura oposição dos outros partidos. Não é pela maioria dos votos que a nossa política se torna desinteressante e o partido maioritário governo o país de forma imperial. Isso nunca aconteceu e provavelmente nunca sucederá.


Se ter poucos partidos não ajuda, já um Parlamento com mais do que cinco ou seis forças é suicídio. Isso leva a que seja mais difícil a formação de uma maioria, o que trará uma instabilidade política gritante e « poderá complicar a governação, pelo facto de ser necessário estabelecer vários acordos ao longo do mandato. Não seria benéfico para o parlamento ter mais do que os cinco partidos que tem actualmente, devido a razões geográficas mas também de cariz político.

Em meu entender, um país tem que ter estabilidade política mas sem que haja perpetuação no poder e neste aspecto, o sistema parlamentar português é equilibrado, porque permite alternâncias no poder de oito em oito anos. Na nossa história, só o PSD teve 10 anos no poder enquanto que o PS o máximo que conseguiu foi 6. É natural que exista um certo desgaste ao fim de tanto tempo e que as pessoas queiram mudar. Normalmente a mudança ocorre quando paira no ar um período de crise económica. 

Na minha opinião, a nossa representatividade parlamentar é a correcta. Não tem poucos partidos, apesar de PS e PSD estarem em maioria, mas como afirmei atrás, CDS, PCP e BE quando estão na oposição, nunca foram forças menores e com pouca força, antes pelo contrário. Os mais pequenos sempre foram importantes na luta contra esta alternância que se tem verificado. PS e PSD são os dois maiores partidos, mas que precisam dos outros para competirem. No entanto, acho que falta uma força que dê ao PS possibilidade de fazer maioria, à semelhança do que acontece com o PSD quando não tem alternativa. Deveria haver um partido mais à esquerda do PS que fosse menos radical e tivesse posições políticas "parecidas" com os socialistas. Contudo, a inclusão de um sexto partido no Parlamento traria alguma instabilidade. Acho que cinco partidos é o número indicado para evitar alguns problemas referidos atrás. Não imagino um parlamento parecido com o alemã, grego ou espanhol. Isso não seria benéfico para a estabilidade política....

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