quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Demasiado optimista face à realidade

Passos Coelho apresentou ontem um discurso optimista na sua mensagem de Natal. Na minha opinião, foi optimista demais em relação ao que vai ser o próximo ano. Com este enorme aumento de impostos, ninguém vai ter razões para sorrir, até porque os serviços básicos também vão sofrer alterações. Todos os anos a história repete-se e não há maneira de sermos presenteados com reduções de preços.

O próximo ano que se segue será difícil mas pior que isso é a incerteza que vai pairar durante todo o ano, especialmente no que diz respeito a dois aspectos: Será que Portugal vai conseguir regressar aos mercados e se isso terá implicações na nossa vida. O outro aspecto tem a ver com as eleições na Alemanha. Já defendi que uma derrota de Merkel trará uma equidade na aplicação do programa, mas será que isso não implica o fechar da torneira? 

No entanto já sabemos de algumas coisas que vão acontecer: as metas do défice e da recessão não serão alcançadas, pelo que haverá um enorme burburinho à volta deste assunto. A oposição já pensa em eleições e no próximo ano recordará este tema diariamente, tendo Cavaco Silva a bomba atómica nas mãos. Não acredito que o PR demita o governo porque Gaspar falhou nas previsões e além do mais não há alternativa política e económica possível.

Acho que Passos Coelho não devia ter prometido um futuro próspero para todos, porque todas estas incertezas levam à desconfiança dos consumidores e investidores. É incrível como muitos deixam de fazer planos por não saber se vai ser necessário uma corrida louca aos depósitos. Se fosse PM teria optado por não iludir muitos os portugueses, preferindo um discurso prudente e de bom senso, contudo acho que Passos Coelho tentou passar uma mensagem de esperança, o que é sempre bom nestes momentos.

Resta-me esperar que aquilo em que o PM acredita seja de facto o que realmente vai acontecer.

6 comentários:

Fernando Vasconcelos disse...

Pois Francisco o problema é que não existe mesmo alternativa politica credível em relação a isso estamos falados. O outro ainda consegue ser pior, o que me faz perguntar? E como é que isso é possível? Eu recusei-me a ouvir o discurso do nosso primeiro ministro. Quando quero ver ficção prefiro a Guerra das Estrelas ou o Sr. dos Aneis. Pelo menos nesses sabemos que são efeitos especiais e que os Elfos são mesmo fantasia e que deitar o anel no fogo de Mordor resolverá o problema. Por aqui enquanto persistirmos na superficialidade das soluções ignorando o problema real global (e não apenas português) estamos apenas a escrever mais um capitulo de uma outra história de ficção que vai infelizmente acabar mal.

Francisco Castelo Branco disse...

Em relação à politica, é uma realidade.

Aqui coloco em causa o mundo maravilhoso que o PM ilustrou quando a crise acabar. No entanto, penso que Passos Coelho acredita com que estas reformas o país vai funcionar melhor e seremos mais ricos. Se isso é verdade ou não só mais tarde é que saberemos.

Acho que PPC devia ter incidido a sua mensagem mais nos desafios de 2013 e nas dúvidas que durante o ano vão surgir. Penso que a realização das eleições na Alemanha como factor decisivo para o futuro da Europa e de portugal é pouco explorado pelo PM, mas também pela oposição como forma de fazer política

Observador disse...

A conversa em família - ou foi um discurso? - de Coelho foi, nem mais nem menos, que uma forma natalícia de se mostrar aos portugueses.

Só ouvi a conversa/discurso em diferido e não consegui ouvir tudo.

Demasiado dejà vue de quem está à rasca e não sabe se há-de c***r ou dar corda ao relógio.

O que irá acontecer? Nem ele sabe.
Talvez Gaspar tenha umas 'luzes' mas muito ténues.

Francisco Castelo Branco disse...

Acho que Passos Coelho pensa que depois da crise irems viver todos maravilhosamente. No entanto, a saída da troika não significa prosperidade para o país.

FireHead disse...

No Japão, que é um país "muito à frente" e "super desenvolvido", foi eleito um novo governo. Tratou-se do sétimo primeiro-ministro em... seis anos. Crise política aqui em Portugal, haverá?

Francisco Castelo Branco disse...

Não creio, até porque no segundo semestre esperam-se melhorias. mas a oposição vai-se bater por eleições antecipadas

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