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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Sobre as cartas de amor entre PS e PSD

O Governo convidou o PS para fazer parte da "refundação" ou "reforma" do Estado que Marques Mendes antecipou no seu programa semanal na TVI 24. A carta foi devidamente mediatizada até pelo próprio líder do PS que veio logo a terreno afirmar que não mudava uma linha do seu pensamento. 
Ora sabemos que a posição de Seguro e do PS está condicionada pelo memorando da troika que o próprio Partido Socialista negociou. É curioso que ainda não ouvimos Seguro a dizer que jamais teria assinado este acordo troikiano. Se assim fizesse, o líder do PS teria mais legitimidade para estar sempre contra tudo e mais alguma coisa.
O PSD/CDS fez bem em chamar o maior partido da oposição a um tema que vai mexer não só com a vida dos portugueses mas também com a definição de Estado. Estando no poder, o executivo poderia muito bem seguir o caminho sozinho, no entanto mais uma vez preferiu o diálogo e a junção de mais forças. 
No seu estilo habitual, Seguro optou mal por recusar em primeira linha esta proposta, até porque mais tarde veio a reconsiderá-la. Se o líder do PS decidiu dizer não em primeira instância a quente e depois rectificar a sua posição, então o PS tem de saber que tipo de secretário geral quer. Mais tarde, e na minha opinião muito bem, António José Seguro veio aceitar as  propostas do governo, mas sem que haja uma "trituração" do Estado social.  Novamente, e mal na minha opinião, Seguro vem colocar condições à aceitação de um acordo. 
O governo esteve muito bem ao não discriminar ninguém, até porque esta alteração pode exigir uma revisão da Constituição e aí é necessário os votos do PS. O líder do PS mais uma vez, andou mal ao sabor do seu temperamento político. O problema é que ainda ninguém sabe o que é que Seguro pode trazer ao país em alternativa ao programa da troikam, preferindo uma via populista e radical para conseguir ganhar votos num momento complicado para o governo. Contudo, é por estas indefinições que Seguro não sobe nas sondagens e se formos a eleições é mais do mesmo, não ficando o problema político resolvido. Quem não se lembra da fuga de Durão para Bruxelas? Sampaio teve de chamar Santana Lopes sem este ir a eleições porque Ferro Rodrigues era um desastre. 
Em relação às cartas entre os dois partidos, é pouco saudável que se discuta problemas amorosos na comunicação social. Ao ter "aberto" a carta aos seus fans no Facebook, Seguro demonstrou uma falta de respeito pela confidencialidade que as cartas merecem ter.


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