quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Os crentes na democracia

A palavra "crente" está associada a alguém que acredita numa religião, ou mesmo não acreditando 100%, tem fé em alguma coisa. Aqueles que se dizem ateus, agnósticos, que não praticam nenhuma religião ou que simplesmente afirmam que não são têm religião porque são do Benfica, estão a mentir. A fé é algo que move o ser humano independentemente da religião. Essa mesma fé é algo a que nós nos agarramos para obtermos aquilo que queremos. Ao fazermos isto estamos a depositar noutra entidade, em algo espiritual que é mais poderoso que nós, o sucesso dos nossos desejos. Não é por acaso que falamos em milagre para qualificar situações que dificilmente conseguimos alcançar. 

Por isto é que todos somos crentes porque acreditamos em algo. Pode não ser numa força transcendente ou a ideias, mas estamos agarrados às nossas próprias convicções embora esperançados numa ajuda invisível. 

É por esta característica que somos um povo muito crente e ligado à religião, seja em Portugal ou no resto do mundo. As religiões sempre tiveram um papel fundamental no desenvolvimento da sociedade mas também no crescimento das Instituições. Não é por acaso que esta importância das religiões no Mundo deu origem a vários conflitos sobejamente conhecidos. 

Com o passar dos anos e com a natural evolução da sociedade, a religião tende a perder adeptos sobretudo nos mais novos. Com os novos meios de acesso à informação, as múltiplas formas de obter a mensagem fez com que a prática reiterada e contínua não se limite apenas aos ensinamentos religiosos. É relevante salientar um aspecto político importante. A abertura de portas a outras religiões, fez com que cada Estado não fosse identificado por uma religião em concreto, além do mais a mistura de várias culturas no mesmo espaço abriu a possibilidade de se tratar tudo por igual e não havendo uma religião dominante é preferível "não ser de nenhuma"....

Por vezes fazem-se estudos sobre a percentagem de católicos no nosso país, daqueles que não têm religião nem são do Benfica e os que professam outras espiritualidades. No entanto, este tipo de inquéritos deveriam incluir uma nova modalidade: ainda acredita na democracia? era a pergunta que deveria ser feita....

Se esta pergunta fosse feita à 38 anos, haveria uma maioria positiva sem qualquer tipo de dúvida. O cansaço da ditadura levou a um desejo profundo pela mudança para o regime democrático. Não havia dúvida que era esse o caminho. Contudo, acho que a resposta hoje seria muito diferente e com tendência para o não. E digo isto em relação a Portugal bem como no resto da Europa e talvez alargava o meu pensamento para o Mundo em geral. 

Não há dúvidas que é o sistema democrático que fornece os melhores instrumentos para que todos atinjam a satisfação pessoal e profissional no que à conquista dos direitos diz respeito. Como em todos os sistemas, a democracia tem falhas e como tal devem ser corrigidas por quem tem responsabilidades. É curioso que no sistema em que vivemos tanto os eleitores como os eleitos são responsáveis pelas debilidades apresentadas. Se repararmos nunca chegamos à conclusão de quem é a maior dose de responsabilidade. 

Considero que nos dias de hoje são poucos os crentes na democracia, mas voltar à ditadura não é a solução mais desejável, pelo que é imprescindível encontrar um modelo diferente e que responda aos problemas que a república democrática não consegue responder. Em meu entender, tudo na vida tem um ciclo e quando começa a instabilidade económica, social e política é porque o sistema está a dar as ultimas. 

Sou daqueles que acredita na democracia e nas virtudes deste sistema, mas muito há que melhorar para que este volte a ser um sistema forte e que corresponda às necessidades dos cidadãos, não protegendo apenas aqueles que se perpetuam no poder. Este apego ao poder dos representantes que dura anos e a falta de transparência são dois problemas que urge resolver para que não haja revoltas dentro dos próprios Estados.  Na minha opinião alterações neste dois domínios restabelecia a confiança necessária para que a democracia voltasse a ser aceite pelos seus "praticantes".


2 comentários:

Rui da Bica disse...

Sempre muito pertinentes as suas análises !
Curiosamente ainda hoje fiz este comentário num outro blog em que se faziam muitas queixas de vários tipos :

"O que eu acho é que nós vivemos numa "mentira" !
Afinal, o que acontece é que o povo português não quer uma democracia e prefere uma ditadura.
Todos glorificamos o 25 de Abril ! ... Finalmente vamos ter Democracia ! ... Acontece é que ninguém está disposto a aceitar as suas regras ! ... então em que é que ficamos ?...
.

Francisco Castelo Branco disse...

Se as pessoas cantam as musicas de Abril nos dias que corre é porque não querem voltar à ditadura.

Querem alguma coisa nova. Mas isso é algo que nós queremos ha muito tempo. Resta saber é o que...

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