domingo, 11 de novembro de 2012

Olhar a Semana - Um país diferente

A crise que assola o país poderá ter dois rumos: ou conseguimos sair dela e mandamos a troika de volta para casa definitivamente ou então seguimos o exemplo da Grécia e saímos do Euro, também de forma definitiva.  Se a primeira solução se concretizar, ficamos todos felizes e voltamos à nossa politiquice e intrigas do costume. Ao invés, se o nosso destino for a bancarrota teremos de continuar os sacrifícios e mudar radicalmente de vida. Não só as pessoas mas o próprio funcionamento das instituições. 

Independentemente do caminho que for seguido, Portugal vai ser um país diferente mesmo com as intrigas do costume. Aliás, a própria crise é uma oportunidade única para se mudarem velhos hábitos e construir novos rumos. No fundo é isso que se está a tentar fazer em Portugal mas também na Europa. Enquanto que por cá se fala em Refundação do Estado, lá por fora o Federalismo é cada vez mais uma certeza. Em meu entender, deve-se aproveitar esta oportunidade para mudar. As instituições estão obsoletas e já não respondem aos novos desafios. O próprio sistema em si já não garante igualdade e liberdade, dois princípios fundamentais das democracias modernas. Mais importante que mudar as instituições e o sistema é alterar mentalidades. E não se pense que nos referimos apenas a quem nos governa, porque no meu entendimento o problema está naqueles que são governados.

Mudar as mentalidades leva tempo e requer trabalho, pelo que cabe a quem tem o poder, de dar o primeiro passo. Esse passo está a ser dado com o envolvimento de uma reforma das Instituições. Começando pela Constituição e acabando na Junta de Freguesia. Neste ponto o governo tem feito mal ao começar pela reforma das freguesias e não alterando a Constituição. Pessoalmente, acho que uma das primeiras medidas do governo devia ser propor a alteração da Constituição. No entanto, Passos Coelho mal teve tempo de respirar. É este velho hábito português de começar a casa pelo telhado que tem levado ao descontentamento popular. 


Muito se tem falado num retorno às ditaduras. Discordo totalmente que isso vá acontecer, até porque o problema não está no regime. Voltar aos regimes ditatoriais seria dar um passo atrás, para a Europa e também em Portugal. Contudo, não é isso que vai suceder. Ainda não sabemos o que vai suceder daqui para a frente, mas certamente será algo novo e diferente, talvez com os poderes do Estado, legislativo, executivo e judicial repartido por várias entidades que estarão dependentes de uma só pessoa. Uma solução parecida com os Estados Unidos, não me parece uma boa ideia já que a Europa tem culturas distintas que devem ser preservadas. No entanto, os direitos e deveres tenderão a ser europeus e não exclusivamente nacionais. Haverá por certo uma maior aproximação entre os diferentes povos. 



2 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Olhe que, por falar em mudar de vida, a Isabel Jonet tem levado pancada de criar bicho.
Dá-me a sensação que está tudo doido!!

Observador disse...

Numa frase direi que muita coisa vai acontecer.
E não me refiro (eheheh) ao 21 de Dezembro.

Amigo Pedro, ela pôs-se a jeito e esqueceu o (seu - dela) passado.

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