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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Nem para a Direita nem para a Esquerda

António José Seguro está metido numa embrulhada política de todo o tamanho, estando a ser disputado  pela Direita e  pela esquerda.
O governo insiste em trazer o PS para a questão da refundação do Memorando da troika ou por outras palavras, mexer no Estado social. Para o PSD-CDS é essencial que o PS participe nesta reforma do Estado para que haja consenso político e social mas também para preparar os socialistas quando estiverem no governo. Ou seja, o compromisso tem de ser alargado ao PS para que este dê seguimento ao plano estabelecido. Neste campo, o governo tem um trunfo muito importante. A assinatura socialista ao memorando deve obrigar Seguro a aceitar a proposta do executivo mesmo que esteja contrariado. As reformas têm de ser feitas independentemente da cor que esteja no governo, porque senão não há subsistência social e económica em Portugal. A jogada do PSD é vincular em definitivo o PS ao memorando da troika, não dando muita margem de manobra para Seguro criticar as opções do governo. 

Do outro lado está a esquerda que chama pelo PS. BE e PCP querem rasgar o memorando da troika, mas para isso precisam do apoio dos socialistas. Sem o PS, BE e PCP nunca conseguirão vencer o governo nem a troika. Só a convergência das esquerdas acabará com a austeridade cega e nos leva para uma renegociação da dívida, pelo que é imprescindível que Seguro se alie com o comunistas e bloquistas. Nunca o PS fez alianças parlamentares nem municipais com estes dois partidos, mas como se costuma dizer "há sempre uma primeira vez para tudo". Além do mais, é público que Seguro tem divergências com a política seguida por Merkel, pelo que seria uma oportunidade única para que o líder do PS se juntasse às vozes contra a ditadura alemã  No entanto, aceitar o repto dos dois partidos seria quebrar os compromissos negociados e assumidos. Ao ter esta atitude, o PS poderia ser penalizado em eleições por ser responsável de uma crise política que levaria o país a um inevitável segundo resgate que teria como consequência ainda mais austeridade. Apesar de existirem alguns sectores do PS que estão a favor desta ideia, não seria uma jogada inteligente rasgar o memorando e ir para o governo numa situação pior do que aquela em que estamos, até porque o PS nunca obteria maioria absoluta e governar com BE e PCP seria completamente inexequível. Se nem nas Câmaras Municipais isso é viável quanto mais no Governo central. 

Em meu entender, Seguro não vai dar o braço nem à direita nem à esquerda e irá ficar numa posição de neutralidade, para que no futuro possa ganhar politicamente com esta opção. Se participar na refundação do Estado está a ajudar o governo, e ideologicamente isso seria mal visto por estar a dar cabo do Estado Social. Embora isso não seja verdade, o discurso de Seguro tem sido sempre de culpar Passos Coelho por querer destruir o Estado social, pelo que dar a mão ao governo nesta questão seria estar em contradição com tudo aquilo que foi dito até ao momento. O problema é que Seguro tem estado muitas vezes em contradição, não sabendo muito bem por onde ir. O líder do PS tem ainda outra questão para resolver que se chama grupo parlamentar e António Costa. Uma qualquer ajuda que fosse iria agitar estes dois elementos difíceis de controlar por parte de Seguro e da sua equipa.

Não podendo virar-se para a direita, o secretário-geral também não irá aliar-se à esquerda. PCP e BE nunca foram aliados do PS e não é agora que irão ser. Mais importante é a credibilidade do partido socialista. Rasgar o memorando da troika dará cabo da imagem do PS cá dentro mas também lá por fora. Ainda para mais, Seguro não está com vontade de provocar instabilidade social no nosso país, pelo que não irá de maneira nenhuma participar na convergência de esquerda, além do mais não terá a dignidade suficiente para "aceitar" um convite de dois pequenos partidos. Se fosse o PS a convidar BE e PCP seria mais lógico, agora o contrário é que não. 

Na minha opinião, nenhum dos convites feitos merecerá uma resposta positiva por parte do secretário-geral do PS, embora considere que Seguro deveria participar na refundação do Estado até para evitar excessos por parte da direita, no entanto não será desta que o PS colocará os interesses do país acima dos interesses partidários.

2 comentários:

Observador disse...

Uma nova palavra foi criada no vocabulário: refundação.
E eu que começo a sentir-me refo****!

Não tenho pachorra.

Francisco Castelo Branco disse...

lol essa é boa

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