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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ir ao Gabão passear

Na ultima quarta feira, enquanto o país assistia às primeiras cenas de violência frente à AR, outro acontecimento de relevância se estava a desenrolar. O jogo da selecção nacional de futebol no Gabão. Ora, só mesmo por uma verba financeira extraordinária é que Portugal iria ao Gabão jogar um particular. É verdade que nesta altura, todas as selecções aproveitam para fazer jogos amigáveis, no entanto esta deslocação não tem o mínimo sentido, a não ser pela questão financeira.

A importância do jogo revelou-se pela falta de atitude demonstrada pelos nossos jogadores que empataram a duas bolas, e já lá vão 3 jogos consecutivos sem Paulo Bento conseguir uma vitória. Por muito menos Carlos Queiroz foi despedido, sendo que os empates do actual seleccionador foram contra a Irlanda do Norte em casa e agora no Gabão. 

Sendo a federação uma entidade de utilidade pública espera-se que os custos resultantes da viagem possam trazer benefícios. E em futebol, os benefícios são apenas os resultados, já que o país não vai melhorar economicamente por causa de um jogo. 

Tal como acontece em relação ao governo, o estado de graça do actual seleccionador parece estar a acabar. A excelente campanha no Euro 2012, só nos trouxe uma vitória tranquila contra o Azerbaijão  já que a estreia frente ao Luxemburgo foi sofrida e até estivemos a perder. De então para cá, 2 empates contra equipas menores e uma derrota normal na Rússia  Agora o actual seleccionador decidiu-se pegar com Pinto da Costa. Neste momento frágil não é essa a melhor solução que Paulo Bento toma. 

Sempre duvidei das capacidades de Bento e nunca gostei do futebol praticado por Portugal, em especial no Euro 2012. Mas isto é há anos, não vem de agora. No entanto, com Paulo Bento criou-se uma ideia de "renascimento" da Selecção que a boa campanha desportiva no Euro Polaco-ucraniano ajudou. Falo em campanha desportiva e não futebolística, porque o futebol praticado foi de qualidade dúbia, embora tivesse momentos de rasgo. Desde o Mundial da Alemanha que Portugal não consegue ter uma qualificação tranquila, mas isso não tem a ver só com questões de seleccionador. Em termos estruturais é preciso mudar o futebol português. 


2 comentários:

Observador disse...

Caríssimo

Sabe qual foi a "...verba financeira extraordinária ..."?
800 mil euros.
Isso mesmo, leu bem. Disso nos deu conhecimento Humberto Coelho, dirigente da FPF.

A 'guerrilha' entre Pinto da Costa e Paulo Bento era escusada. Um disse coisas, como é costume, o outro respondeu nada, o habitual.

Também quase me divorciei da que deveria ser a selecção de todos nós.

É que esta coisa de andar sempre com a máquina de calcular às costas dá cabo dos nervos a qualquer um.

Depois, falta classe. Os meninos milionários parece estarem a fazer um frete em vez de se orgulharem de ser os escolhidos para representar o País.

Este disparatado - em todos os sentidos - jogo no Gabão, não passa pela cabeça de ninguém.

Mudança imediata, exige-se.

Francisco Castelo Branco disse...

mas é como o governo - também não há alternativas

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