quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Dores de crescimento?



O facto de Macau se ter tornado na capital mundial do Jogo, destronando Las Vegas, entretanto também já ultrapassada por Singapura, é já de todos conhecido.
As receitas do sector do Jogo atingiram em Outubro um novo recorde, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 27 000 milhões de patacas (para converter em euros basta dividir por 10).
No final do mês de Outubro, apenas em receitas provenientes do Jogo, o Executivo de Macau já havia arrecadado mais de 220 000 milhões de patacas.
São números impressionantes, esmagadores.
Mas perversos.
E perversos porque escondem uma gritantemente injusta distribuição de riqueza, uma inflacção praticamente incontrolada, uma perda de poder de compra e de qualidade de vida sentida pela grande maioria dos cidadãos.
Para alimentar o monstro em que se tornou o sector do Jogo em Macau, a cidade recebe milhões de visitantes, todos os dias, sem para isso estar preparada em termos de infra-estruturas e de recursos humanos.
A poluição aumenta, o espaço urbano, já de si reduzido, torna-se exíguo, quase insuportável.
E a inflacção dispara.
A título de exemplo, comparando os preços da habitação entre Outubro de 2011 com os do mês que agora findou, temos uma subida incrível de 127 por cento!
Assim, o preço médio da habitação, no território, é agora de 62 552 patacas  por metro quadrado, assim distribuído:
Macau - 56 548 patacas; Taipa - 72 837 patacas; Coloane - 83 930 patacas; tudo números oficiais (Direcção dos Serviços de Finanças).
O mesmo acontece com a alimentação e bebidas, com o vestuário, em boa verdade com todos os bens de primeira necessidade.
O brilho dos néons, o glamour dos grandes hotéis e casinos, as brutais receitas da Administração, realidades que impressionam quem vive fora de Macau, escondem outras realidades, estas bem menos agradáveis, que afectam o dia a dia de quem aqui vive.
Dores de crescimento.
Finalmente sei, exactamente, o que significa a tão conhecida expressão.

6 comentários:

FireHead disse...

Infelizmente parece que a tendência é para piorar. Macau já deixou de ser o paraíso que era, mas ainda assim creio que continua a valer a pena estar aí (comparando com Portugal) e uma vez que eu aí sempre tenho onde ficar porque tenho família aí, aliado ao facto de ser macaense - logo é uma vantagem sobre qualquer não-macaense -, creio que vou mesmo ter de aproveitar. Muitos macaenses que estavam cá já voltaram.

Macau por um lado demonstra opulência, por outro esconde muita miséria. Afinal de contas, a economia é sustentada pelo jogo, uma coisa que por sua vez se sustenta muitas vezes no vício, com todos os seus efeitos colaterais, mas isso é uma outra história...

Pedro Coimbra disse...

FireHead,
Com todos os defeitos, nao trocava Macau por nada.
Mas e nossa obrigação, sobretudo dos que amam Macau, apontar esses defeitos.
Sempre me irritou a expressão " e a terra deles..."
Deles uma porra!
Minha também que sou residente permanente e gosto muito de Macau.

Se tem alojamento, nao e de hesitar.
Até porque, desemprego, e algo que nao há.
O que existe, marginal, e estrutural - gente que nao quer trabalhar ou nao esta habilitada a tal.

Francisco Castelo Branco disse...

Entao macau e um bom sitio para emigrar?

Pedro Coimbra disse...

Ainda assim e, Francisco.
Porque quem para aqui vem (acabam de chegar um serie de médicos portugueses) tem direito a casa, porque e seguro, porque fica tudo pertinho, porque o stress e reduzido, porque o nível salarial e bom (muito bom quando comparado com Portugal).
Mas podia, e devia, ser melhor.
Eu gosto muito de Macau.
Por isso mesmo, nao me canso de apontar o que esta errado e nao devia estar.

AFRODITE disse...

Não sei se alguma vez conseguiria aprender a viver aqui...


Beijinho
(^^)

Pedro Coimbra disse...

Estes são os aspectos negativos, Afrodite.
Tem muitos positivos também.

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