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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Aprendam com os portugueses

O Chicago Tribune critica o Presidente francês François Hollande e aponta os portugueses como modelo a seguir. Diz o jornal que é "Yet it is precisely to Portugal that Hollande should look for an example of the resolve he needs. Avança mesmo que quando Merkel esteve cá reconheceu que Portugal tinha condições para crescer, falando mesmo em corajosa acção por parte do governo.

Este mimo dado pelos norte-americanos é importante para a nossa auto-estima mas prejudicial para os socialistas, em particular para o Presidente francês. No fundo, o que o jornal quer demonstrar são duas coisas muito simples:

Por um lado, a receita socialista é sempre a mesma seja em que lado for  Hollande prometeu o paraíso antes de ser eleito, no entanto o caminho parece ser o da austeridade dura e pura, pelo que não é de estranhar que a França entre em declínio económico muito em breve, como prevê o Chicago Tribune. Em Portugal aconteceu o mesmo pelo facto de Socrates ter preferido também uma política de austeridade cega logo no inicio da crise. O resultado foi o que nós vimos. O que a maioria dos governos está a fazer é equilibrar o que os socialistas deixaram desequilibrado. Infelizmente serão estes governos que sofrerão na pele (leia-se eleições) a austeridade que agora é necessário executar. A cultura de aumentar os impostos é igual em França, Portugal, Espanha ou noutro país que tenha no poder partidos socialistas ou sociais-democratas. É uma tradição que atravessa a mentalidade e a raiz ideológica destes partidos. A receita é sempre a mesma, não há volta a dar.

Por outro lado, o Chicago Tribune elogia o esforço dos portugueses. Diz mesmo que quando as contas estiveram na ordem vamos crescer de forma sustentada. Ao defender as medidas do governo, os americanos estão a favor do governo liberal e dos seus métodos. Ou seja, é preciso reequilibrar as contas, haver austeridade para que se possa "atacar" o mercado e crescer. Sem que haja uma redução e controlo da despesa, não se consegue implementar medidas de crescimento que tenham efeito imediato. 

Não sou a favor de uma austeridade cega ou religiosa, no entanto aqueles que criticam este governo e que afirmam que está a destruir a economia do país, não percebe os excessos que foram cometidos no passado. O buraco é tão grande que não havia outro caminho que não este. É certo que o aumento de impostos é gigantesco, contudo enquanto o plano de redução da despesa não entrar em vigor, terá de ser pela receita que se conseguirão os lucros para abater o défice. É aqui que entra mais uma vez a discussão do Chicago Tribune. Enquanto que para uns tudo está bem e não é preciso mudar, para outros senão houver mudança o país e a sociedade entram em ruptura, porque a relação entre a sociedade e as instituições deterioram-se a cada dia que passa. 

É por isto que é necessário redefinir as funções do Estado, principalmente saber se cabe ao Estado garantir única e exclusivamente as funções sociais. Aqui existe uma diferença ideológica que merece outro post, no entanto se é para manter o Estado social que seja com contas equilibradas. É aí que o Chicago Tribune quer chegar no meu entender. 

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