domingo, 4 de novembro de 2012

15.5. Guerra civil ou o jogo das grandes potências

Portugal esteve, em determinados momentos, no meio do jogo das outras potências europeias. O período liberal não é excepção. Com o retorno de D. João VI em 1821 e a defesa da “terceira via” dos conselheiros moderados como Mouzinho da Silveira ou Palmela, já existem sinais de que a Santa Aliança exercia pressões diplomáticas em Portugal para que o nosso novo regime não se “radicalizasse”. São conhecidas as pressões da diplomacia francesa contra o modelo da Carta Constitucional que, paradoxalmente, acompanhava a Carta francesa de 1815. Aliás a Vilanfracada de 1823 demonstra como o mesmo sistema representativo que defendiam a Inglaterra e a França não servia a Portugal segundo esses mesmos países. Os interesses da Santa Aliança estendiam-se a Espanha, para onde não interessava exportar o sistema representativo e as liberdades do novo liberalismo.
O entendimento austro-britânico apoia as cortes onde é aclamado rei D. Miguel, à boa maneira do Portugal absolutista. Logo no ano seguinte, Almeida Garrett publica Portugal na Balança da Europa, uma descrição do espaço de Portugal entre as grandes potências europeias mas também uma elegia ao que devemos ser nesse espaço. No entanto, o miguelismo e a própria guerra civil seguriam os ditames dessas mesmas potências. Logo em 1831, o miguelismo vai perdendo apoios na Europa quando também mudam as alianças dentro do bloco das grandes potências. Wellington sai do governo inglês e a revolta do 10 de Julho em França precipitam o desejo de um Espanha liberal contra o velho carlismo ainda há pouco tempo defendido diplomática e militarmente. É também a própria guerra civil, imposta de fora, que nos leva a endividar forte e feio. D. Pedro e os pedristas endividam-se junto a um banqueiro francês e está, assim, desenhado o novo mapa das velhas dependências nacionais.   

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