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domingo, 21 de outubro de 2012

Olhar a Semana - A velha AD nunca funcionará

A imagem revela Passos Coelho e Paulo Portas no dia em que assinaram o pacto "Maioria para a Mudança", que resultou das eleições legislativas de 2011. Hoje esta imagem pode-se considerar desajustada do tempo, mas o que se pretende saber é porque razão os dois partidos que estes senhores lideram não se conseguem entender quando estão no governo apesar de estarem situados no mesmo campo político.

A AD foi uma força político que concorreu às legislativas de 1979 e 1980 para vencer as eleições num período complicado em Portugal. 
No entanto esta coligação nunca mais teve sucesso. Quando Marcelo lutava contra Guterres desfez uma coligação pré-eleitoral com Paulo Portas, acabando depois por ter saído do partido. No governo de Durão Barroso/Santana Lopes, e tendo Portas como protagonista do CDS, o governo não se aguentou mais de três anos....
Pela terceira vez, os dois partidos formam uma maioria parlamentar e um ano e meio volvido, a aliança parece estar novamente em risco de ruir.

Estando PSD e CDS em campos políticos semelhantes era natural que os dois convivessem bem, já que as opções e as estratégias são praticamente as mesmas. Embora o PSD actue mais ao centro e também seja um partido de cariz social, a verdade é que na ultima década os sociais democratas foram um partido marcadamente de direita. Não sei se o problema desta "incompatibilidade" está relacionada com o actual lider do CDS, mas é estranho que haja sempre uma certa desconfiança entre os dois actores.

Outro problema tem a ver com a indefinição do CDS em se identificar ideologicamente. Ou seja, as principais linhas da sua governação não são bem visíveis e além do mais não se encaixam na tal linha social do PSD. Parece à partida que tanto CDS como PSD são compatíveis ideologicamente mas é mais aquilo que os separa do que aquilo que os une. Tanto nas prioridades sociais como nas questões relacionadas com as opções das pessoas. Em matéria de economia e sobre qual é o papel do Estado também são notórias as divergências. Os centristas sempre defenderam menos Estado e mais iniciativa privada enquanto o PSD ainda realça a importância do Estado como motor do desenvolvimento da nossa economia. 

Sendo o CDS um partido ligado à Direita tradicional e conservadora, não tem grande aceitação num partido muito ligado à paz, povo e liberdade. 
Esta diferença de valores e princípios é difícil de juntar num Governo que se queira sólido e unido. O interesse nacional não sobreviverá à dicotomia partidária. 

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