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domingo, 14 de outubro de 2012

Olhar a Semana - Há condições?



Portugal vive uma situação financeira muito complicada. As nossas contas públicas chegaram a um estado em que não é possível continuar com as mesmas políticas que governaram este país durante quase 20 anos. Não se pode apontar um único culpado porque foram muitos os que aplicaram a chamada “política do despesismo”, aproveitando o dinheiro que vinha da Europa. A década de 90 e o princípio do novo milénio foram anos de muito consumo. Anos mais tarde todos nós caímos na realidade……

Há quase ano e meio que vivemos sob ajuda financeira. Para que o cumprimento do programa de assistência financeira fosse aplicado com rigor e estabilidade, era muito importante que das eleições legislativas de 2011 saísse um governo maioritário. No entanto, o povo não deu maioria absoluta ao PSD e castigou de forma dura o PS.
Assim, o parceiro lógico dos sociais-democratas no futuro governo seria o CDS, até pela experiência de anos anteriores.
Contudo, e tal como sucedeu em outras ocasiões, as primeiras divergências fazem temer uma ruptura. Não só porque o perfil ideológico dos dois partidos será sempre diferente, mas também porque o caminho para cumprir o memorando é distinto. Apesar da estabilidade política estar sempre em primeiro lugar, nunca haverá um consenso quando as posições públicas dos dois partidos em relação a matérias como as privatizações e a carga fiscal aplicada estão em lados opostos. Nestes termos a cooperação institucional estará sempre presa por um fio e no fim quem fica a perder é o país, porque quanto mais tempo ficarmos sem saber se a coligação respira saúde, mais complicada se torna a nossa situação, até porque oposição é coisa que não existe neste momento.

Neste momento a questão que todos os portugueses colocam é se há condições políticas e sociais para cumprir com o programa de ajuda financeira. Ao sentiram que esta coligação não funciona, os portugueses protestam porque sentem que já não há um objectivo colectivo dentro deste governo.
O problema é que durante o cumprimento do memorando, a realização de eleições antecipadas não é um cenário agradável sob ponto de vista da confiança dos mercados. No entanto, a solução actual também não está a gerar confiança, pelo menos a nível social.
Enquanto o futuro é incerto tanto em Portugal como no resto da Europa a onda de contestação subirá de tom.
Então como resolver? Cabe ao Presidente da República decidir o que é melhor para o país.

2 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Parece-me óbvio que as condições que foram negociadas terão que ser renegociadas.
Não interessa a NINGUÉM que não se possa cumprir o prometido em virtude de completa asfixia do país.
A senhora Merkel vai visitar brevemente Portugal.
Uma boa ocasião para lhe ser dito isso mesmo.

Francisco Castelo Branco disse...

Sim em Novembro. Veremos que atitude mostram os nossos governantes e se Cavaco e Passos têm posturas distintas

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