quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Momentos Olhar Direito(2) : O ciclo social-democrata

Ainda o Olhar Direito dava os primeiros passos na blogosfera e já a liderança de Luis Filipe Menezes à frente do PSD era vista como uma coisa passageira. Quem havia votado no então autarca de Gaia contra Luis Marques Mendes, rapidamente se arrependeu e desejou a queda do então líder. 

O PSD vivia tempos conturbados na oposição. Depois da queda de Santana Lopes, sucederam-se os líderes, só que nenhum conseguiu vencer José Socrates mas também os inimigos internos. Consumada a queda de Marques Mendes, o então presidente cometeu o seu maior erro ao eleger Santana Lopes como lider da bancada parlamentar. Ora, não estando LFM em São Bento, (continuava em Gaia....), PSL tinha de tomar as rédeas do combate ao governo. De Menezes não se conhecia uma ideia para o país.
Rapidamente se constatou que esta solução era um desastre e não servia os interesses do PSD, de Menezes mas apenas e só de Santana Lopes que ganhava a notoriedade necessária para ser uma segunda vez candidato à liderança do PSD. 

Tirar Marques Mendes para colocar Luis Filipe Menezes foi um dos maiores erros do PSD. A honestidade perdeu a luta contra o populismo fácil e demagógico. A presidência de Menezes durou cerca de 7 meses e ainda hoje poucos se lembram da sua passagem pela São Caetano à Lapa. Porque acima de tudo, Menezes sempre preferiu estar em Gaia e o ser Presidente do Partido foi apenas um fetiche pessoal que por acaso correu bem, pura e simplesmente porque a mensagem de Marques Mendes não passou e na altura José Socrates estava muito forte politicamente.

As eleições de Maio 2008 trouxe a tão desejada mudança de liderança e políticas. No entanto, estas eleições foram marcadas por vários aspectos: foi o primeiro aparecimento de Passos Coelho, Pedro Santana Lopes percebeu finalmente que o partido não o queria mais, o surgimento da desejada Manuela Ferreira Leite e um candidato que se chamava Patinha Antão.

A vitória acabou por sorrir a Ferreira Leite, Passos Coelho começava a marcar terreno e finalmente Santana Lopes percebeu que era impossível voltar à liderança do PSD. Quanto a Patinha Antão nem um comentário.

Estas eleições marcaram o regresso da chamada nobreza do PSD ao poder, mas no fundo mais não era do que um voltar ao passado recente social-democrata. A surpresa foi mesmo Passos Coelho que no seu primeiro acto eleitoral ficou em segundo, à frente do outro Pedro. Após estas eleições foi importante perceber o quão Manuela Ferreira Leite não passava de um mito político.

A derrota nas eleições de 2009, ainda que tendo conseguido evitar a maioria absoluta do PS; foi o principio da queda de Ferreira Leite.Mesmo com novas eleições legislativas no horizonte, era necessário mudar.

Em 2010, o PSD foi novamente a votos com três candidatos de categoria: Aguiar Branco, Paulo Rangel e novamente Passos Coelho.
A novidade nesta corrida foi o facto de se ter realizado um congresso antes das directas, possibilitando aos militantes saber as ideias de todos os concorrentes.
Tendo sido uma eleição renhida, Passos Coelho venceu na sua segunda tentativa, apesar do aparelho partidário ter estado quase todo com Paulo Rangel, no entanto desta vez, o Coelho levou a água ao seu moinho. 

Um ano depois de ter chegado à liderança do PSD, Passos Coelho viria a tornar-se Primeiro-Ministro.

Esta foi a saga social-democrata nos últimos cinco anos. Conta-se como líderes desde então Marques Mendes, Luis Filipe Menezes, Manuela Ferreira Leite e Passos Coelho. Quase um líder por cada ano......
Foi um ciclo duro e dificil até chegar ao governo, no entanto o PSD perdeu muito do seu eleitorado para o CDS quer nas eleições de 2009 quer nas de 2011. Apesar da vitória em 2011, o PSD sozinho não conseguiu formar governo sozinho, o que é bem exemplificativo que foi mais Socrates que perdeu em 2011 e não o contrário......
Se repararamos bem, com quase dois anos na oposição, o PS ainda só conta um secretário-geral. 
Daqui podemos concluir que o PSD nos ultimos 15 anos teve pouco tempo no governo devido à sua pouca capacidade de se organizar enquanto é oposição.

2 comentários:

Diogo Agostinho disse...

Caro Francisco,

Costumo sempre acompanhar os teus pensamentos. Mas ao ler este teu ciclo social democrata, permite-me algumas observações...

Ora a tua constatação vai para o tempo de Marques Mendes e Menezes. Dizes tu que foi má a troca. Ok. Essa dou de barato, o que é certo é que nem um nem outro eram pessoas à altura do cargo, não estou a gozar com a altura de ninguém atenção!

Mas dizes que Santana Lopes ganhou notoriedade sendo Líder Parlamentar?? Mas a sério? Então um homem que tinha sido Primeiro-Ministro e Presidente de Câmara da Capital de Portugal precisava dessa "notoriedade"?

E não achas que foi a única altura em que José Sócrates teve um orador à altura enquanto foi Primeiro-Ministro?

Bem, prossegues na tua análise. Tudo ok sobre a análise Menezes e Mendes, mas dizes que em 2008 Santana Lopes percebeu que o Partudo não o queria mais... Mas lembraste das votações? É que me pareceu que os 3 candidatos tiveram na casa dos 30%... Quem queria o quê? Será que sem Passos Coelho, Santana Lopes não tinha ganho a Manuela Ferreira Leite? E sem Santana Lopes não teria Passos Coelho ganho?

3 candidatos na casa dos 30%, acho um pouco dificil esse cenário de rejeição...

Depois falas do mito político que foi Manuela Ferreira Leite... Pois. De facto, os barões tomaram conta. Mas então e esses barões não foram os mesmos que ajudaram a pôr Sócrates no poder? E não é que foram a aelições e puf...?

Podemos concluir que nos últimos 15 anos, o PSD governou 3. Por culpa própria é certo, mas também por culpa de muitos "militantes" que ajudaram e muito Sócrates. E no "amigo" Sampaio...

Não podia deixar de te dar este "outro olhar".

Um abraço

Francisco Castelo Branco disse...

Caro Diogo, muito me honras com as tuas leituras e (finalmente) um comentário.

Em relação a Mendes e Menezes, acho que o primeiro ainda fez algum trabalho. Pena que a mensagem não tenha passado de forma certa. Também convêm não esquecer que o PS e o país viviam tempos de vacas gordas....

Com a derrota nas eleições de 2005, Pedro Santana Lopes tinha de ter um espaço para voltar a restaurar a sua credibilidade política. Ora, quem errou foi Menezes que deu espaço a Santana Lopes e o este acabou por retirar protagonismo ao então lider. Não percebo como é que Menezes tendo como objectivo ser Presidente do PSD não largassse a câmara de Gaia e viesse para o Parlamento.

Santana Lopes escolheu bem o palco para daí a 7 meses voltar a ser candidato.

Em relação às eleições, não coloquei as percentagens, mas sendo verdade o que tu dizes, o que importa é quem ganha. Até porque para PSL ou era o primeiro lugar ou não era nada. Acho que Ferreira Leite venceria sempre,independentemente de um dos Pedros se ter retirado da corrida. Aquele era o momento Ferreira Leite. A "sucessora" de Cavaco tinha obrigatoriamente ir a eleições.

Quem perde acaba sempre por ser rejeitado. Ou melhor perde...

voltando atrás, acho que Socrates e PSL protagonizaram excelentes debates quinzenais.

Concordo que muitos militantes de base ou da dita "nobreza" ajudaram Socrates a manter-se e até vencer em 2009......

A questão é que se não fossem estes arranjinhos que elenquei e as constantes trocas de lideres o PS não tinha governado tanto tempo. Mas o passado já lá vai e o PSD pode agora ser uma força de poder constante, até porque na oposição, apesar da estabilidade; não parece haver grande confiança no seu lider.

já agora deixo-te uma questão: como explicas a estabilidade no PS enquanto oposição, em contradição com a instabilidade aqui analisada...









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