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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Momentos Olhar Direito (6): As mudanças na Europa

Nos últimos anos, a Europa sofreu uma enorme modificação a nível social, económico e político. No entanto, a crise veio acentuar essas mudanças, mas mais do que isso, mostrou o quão frágil ainda são as instituições europeia, nomeadamente a nível de lideranças. Os finais dos anos 90 foram marcados pelas lideranças fortes, sobretudo de Schroeder, Girac entre outros. Contudo, a entrada em cena de Merkel, Sarkozy, Zapatero, Socrates deu cabo disto tudo. 

Ao longo da existência deste espaço fomos dando conta dos passos que a Europa. No inicio ainda não havia crise, pelo que ainda não se levantavam inúmeras questões, mas era já uma evidência que havia questões por limar, principalmente na condução política. Quem é que é o rosto da política europeia? Quem é o "Presidente" da União? Durão Barroso? o orgão Conselho Europeu? Para que serve o Parlamento Europeu se a soberania dos Estados é um valor constitucionalmente consagrado? Para estas perguntas poucas respostas havia e hoje em dia ninguém é capaz de responder. 
Desde sempre que a UE sofreu da inexistência de um líder. Nunca houve um rosto vísivel e sempre que havia, era sempre tapado por algum Estado mais forte. Penso que são estas as razões porque o Reino Unido prefere ficar enfiado no seu canto......

A conclusão é simples: Apesar de viver uma grave financeira, a Europa há muito que não tem uma política definida e se quiser competir com os Estados Unidos e a China, tem de começar por aí. 

Em 2009, 2010 começou a crise na Europa com os pedidos de ajuda financeira por parte da Grécia e Irlanda. Após muitos anos de estabilidade, a UE e a Zona Euro tinham os primeiros problemas para resolver. Não se pense que são só os países da Zona Euro que são afectados pela crise financeira. Os outros não alinhados também sofrem as consequências. Diria mesmo que esta crise do Euro está relacionada com a falta de confiança nas instituições mas sobretudo nos seus lideres.

Com o surgimento da crise, apareceram duas figuras que vão ficar na história Europeia. Angela Merkel e Nicolas Sarkozy. Os dois "pegaram" no comboio europeu e decidiram definir as linhas mestras da política europeia. No fundo, foram eles que decidiram o que se haveria de fazer, tendo para isso conquistado a confiança dos Estados nórdicos. Ao serem os países mais ricos da Europa, será daí que virá a maior parte do dinheiro para os países do Sul. De salientar que foi com o estalar da crise que se começou a fazer a divisão entre países nórdicos e do sul, substituida pela expressão "Europa a duas velocidades".

De encontro em encontro, com mais ou menos beijinhjos, Merkel e Sarkozy reuniam-se até que nasceu o tratado orçamental europeu que entrará em vigor em Janeiro de 2013. Ao lado destes deste casal, estavam os PM´s que necessitavam de dinheiro para se financiar. Socrates e Coelho foram autênticos filhos favoritos deste casal. 

Sintomático desta política do grupinho á parte foi a questão da emissão de dívida por parte do BCE. Muitos defendiam que essa era a solução para resolver a crise, mas como o casal não queria não se podia mexer. Este ano os eleitores franceses decidiram acabar com o namoro e escolheram o socialista François Hollande para Presidente francês. O primeiro sinal de insatisfação por parte de um grande país foi dado. Ainda é cedo para se perceber se Hollande e Merkel completam-se. 

O futuro da Europa é uma incerteza. O Presidente da Comissão já veio falar em Estados-Federação como o único caminho possível. No fundo, a Europa continua a tentar copiar o modelo norte-americano. Ora, talvez tenha sido esse o principal erro europeu: querer, à semelhança do que acontece nos EUA; adoptar uma moeda única. 


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