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sábado, 13 de outubro de 2012

Momentos Olhar Direito (10): Socrates, Coelho e o futuro

Acompanhámos ao longo destes cinco todas as incidências políticas que Portugal viveu. Em 2007 o país ainda vivia o tempo de vacas gordas e José Socrates tinha todo o capital de confiança. As eleições de 2009 não se afiguravam fáceis para o PM, no entanto a vitória era garantida. Restava saber se conseguiria chegar a mais uma maioria absoluta, o que seria inédito na nossa democracia. A oposição de Manuela Ferreira Leite fazia temer o pior para a Direita portuguesa, e o espectro de uma coligação entre PS-PCP-BE pairava no ar. O problema é que nem comunistas nem bloquistas queriam governar com Sócrates ao lado. 

No meio desta confusão, o unico partido que se sentia confiante era o CDS, que veio a obter um bom resultado. Com a crise que se instalou nos EUA e que rapidamente se propagou pelo resto do mundo, era díficil de acreditar num governo de minoria. Primeiro porque as experiências em anos anteriores não tinha corrido bem e porque a crise fazia-se sentir cada vez mais. 

Em Setembro de 2009, Socrates venceu e Manuela Ferreira Leite foi derrotada, tendo obtido um dos piores resultados de sempre da história do PSD. O CDS subiu e era o partido que estava melhor posicionado para fazer coligação com Sócrates. No entanto, Portas cumpriu a sua palavra, ao não aceitar fazer coligação com o PS. A crise ajudaria o governo socialista  a cair por si. 

Durante ano e meio vivemos com o espectro da crise. A necessidade de pedir ajuda era cada vez mais mas o PM continuava a negá-lo, e para entreter os portugueses ia fazendo aprovar PEC´s que mais não eram ajustes orçamentais impostos por Bruxelas. Entretanto o PSD mudava de líder, agora com Passos Coelho no poder. O novo Presidente laranja foi ajudando o PM na aprovação dos PEC´s, era sempre o último dizia o então Primeiro-Ministro. No meio da crise surgiram os casos freeport, licenciatura e outros mais. Contudo, o líder dos líderes continuava de pedra e cal. Tinha uma minoria parlamentar, mas o povo estava a seu lado, contava com a ajuda do líder da oposição e a cooperação institucional do Presidente da República. Por tudo isto é que ele continuava a negar a chegada de um vendaval chamado FMI. 

Chegados a Março de 2011 e com o anúncio de mais um PEC, o Coelho disse basta. Assim sendo, o PM ameaçou bater com uma porta que iria reabrir novamente após anúncio da sua recandidatura. Foi algo inédito, um PM demitir-se e no instante a seguir anunciar a recandidatura. Sim, porque a culpa é da crise internacional e de um flagelo que se chama mercados, nada teve a ver com a governação socialista de 6 anos. 

Ainda antes de mais um acto eleitoral, o pedido português chegou junto do FMI. Pela terceira vez na nossa história, iríamos estar sob a tutela financeira do FMI.  Sai um José entrou um Coelho determinado a mudar o paradigma e o estilo de vida português. Com o anuncio de algumas medidas inéditas, o estado de graça durou pouco tempo. A partir daí tudo mudou. 

O povo começou a sair à rua quase todos os dias e o governo sem saber o que fazer começou a cortar em tudo e mais alguma coisa. Se por vontade de Bruxelas, se por uma questão ideológica ou porque era fundamental fazê-lo devido aos erros do passado; a verdade é que ninguém ficou indiferente ao que se estava a passar. As diferenças ideológicas esfumaram-se, a descrença é maior e o sentimento anti-político tornou-se geral. Perante este cenário o que fazer?

Não se pode mudar de governo, de sistema político. No fundo não é possível acabar com a troika porque sem ela não temos maneira de pagar o que por nós próprios já não conseguimos pagar. Contudo, também há um certo sentimento que as medidas não são equilibradas tendo em conta o nulo crescimento económico que em Portugal se tem verificado nos últimos anos. 

Já é vísivel que os portugueses não aceitam mais medidas de austeridade, sejam elas quais forem. Sem a confiança dos portugueses mas com a confiança do Presidente, o Governo caminha em águas turbulentas e ainda para mais quando a coligação que o sustenta ameaça ir ao fundo. O problema é que se mudarmos, vamos continuar na mesma, dizem uns. O sentimento de "ar fresco" será cada vez mais curto se a receita imposta for igual. A questão é que não se sabe qual é a alternativa, nem em termos internos nem externos....

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