segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Meninices!



Li hoje um artigo no jornal “Sol” que me deixou completamente embasbacado!

Antes de mais, deixo-vos, é claro, aqui o link do tal artigo para se porem a par do mesmo e, assim, entenderem melhor as criticas que irei tecer ao mesmo: http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=60110

Ler parvoíces nos jornais, eu leio todos os dias mas este artigo conseguiu suplantar muitas das restantes parvoíces, diga-se.

Ora, numa altura de crises sociais e de valores, como já falei em artigo anterior, vir-se com a retórica de que as criancinhas estão a ser sufocadas e muito pressionadas é algo que me transcende completamente.


Em primeiro lugar, desconheço por completo esta ideia de que as crianças sejam cada vez mais sufocadas e pressionadas por pais e professores. Aliás, o que todos sabemos, e isso é um facto, é a balda que se repete e aumenta de ano para ano em grande parte das escolas. O que todos sabemos, e isso é também um facto, é a falta de respeito, o abuso e mesmo a violência que muitos alunos têm perante os professores e até perante os pais. O que todos sabemos, e isso é só mais um facto, é a crescente falta de transmissão de valores essenciais e da simples educação por parte dos pais aos seus filhos. Todos sabemos disso mas, ainda assim, a investigadora Maria José Araújo e o Pediatra Mário Cordeiro vêm tentar comprovar o contrário. Que grande batalha que têm pela frente…

Ainda referente a este primeiro ponto, quando se fala em aumento do sufoco e da pressão das crianças lembro-me, imediatamente, da altura do Estado Novo – para me referir a uma altura histórica recente – e das crianças de então. Ora, pondo em cima da mesa a possibilidade de as crianças de hoje estarem a ser, realmente, sufocadas e pressionadas, como é que classificaríamos o que acontecia na altura do EN e até em datas históricas anteriores a essa…
          Dá vontade de rir, só! Durante o EN, a educação nas escolas e em casa era muito mais exigente e severa que nos dias de hoje. Nas escolas, havia mais matéria a saber – o habitual exemplo das linhas férreas e do estudo das colónias- havia menos tempo para a desenvolver, havia uma carga horária igual ou superior à de agora, havia mais testes e exames, ambos mais difíceis dos de hoje, havia um rigor imenso, etc.
Em casa, “o respeitinho – principalmente em relação ao pai e aos avós - era muito bonito”, os valores eram essências, fosse qual fosse a classe social da família, a pontualidade, uma grande exigência, as boas notas e o bom comportamento na escola, um dever, entre outros exemplos.

Depois de tudo isto, onde estavam os aumentos de stress, os aumentos de problemas obsessivo-compulsivos e as depressões? Não oiço os “mais velhos” a queixarem-se disso! Podem criticar o EN, é certo. Mas quase todos concordam que a educação que receberam foi bem superior, ainda que diferente – os tempos também eram outros -, à que os seus filhos recebem ou têm recebido nos últimos tempos.

Mais, gostava de saber como é que estes especialistas, pediatras e psicólogos, resolviam o problema das «atitudes de cansaço e angústia nas crianças e comportamentos de grande mal-estar (…)». Mais uma vez, só dá vontade de rir porque nunca vi ninguém a alcançar algo sem ter sentido cansaço, angustia, mal-estar, stress e muitos outros sintomas, no caminho para a meta, por assim dizer.
Querer que um aluno, do mais novo ao mais velho, tenha sucesso escolar sem que se esforce e, com isso, se canse e etc., é no mínimo uma missão (quase) impossível. A única solução, e daí o quase, é fazer o que se vinha a fazer nos últimos anos – que não mudou assim tanto com este último Governo – e baixar cada vez mais os padrões de ensino e, assim, a dificuldade do mesmo. Aí, só haverá crianças felizes, garanto! O problema será quando chegarem a adultos…


Em segundo lugar, e atenção que continua a risada, a premissa de que as crianças trabalham tanto ou mais que os adultos.

Bem, eu nesta altura do artigo só ansiava para que não houvesse uma terceira premissa porque, a acontecer, o riso começar-se-ia a transformar em choro!

De duas, uma: Ou esta especialista e os restantes pediatras e psicólogos têm empregadas fantásticas que tratam de todas as tarefas da casa, que vão buscar os filhos à escola e às actividades extracurriculares que houverem, que tratam dos assuntos familiares, que convivem com os filhos, que os levam a festas e a casa do amigo A e B, etc., etc., ou então vivem isolados do mundo ou até mesmo, começo a pensar nesta hipótese, noutro Planeta!!!
Como é possível afirmar que crianças trabalham mais que adultos? Para já, as crianças “trabalham”, não trabalham. Depois, o “trabalho” que as crianças têm fora das escolas é muito mais diminuto do que aquele que a maior parte dos cidadãos adultos tem no seu horário pós trabalho, obviamente. Ou estou muito enganado ou então não é preciso nenhum estudo para se mostrar tal afirmação.

A especialista Maria José Araújo considera ainda que, apesar de se dever tentar incentivar, estudar deve ser um acto voluntário de cada aluno. Ora, então, uma criança dos dias de hoje, completamente informatizada, com computadores, com televisões, com playstations, etc., vai mesmo querer estudar quando pode passar a tarde e a noite a divertir-se de outra forma. Caso os pais, neste caso, nada façam, caso não sejam exigentes e os levem a estudar, eles hão-de crescer, deixar de ser crianças e continuarem agarrados, simplesmente, a computadores, televisões e playstations…


Em terceiro lugar, para terminar, um único ponto onde estou, em parte, de acordo com a especialista Maria José Araújo: Há que repensar os conceitos de excelência e de sucesso.

Digo em parte porque Maria José Araújo vê este problema com uma visão contrário à minha, aparentemente. A mesma acha que os níveis de exigências devem baixar pois as crianças são diferentes e cada uma tem «ritmos de vida que devem ser respeitados». Eu, por outro lado, acho que os níveis de exigência devem ser aumentados!

1 comentário:

Francisco Castelo Branco disse...

há um sentimento de protecção em relação às crianças que não se entende...

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