segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ainda o caso Armstrong



Tal como o Francisco Castelo Branco referiu, há que analisar o “caso Armstrong” à luz da questão: Vilão ou vítima?

Na minha opinião, ele é, simultaneamente, vilão e vítima! 

Armstrong foi um senhor. Todos o conhecem pelas suas inúmeras vitórias no ciclismo e, maioritariamente, pelas suas vitórias em sucessivos Tours de França. Mesmo quem não é grande fã de ciclismo segue todos os anos o Tour de France. É entusiasmante do princípio ao fim! As lutas pela liderança individual, as lutas pelas camisolas, as guerras entre equipas, os assistentes de corrida das equipas nos carros aos berros, as quedas, os sprints, as montanhas, etc. etc. etc…

Armstrong foi Rei 7 vezes! Repito, 7 vezes! Com toda a convicção, afirmo, porque o penso, que ainda que tenham havido drogas no organismo, só um grande ciclista o consegue e conseguirá fazer.


Mas no que diz respeito à dopagem, há que analisar o tema sobre alguns prismas:


·         Sobre o prisma dos meios de comunicação social: Foram os meios de comunicação social, os mesmos que em anos anteriores tinham enaltecido e feito consecutivas primeiras páginas com Armstrong, que destruíram e viraram por completo a vida de Armstrong. Ele errou, é certo, mas todos sabemos do (excessivo) poder que os meios de comunicação detêm e do perigo que isso acarreta.

Todo este “caso Armstrong” começou, se não me engano e pelo que sei, por queixas por parte de um dos ex-elementos da equipa Discovery, o que levou, posteriormente, a mais queixas de outros elementos da mesma equipa e também de outras equipas por onde Armstrong passou durante a sua carreira de ciclista. 

Ora, os mesmos ciclistas que apresentaram queixa dele, e ninguém aqui põe em causa esse acto, foram os mesmos que, com ele, se doparam nos seus anos dourados no ciclismo. Eles próprios o admitiram, não sou eu que o venho agora dizer.
Os meios de comunicação social transformaram de imediato este caso numa imensa polémica que correu os jornais de todo o Mundo. Fizeram-no, deitando abaixo Armstrong, criticando-o, insultando-o.

No que diz respeito aos colegas de Armstrong que apresentaram as tais queixas, e que, volto a repetir, também eles admitiram dopar-se com Armstrong, os meios de comunicação enalteceram o seu papel quase heróico e fizeram esquecer que também eles eram vilões. Tão vilões quanto Armstrong! Não é por Armstrong ter sido um dos maiores ciclistas do Mundo que tem de ser mais vilão, por assim dizer, quando a situação foi a mesma para ambos!
  

 Sobre o prisma desportivo: O desporto profissional, de topo, é, hoje em dia, cada vez mais sujo, na minha opinião.

A grande prova disso, no que toca ao ciclismo, é um facto que aqui já falei. Ou seja, os mesmos ciclistas que apresentam queixa de Armstrong, um antigo colega seu, são os mesmos que admitem ter-se dopado na altura de Armstrong e até posteriormente. Ora, isto representa o quão “sujo”, passo a redundância, o ciclismo já era na altura de Armstrong e que, sem dúvidas, há-de continuar a ser nos dias de hoje. 

Em relação a esta “sujidade” no ciclismo, penso ter sido o ciclista Rui Costa que, com certo humor, disse que nunca conseguiria/poderia ganhar uma volta a França porque tinha demasiado medo de agulhas, algo do género.

Mas não é, nem ninguém acredita, que seja só no ciclismo que tal se passe. Até no futebol, o desporto rei em grande parte do mundo, existem casos de dopagem. Aliás, quando jogadores de equipas profissionais, caem no chão em pleno jogo não é com certeza por incompetência dos médicos das equipas. Em alguns casos, é por razões “naturais”, doenças ou estados que não foram detectados, etc. Noutros, é por ter havido o consumo de determinados produtos ilegais que têm o objectivo de aumentar o desempenho desportivo, obviamente.



Em suma, trata-se de escolher um de dois caminhos: Ou se aperta fortemente, e quando digo fortemente, é mesmo fortemente, as tentativas de dopagem e se aumentam as sanções aos consumos ilegais, ou se considera um flagelo demasiado generalizado e no qual já não há grande volta a dar (como é o exemplo das guerras e da pretendida Paz mundial).
Na minha visão, trata-se de «um flagelo demasiado generalizado e no qual já não há grande volta a dar».
Pode parecer uma opinião imoral, que não olha ao papel da Justiça e do Direito, mas considero que há assuntos nos quais não há muito mais a fazer, sejam quais forem as razões para isso.

2 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Bom texto e com questões pertinentes.

Muitos dos que acusaram Armstrong fazem-no por causa da inveja que têm dele. Também considero que é impossível vencer a Volta a França sem se recorrer a substâncias dopantes. Do ponto de vista humano é complicado.

Sob o ponto de vista desportivo deveria haver um limite permitido para a utilização de produtos que aumentem o rendimento desportivo.

Ou se diminui a dificuldade das provas ou então o ciclismo continuará a ser uma mentira.

Em relação a Armstrong não se percebe a razão disto vir agora a publico, ainda por cima um ano depois do caso Contador. A mim parece-me é que os franceses convivem mal com o sucesso alheio.

Fatyly disse...

Afonso Prole
Gostei do que escreveste e subscrevo...embora quem tenha começado a perseguição a Amstromg tenha sido Jan Ullrich que foi apanhado no controle anti doping em 2006 ou 2007. Não gostava de Amstrong segundo li por razões até pessoais porque Jan tinha um péssimo feitio.

Amstrong sofreu um cancro e tomava e ainda toma medicação. Foi o ciclista mais controlado antes, durante e depois do Tour e até em férias com a família a UCI apareceu de surpresa.

Posto isto e depois da acusação de dois colegas - a meu ver para terem protagonismo - Lance desiste de lutar contra tamanha perseguição. Sérgio Paulinho esteve sempre na sua equipe e falou alguma coisa? E os outros? Pois é...

Concordo contigo porque de facto existe esse flagelo em quase todas as modalidades desportivas...mas para aprofundarem melhor a questão também seria bom saber por parte da UCI quais os laboratórios que controlam e aí talvez se encontrasse "muitos podres"...não sei!


Para mim ele é, foi e será SEMPRE o maior e melhor ciclista de todos os tempos...(talvez quem lhe pudesse fazer um pouco de sombra seria Pantani, mas infelizmente morreu...) e um grande, mas grande SENHOR porque desistir não é só dos fracos é simplesmente estar farto de lutar contra "hipóteses" porque provas? ZERO!

Um abraço sincero!

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