sábado, 27 de outubro de 2012

15.4 - Liberalismo Vs Miguelismo

As lutas liberais, como se depreendeu dos últimos posts, foi um momento importante da nossa história. Isto porque colocaram em confronto dois irmãos que defendiam valores e principios totalmente opostos um do outro, pelo que seria impossível que a escolha de um agradaria ao outro. 


A morte de D.João VI deixou o trono vazio. No entanto, devido à questão brasileira foi díficil de resolver. Era impraticável D.Pedro ser Imperador do Brasil e Rei de Portugal ao mesmo tempo, até porque as leis brasileiras não o permitiram, no entanto a escolha em D.Miguel seria a continuação da mesma política seguida há muitas décadas. 
Conceder o trono a D.Pedro também tinha um risco político. É que o Imperador do Brasil vinha fazer um corte profundo naquilo que era a tradição monárquica portuguesa. Isso era mexer contra os interesses instalados, retirando poder àqueles que normalmente eram os maiores beneficiados com o sistema vigente. Não que com o liberalismo Portugal mudasse radicalmente, mas o absolutismo real há décadas que durava e necessário era uma lufada de ar fresco. 

Foi com o liberalismo que se tentou pela primeira vez instalar um regime constitucional. O projecto da Carta Constitucional foi um sinal disso mesmo. Como o nome indica, Liberalismo significava instaurar um regime libertário, onde as separação dos poderes fosse a concretização no plano teórico mas também prático. Enquanto isso, os miguelistas eram conservadores e queriam manter tudo como estava. Havia um receio fundado que os liberais queriam "democratizar" a Monarquia. 

A Carta constitucional de 1826 foi um importante passo para uma Monarquia Constitucional quase perfeita.

2 comentários:

Eurico disse...

D. Miguel era um homem de ideais católicos e tradicionalistas, os quais defendia com frontalidade. Era pouco popular entre a burguesia, mais aberta à influência do ideário liberal, mas gozava de grande popularidade entre o povo, que, caído na miséria após as guerras contra Espanha e França, via num rei forte a figura de um salvador. A isto acresce que era a Igreja quem muitas vezes matava a fome do elevadíssimo número de mendigos e deserdados de mais de 30 anos de guerras, pelo que a inimizade dos liberais face a esta instituição terá levado a que o povo se colocasse ainda mais do lado miguelista.

D. Miguel era também um admirador do chanceler Metternich da Áustria, embora afirmasse não ser adepto de uma monarquia absoluta mas apenas pretender libertar Portugal das influências estrangeiras, principalmente das ideias da Maçonaria, que considerava nefastas.D. Miguel emitiu a seguinte proclamação:

"Portugueses:
É tempo de quebrar o férreo jugo em que vivemos (…) A força dos males nacionais, já sem limites, não me deixa escolha (…)
Em lugar dos primitivos direitos nacionais que vos prometeram recuperar em 24 de Agosto de 1820, deram-vos a sua ruína e o Rei reduzido a um mero fantasma; (…) a nobreza (…) à qual deveis a vossa glória nas terras de África e nos mares da Ásia, reduzida ao abatimento e despojada do brilho que outrora obtivera do reconhecimento real; a religião e os seus ministros, objecto de mofa e de escárnio (…).
Acho-me no meio de valentes e briosos portugueses, decididos como eu a morrer ou a restituir a Sua Majestade a sua liberdade e autoridade (…).
Não hesiteis, eclesiásticos e cidadãos de todas as classes, vinde auxiliar a causa da religião, da realeza e de vós todos e juremos não tornar a real mão, senão depois de Sua Majestade ser restituído à sua autoridade.
Vila Franca, 27 de Maio de 1823.

No dia 30 de Abril de 1824, o Infante D. Miguel, que havia sido nomeado generalíssimo do Exército Português, fez deter, nos calabouços do Castelo de São Jorge e nos da Torre de Belém, importantes personalidades civis e militares do país. Entre elas destacavam-se as figuras do Intendente-geral da Polícia, barão de Rendufe, o duque de Palmela (então no governo em coligação com o conde de Subserra) e o visconde de Santa Marta.
D. Miguel, que contava com o apoio de sua mãe Carlota Joaquina, considerava-os culpados de serem partidários do liberalismo e de seu pai, D. João VI, sendo sua intenção declarada acabar com o que denominava de "pestilenta cáfila de pedreiros-livres", numa referência à Maçonaria liberal e constitucional.

Partidos Políticos Liberalismo

Vintistas (1820)
Cartistas (1826)
Chamorros (1833)
Conservadores (1834)
Ordeiros (1836)
Setembristas (1836)
Progressistas (1842)
Comissão Revolucionária de Lisboa (1848)
Grande Oriente de Portugal (1849)
Confederação Maçónica Portuguesa (1849)
Partido Nacional (união dos
Cartistas e Setembristas) (1849)


Partidos Políticos Monarquia Constitucional

Partido Regenerador (1851)
Grande Capítulo Central da Maçonaria Lusitana (1851)
Partido Histórico (1854)
Partido Reformista (1862)
Confederação Maçónica Progressista de Portugal (1864)
Partido dos Melhoramentos Materiais (1865)
Partido Reformista (1867)
Partido Avilista (1868)
Grande Oriente Lusitano Unido (1869)
Partido Constituinte (1871)
PSP - Partido Socialista Português (1875)
Partido Progressista (1876)
PRP - Partido Republicano Português (1876)
Grande Loja dos Antigos Maçons Livres e Aceites de Portugal (1882)
Liga Liberal (1901)
Partido Regenerador Liberal (Partido Franquista), (1901)
Partido Nacionalista (1903)
Dissidência Progressista (1905)
Partido dos Operários Socialistas de Portugal
Partido Socialista Operário Português
Centro Académico da Democracia-Cristã (1901)
Liga Liberal (1901)
Partido Nacionalista (1902)
Associação Católica
Círculo Católico dos Operários
Dissidência Progressista (1905)

Teresa van Uden Chaves disse...

Gostaria que o comentador Eurico entrasse em contacto comigo. Teresa van Uden Chaves - tuchaves@gmail.com
Obrigada.

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