terça-feira, 25 de setembro de 2012

(re) Pensar Portugal

Em resposta ao post do Afonso que defende uma saída do Euro, eu sou completamente a favor da manutenção na moeda unica. 


Sair do Euro significaria o reconhecimento do falhanço das nossas políticas económicas e sociais. Não que as devemos defendê-las acirradamente, mas há uma imagem a nível externo que temos de preservar. Mesmo que a saída seja ordeira, controlada e progressiva, vai deixar marcas para sempre na economia do país.

Apesar das dificuldades, acho que a entrada de Portugal no Euro foi positiva, bem como a criação da moeda unica. As vantagens são mais que as desvantagens, pelo que não vejo necessidade de sair apesar da crise instalada. 
Não se pode construir o futuro sem o euro e voltando ao escudo. A vida está mais cara, os preços subiram, no entanto, as recompensas também são boas. Apesar do desperdício, Portugal ganhou com o Euro. Muitos serviços públicos como hospitais, estradas, escolas etc melhoraram o seu funcionamento devido à entrada de dinheiro europeu. 

Sei que houve muito desperdício, dinheiro mal gastado e outro que desapareceu, mas isso não pode ser atribuído à entrada na moeda unica. Deve-se sim, e como foi bem analisado, às más políticas e ao despesismo muito frequente nos governos socialistas. Note-se que nos ultimos 12 anos, foram quase 9 anos de governação socialista. Isto só poderia ter reflexos catastróficos.

A não saída do Euro não implica que se reveja os parâmetros essenciais desta moeda. Contudo, o aperto vai ser maior com a entrada em vigor do novo tratado orçamental europeu. O problema está mais na política  do que propriamente na moeda. E tanto Portugal como a Grécia têm sofrido bastante com as orientações delineadas.

5 comentários:

Afonso Prole disse...

Boas, Francisco!
Gostei do artigo mas, já que temos opiniões contrárias, gostava de trocar umas ideias contigo.

Quando escreves que a saída do Euro seria o «reconhecimento do falhanço das nossas políticas (...)», esse falhanço seria visto por quem? É que eu tenho a ideia, pelo que leio e vejo de imprensa internaciona,l que americanos e chineses,das maiores potências mundiais, têm a certeza que a Europa vai cair mais decada menos decada...

Depois, é certo que houve algumas vantagens em entrar para a UE mas penso que não podemos ver as coisas só por esse prisma porque, caso assim fosse, desde que houvesse aspectos positivos num acordo ou etc, entrar-se-ia sempre e não mais se saíria ou desistiria...
Penso que, nesta altura ou num curto espaço de tempo, 5 anos no máximo, Portugal deveria começar a pensar, atenção, pensar, em abandonar a UE. Sou da opinião que quase nunca se deve recuar numa decisão tomada pois isso, como disseste, é mostrar fraqueza e reconhecer o falhanço mas, neste particular caso, que não é nada simples, penso que seria uma melhor solução.

Francisco Castelo Branco disse...

Então pergunto quais as vantagens de sair da UE e caminharmos sozinhos?

Pode custar muito, mas estar na UE também exige obrigações e deveres. A UE tem-nos ajudado muito ao longo do tempo.

Seria o falhanço das nossas políticas que obviamente têm de estar coordenadas com as politicas europeias. a questão é que as politicas europeias hoje em dia são mais alemãs do que qualquer outra coisa.

Na questão das pescas e agricultura ficámos claramente a perder, mas em contrapartida obtivemos fundos comunitários que nos permitiram desenvolver os nossos serviços publicos.

Afonso Prole disse...

Vantagens a curto prazo? Tirando o factor da soberania que iriamos ganhar em termos de lei, nenhumas!
Mas a questão é precisamente o facto de não se poder ver as coisas a curto prazo. Portugal tem negócios de PPP's que duram até 2050, ou coisa parecida. É impensável pensar-se na economia a cada 5/10 anos se temos juros e dividas a pagar até 2050...

Quanto aos fundos, concordo parcialmente contigo, pelo facto de lhe termos dado algum uso. O problema é mesmo o infeliz uso da palavra "algum". Deviamos era ter dado TODO o seu uso. Foi para isso que ele veio. Não consigo aceitar como é se deita assim dinheiro "ao lixo". É impensável, na minha maneira de ver as coisas!!

Francisco Castelo Branco disse...

senão viesse quem é que nos dava....

Francisco Castelo Branco disse...

A culpa de ter sido mau usado é culpa nossa, mas é um facto que a UE deveria ter fiscalizado melhor, mas isso seria intrometer na soberania dos Estados.

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