segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Pensar Portugal



É cada vez mais frequente ouvir analistas, economistas, cronistas e outros por toda a Europa e por todo o Mundo a falar sobre o “quando”, o “como” e o “porquê” de alguns países deverem abandonar a UE.
Entre esses países, estão, obviamente, Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália e até, para alguns, França.


Eu sou, cada vez mais, apologista de uma saída do Euro. Obviamente, uma saída controlada, progressiva, ordenada, com o objectivo de parar o descontrole económico-financeiro que vamos vivendo e de minimizar as consequências que vamos sofrendo por má gestão de grande parte dos Governos portugueses.
No entanto, é muito mais fácil estar para aqui a falar do que depois é o preparar e o fazer!

Desde 2007/2008, quando a chamada “crise mundial” começou – crise imobiliária americana→ crise americana→ crise europeia→ agravamento da crise portuguesa, e por aqui fora – que começaram a surgir as primeiras vozes discordantes em relação à forma como a UE estava a ser gerida e dirigida, em relação à continuidade da UE como organização/comunidade, em relação à continuidade de determinados países na UE, etc.
Ainda assim, no que dizia respeito a ideias sobre o abandono da UE, só se fazia referência a conceitos básicos como os que referi. Ou seja, saída ordeira, controlada, progressiva. Ora, isso de nada serve…

Feliz ou infelizmente, essas ideias evoluíram bastante e passaram a grandes e boas teorias bastante bem organizadas e pensadas.

Roger Bootle é um economista Inglês que ganhou recentemente o prémio “Wolfson Economics Prize” da Capital Economics, uma das maiores empresas do Mundo de consultoria.
Foi, até ao momento, a pessoa que mais e melhor me convenceu que existe uma forma correcta de todo o processo de abandono da UE se fazer. 

Deixo, em anexo, no final do artigo, o “practical guide” que ele escreveu para expor a sua teoria e responder aos tais “quando”, “como” e “porquê”.


Voltando, então, um bocadinho atrás, temos já nos dias de hoje teorias bastante sólidas sobre como se preparar e coordenar uma saída do Euro.
Tal é bastante positivo e deveria ser visto e analisado pelos Governos portugueses por duas razões:
1.  Por uma questão de real alternativa.
A situação portuguesa, não obstante de melhorias a determinados níveis que têm acontecido nos últimos meses e poderão vir a acontecer no futuro, é bastante perigosa e grave. Comentadores portugueses de renome – Medina Carreira, Camilo Lourenço, José Gomes Ferreira, Tiago Guerreiro, entre outros - avisam diariamente para as consequências futuras que ainda iremos sofrer “no matter what”, passo a expressão. Isto, deve-se a péssimas medidas e negociatas feita pelo Governo de José Sócrates, claro está, como PPP’s, que originaram graves consequências, como o enorme agravamento das dívidas pública e privada e dos deficits. Mas também devido à falta de coragem política para tomar, no presente, determinadas medidas e para fazer determinadas reformas em alguns – para não dizer todos - sectores do Estado.

2.  Por uma questão de segurança.
Ainda que os nossos governantes e toda a população sejam contra a saída de Portugal da UE, deveria, na minha opinião, ser criada uma Comissão ou algo que se lhe pareça para, em segredo (obviamente!), analisar, estudar e desenvolver um plano forte e organizado de abandono do Euro. Se assim fosse, e pondo a hipótese de que a UE, mais década menos década se desmorona, teríamos de imediato um Plano A pronto a ser posto em prática, o que não levaria ao caos!

Saindo ou não da UE, temos de saber tirar uma conclusão bastante simples: Portugal não soube viver nem desenvolver-se no seio da UE! Houve fundos mal aproveitados, fundos devolvidos, houve multas pela não utilização de fundos, pela má utilização de fundos, houve dinheiros de fundos que todo o português sabe que foram usados não na Agricultura ou nas Pescas mas em carros novos para quem o recebeu, houve abuso por parte dos Governos em pedir dinheiro à “Europa”, BCE e bancos dos diversos países, entre outros tristes factos que só em Portugal…

Continuo, ainda assim, a acreditar num Portugal sólido e forte, venha quando vier!

Anexo: http://www.policyexchange.org.uk/images/WolfsonPrize/wep%20shortlist%20essay%20-%20roger%20bootle.pdf

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