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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Os valores perdidos

Problemas económico-financeiros, políticos e outros à parte, Portugal passa hoje por uma grave crise que se alastra e cresce a olhos vistos, como se costuma dizer: Uma crise de valores!

Do simples trabalhador à mais alta personalidade política ou empresarial, a falta de valores é algo que cada vez mais predomina no nosso país, infelizmente.
  
O antigamente, e refiro-me aos tempos pré 25 de Abril, foi, sem dúvida, um tempo de costumes, de grandes valores sociais enraizados em toda a sociedade. Uns passados pelos Governos, outros passados pelas famílias aos seus filhos e restante criançada.
Quantos de nós não se deslumbraram já ao ler Fernando Pessoa e Eça de Queiroz por toda aquela caracterização da nossa antiga sociedade - que não escapava a críticas, é certo. Mas escapar a criticas é algo que considero impossível por mais perfeição que exista em algo. Havia a presença de um conjunto de valores, do mais pobre ao mais rico, do comum trabalhar ao grande diplomata ou empresário. Todo um costume que era praticado com grande rigidez, mas também satisfação, porque assim haviam sido educados pelos seus pais.
Havia palavra, havia rigor, havia disciplina, havia honestidade, havia patriotismo, havia, no fundo, valores que foram desaparecendo no pós 25 de Abril por várias razões que não quero agora aqui desenvolver.

   Hoje em dia as coisas são muito diferentes!
Hoje em dia, do comum trabalhador ao grande diplomata ou empresário, existe uma falta de valores gigantesca, cada vez mais acentuada e que, a continuar a crescer desta forma, trará graves problemas em todas as áreas ao nosso Portugal!
Mas o que mais me incomoda, e penso que a todos, é a falta de valores essências que a esmagadora maioria da classe política, empresarial e afins apresenta!!
São eles os primeiros a ter que dar a cara pelo país que representam mas ao passar uma imagem de desonestidade, de desordem, de facilitismo, de pseudo patriotismo e interesse por Portugal, só criam (para além de risos) uma grande revolta na sociedade que se vê (des)governada, da esquerda à direita, por pessoas incapazes!
Caso Freeport, caso BPN, “caso” Isabel Alçada, caso Miguel Relvas, etc. Ficava aqui uns longos minutos a enumerar todos os casos recentes que vieram a praça pública.
Em todos eles existe uma constante: Fala-se muito mas ninguém é condenado! São fraudes que prejudicam Portugal de forma geral. São, muitas vezes, dinheiros públicos que estão em jogo!
Dos da esquerda aos da direita, ficou estabelecida a ideia, e com muita razão de ser, de que quem vai para a política fá-lo por razões de interesse pessoal (e não me refiro a razões de patriotismo, nacionalismo ou algo do género) ou porque convém a alguns que pessoa A ou B esteja lá durante uns tempos.

   Ora, com tudo isto que acontece e há-de continuar a acontecer, Portugal irá sempre estar sob grandes pressões e crises.
Não valerá de muito tentarem resolver a crise económico-financeira que Portugal e a Europa passam neste momento porque, caso tal venha a acontecer, ficaremos frente a frente com esta falta de valores de que falei. Tal, originará, sem quaisquer dúvidas, novas crises económico-financeiras. O facto de estarmos a ser coordenados por uma Troika pela terceira vez (!!!) é bem o espelho do que tento mostrar.

Resta, então, aos mais novos, instruírem-se e educarem-se de forma a que, grão a grão, consigam ir mudando os valores da sociedade actual e desenvolver um país mais transparente e capaz!
Aos de mais idade, que ainda prevalecem com valores essências, é sua tarefa passar esses valores aos seus para que se possam propagar.


4 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Pior é que os mais novos já aprenderam os tiques dos mais velhos

Afonso Prole disse...

É uma triste verdade, realmente!
Mas nem todos, acredito eu..

MCB disse...

Meu caro,

Não acho que hoje em dia tudo seja bom (está longe de o ser) e que antigamente tudo fosse mau (é verdade, havia coisas boas).

Mas não posso concordar que os "grandes valores" ficaram cristalizados nos tempos antigos.

E não posso, porque no nosso país - quer queiramos admitir, quer não - houve uma extraordinária evolução em campos como, por exemplo, a pobreza, analfabetismo e condição social da mulher. Tudo ligado a "grandes valores" como a dignidade, liberdade e igualdade.

É certo que o evoluir dos tempos que correm podem colocar em causa esses valores, mas não podemos negar a evolução que houve nestas matérias.

Concordo consigo, na medida em que alguns valores, de facto, se degradaram (p. ex., o respeito pelos outros, o sentido de comunidade, etc.).

Por outro lado, não me parece que nos escritos do Eça se consiga descortinar um país muito diferente do de hoje, ao nível dos valores. Aliás, se há coisa que os livros do Eça mostram, na minha humilde interpretação dos mesmos, é que, a esse nível, o país pouco ou nada mudou. Ou seja, um País que usa a aparência para disfarçar um substrato longe de ser virtuoso.

Cumprimentos,

MCB

Afonso Prole disse...

Caro MCB,

Começando pelo fim, em relação aos escritos de Eça de Queiroz, realmente existe uma grande igualdade entre as "queixas" sociais e outras que ele apresenta e as de hoje! É um facto.
No entanto, referindo-me a Eça, pensava mais nas grandes caracterizações que ele fez nos seus livros sobre a sociedade, a lisboeta, por exemplo, daquela altura. Que, lá está, apesar de ter falhas, tinha grandes costumes e valores.

Em relação aos valores, como a dignidade, a liberdade e a igualdade, não vejo as coisas da mesma forma que o senhor, com todo o respeito, claro!
Penso que, e cada vez mais é assim, apesar de a CRP consagrar tais direitos como básicos e fundamentais eles são-o cada vez menos. Tanto em termos teóricos como práticos.
Dignidade, podemos dizer que ainda a temos mas muitos já dirão que a dos mesmos desapareceu há uns tempos.
Liberdade, é certo que a temos mas passou do 8 para o 80 com o 25 de Abril, temos que o admitir. As pessoas habituaram-se à ideia de que em Democracia têm o direito de puder fazer e dizer tudo o que lhes apetece simplesmnete porque vivem em Democracia e não em Ditadura. Ora, sabemos que as coisas não são nem podem ser nada assim!
Quanto à igualdade, costumo dizer e concordar que " somos todos iguais mas há uns mais iguais que outros", se é que me faço entender!

Cumprimentos

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