domingo, 16 de setembro de 2012

Olhar a Semana - É Seguro que os Passos a dar são estes?


A semana que agora termina foi sem dúvida uma das mais complicadas que o nosso país já passou. O filme já foi visto, mas os contornos agravam-se a cada novo anúncio de mais austeridade. O descontentamento alarga-se aos vários sectores da sociedade portuguesa e já nem a dança de cadeiras no poder altera o estado de coisas. De 2010 para cá, temos vindo a sofrer com austeridade. Primeiro para evitar a vinda do FMI, agora para que ele não se vá embora e nos deixe sozinhos.
É óbvio que a contestação tem um rosto, mas seja um Coelho, uma Gaivota, um Capucho, um Ferro ou um Costa, a musica é a mesma.
A musica chama-se Angela Merkel e o novo modelo económico que está a ser implementado na Europa, que se tende a agravar no inicio do próximo ano quando o Tratado de Consolidação Orçamental entrar em vigor. Aí o sofrimento vai a ser dobrar para os países em dificuldades, mas os grandes países que não se enganem, porque a crise também lhes vai cair no colo. O futuro será sorridente para uns mas para outros não, no entanto o aperto vai atingir todos.


Os acontecimentos políticos e sociais desta semana ocorreram à velocidade da luz, não dando tempo engolir o sapo que nos vão impondo. Entre anúncios de novas medidas, de resultados de avaliações, passando pelas entrevistas de todos os intervenientes nesta crise, acabando com uma das manifestações mais concorridas de que Portugal teve memória depois do 25 de Abril.


No campo político, dificilmente haverá alternativa ao caminho que nos está a ser imposto, apesar da folga em termos de tempo para cumprir o programa de ajustamento, por isso os berros da oposição são inúteis já que o nosso destino nos próximos anos é este. Não vale a pena fazer grandes discursos e campanhas contra o chumbo do OE, porque se isso acontecer a situação ficará pior. No fundo, andamos a pagar pelos erros cometidos durante largos. Estamos a sofrer por causa das Auto Estradas, Expo 98, os Estádios do Euro 2004, as Scuts e as PPP. Andámos a brincar com o dinheiro que nos emprestavam e agora a dor vai ser a dobrar.
A única solução é mesmo um governo que envolva os três maiores partidos portugueses, para que sob a direcção e orientação de um Presidente da Republica consigamos alcançar o consenso político e garantir a estabilidade social. Até porque se formos para eleições, o mais provável é que aconteça o mesmo efeito que os gregos tiveram, isto é, a possibilidade de nenhum partido obter maioria absoluta não sendo possível formar governo.
Perante este cenário, temos de esperar pelas mudanças que a Europa terá de fazer.


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