Etiquetas

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O facebook como instrumento político

A transmissão de mensagens via facebook e twitter por parte dos políticos tem sido uma constante nos ultimos anos. Trata-se de um ferramenta importante que permite uma maior interacção com os leitores, ainda que na maior parte das vezes se trate apenas de uma mensagem do que propriamente uma troca de ideias.

Não podemos criticar quem usa este tipo de ferramentas, até porque isto aproxima o político do cidadão. Muitas das vezes os governantes são criticados por se afastarem dos cidadãos, que não ouvem as suas propostas e ideias. Ora, as redes sociais vieram resolver um pouco este problema.

No entanto, o uso excessivo desta linguagem pode correr mal e descredibilizar politicamente, nomeadamente se estivermos perante alguém com responsabilidades, como é o caso do Presidente da Republica e do Primeiro-Ministro. 

Já sabemos que Cavaco Silva usa e abusa do facebook. Para espanto, ou não, o PR chamou a atenção do BCE para a questão da compra de dívida e da taxa de juro no facebook. Não consta que o apelo presidencial tenha chegado a Berlim. É normal que assim aconteça, pois não me parece que Merkel ou Draghi sejam amigos de Cavaco no facebook, ou então a não ser que haja uma rede social para os governantes e ainda nenhum hacker descobriu qual é. 
Fazer um comentário sobre uma matéria de importância extrema através de um post é completamente descabido. No entanto, Cavaco tomou-lhe o gosto e parece não parar. Não é de estranhar, porque na altura da adolescência do PR não havia estas realidades virtuais e agora o Presidente sente-se como uma criança quando liga o seu computador pessoal.

Passos Coelho viu que a página de Cavaco estava com muitos "likes" e não quis ficar atrás. Vai daí, decidiu desabafar com os seus amigos virtuais após o anuncio de mais medidas de austeridade. No entanto, e ao contrário de Cavaco, os comentários foram pouco amigáveis, como seria de esperar. Tal como acontece na rua, também no facebook o PR é mais famoso que o PM. 

Contudo, esta ferramenta é utilizada de forma inteligente, quer por um quer pelo outro. Ao contrário do que acontece nas habituais declarações ou conferências de imprensa, um post no face não permite perguntas ou contraditório. É verdade que haverá sempre uns post menos amigáveis, mas nenhum deles vai ler o que o cidadão anónimo escreveu. Além do mais, os posts na rede social podem ser minuciosamente preparadas, não sabendo nós que tipos de sentimentos estão por detrás das declarações escritas. Ora, Passos Coelho aproveitou bem a sua página no facebook. Para acalmar a ira das pessoas nos próximos tempos, PPC coloca um post para que a atenção dos media seja centrada naquela declaração e assim o assunto morre ali em termos mediáticos. Assim, PPC já não tem que se justificar nem pedir desculpa, porque já o fez.

Temos assim uma nova forma de comunicação politica, mais adequada aos interesses dos politicos que gostam pouco de dar a cara, sobretudo nos momentos difíceis.


Sem comentários:

Share Button